SOU TRI DA AMÉRICA!!!




Ainda está caindo a ficha de que o SANTOS é TRI na Libertadores.

Assistimos à final aqui em casa, eu e meus melhores amigos. Um palmeirense e outro são-paulino, ambos cordial e sinceramente torcendo pelo Santos. E o mais importante: sem zicar.

O primeiro tempo foi tranquilo, um tanto morno. Esperava mais do Penharol, que tem uma tendência a surpreender o adversário fora de casa. 

Começou o segundo e logo veio aquele golaço do Neymar, bem no cantinho, após uma linda jogada de Ganso e Arouca.

E depois aquele chute colocado lindo na jogada individual do Danilo. Esse merece uma estátua: salvou o time quando estava com a corda no pescoço, ainda na primeira fase, e fez o gol do título! O primeiro e o último gol do Santos na Libertadores na era Muricy e, provavelmente, os mais importantes.

Fiquei com pena do Durval. Estava jogando bem, não seria justo o peso de uma eventual derrota ficar marcada nas costas dele. Fez o certo mas espirrou o taco hehe. 

O Ganso foi ótimo para quem voltava de contusão, sem ritmo de jogo. As enfiadas dele toda hora colocando o (monsto!) Neymar na área já valeram a pena. Fora a participação na jogada lindíssima do primeiro gol. E o Muricy acertou de ter escalado logo de início. Se o deixa no banco e o primeiro tempo vira 0x0, ele já ia entrar com uma pressão extra sem necessidade.

O Zé Love perdeu a chance da vida dele ontem. Aquele gol perdido no finzinho seria O GOL, tanto pra fechar o caixão do Penharol quanto pra lavar a alma. O cara é gente boa, mas é bom mesmo que vá embora. O Santos se arriscou demais com ele perdendo tantas chances. E com Maikon Leite no banco...

Gostei de ter sido uma vitória absolutamente incontestável. Não deixou espaço para alguém falar que foi injusto, roubado, que o Penharol foi prejudicado, nada. 

Sonho realizado: vi o meu time ser Campeão de uma Libertadores da América. Muito feliz

Lembro de quando o Peixe estava na lama, naquela fase melancólica em que não ganhava nada.

"O Santos é time de velho."

"Pelé parou, o Santos acabou!"

"Que adianta ter duas Libertadores... você nunca viu ganhar."

Sobrou alguma dessas bobagens? Rindo a toa

O Santos teve sim muita sorte nessa Libertadores, mas provou que merecia o título. 

VALEU NEYMAR, GANSO, MURICY, AROUCA, DURVAL, DANILO, ELANO, LÉO, TODO MUNDO. ATÉ PELÉ E SEU TERNO VERMELHO. JóiaJóiaJóia

 



Categoria: Esportes
Escrito por mequinho às 11h38
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( o PEIXE ganhar o Paulistinha já deixou de ser novidade. ExiGo Libertadores, perdaum! Bêbado )


 

Está completando 1 ano que um dos maiores vocalistas de todos os tempos faleceu e, para homenageá-lo da melhor maneira possível, o Blackmore Rock Bar aqui de SP organizou um fim de semana especial.

Na sexta-feira 13/05 quem recebeu os fãs do mestre foi o Evil Eyes, excelente cover da carreira solo de Ronnie James Dio.

Eu e alguns amigos combinamos de ir na noite do sábado e conferir o Electric Funeral



 

Especializado em todas as fases do Black Sabbath, o Electric existe há mais de 20 anos e é liderado pelo baterista Vitão Bonesso, que também por décadas comanda o legendário programa de rádio Backstage.

Além de Vitão, que antes do show ficou na mesinha ao nosso lado e pudemos cumprimentar rapidamente, completam a formação atual Ricardo "Sonéca" Schevano (Baranga) no baixo, Marcelo Schevano (Carro Bomba) na guitarra e João Luiz (King Bird) no vocal. 

Todos eles músicos ótimos, mas é impossível não notar a perfeição com que Marcelo reproduz os riffs e solos de Tony Iommi.

Já o João Luiz extrapola: é como se o próprio Dio estivesse no palco. Trejeitos e cacoetes qualquer um imita, mas cantar com uma semelhança e fidelidade tão grandes que se você fechar os olhos dá para jurar que o baixinho ressuscitou, isso não é para qualquer um.

Como a noite era especial, o set foi extraído exclusivamente dos álbuns que Dio gravou com o Sabbath, ou seja de Heaven And Hell (1980), Mob Rules (1981), Dehumanizer (1992) e The Devil You Know (2009). Começou com a intro E5150 e contou com (não necessariamente nessa ordem): Turn Up The Night, Lady Evil, Children Of the Sea, Fear, Time Machine, TV Crimes, I, Atom & Evil, Falling Off The Edge Of The World e The Sign of the Southern Cross. 

Após um intervalo de cerca de 20 minutos, voltaram com Computer God, Voodoo, After All, Bibble Black, Double the Pain, Mob Rules e o encerramento com a trinca Country Girl, Heaven And Hell e Neon Knights.

Todas reproduzidas com a mais absoluta perfeição. Abismado

Já vi algumas bandas covers maravilhosas, que surpreendem pela qualidade com que conseguem reproduzir músicas consagradas e exigentes. Mas o Electric Funeral, com a formação atual e focada apenas na fase Dio, é simplesmente impressionante, não deixando qualquer espaço para se ir mais além. 

Para tocar esses clássicos de maneira melhor do que eles conseguem, só mesmo a original. Não tenho dúvida alguma disso. Jóia

 


Foo Fighters - Wasting Light

 


Escutei demais nas duas últimas semanas o novo do Foo Fightes, Wasting Light. Considero o Dave Grohl um dos caras mais bacanas do rock atual. Sem frescuras e declarações idiotas, além de ter um ótimo gosto. 

Mas não sou um GRANDE fã do seu grupo. Acho legal, bacana e de vez em quando até escuto. Mas é um som que, talvez por a gente se acostumar a ver toda hora por aí em rádios rock, clipes e etc, acabamos não dando o devido valor.

Mesmo assim, Wasting Light me surpreendeu pela qualidade. Não sou o cara mais indicado para fazer comparações neste caso, mas acredito que ele possa ser considerado pelo menos um dos melhores deles nos últimos tempos.

De tanto que é fácil de assimilar, o disco inteiro parece que foi feito se pensando em hits.

O som no geral pode ser descrito como um Hard Rock anos 90. Quem achar que é grunge, tudo bem, fique à vontade. Piscadela

Gostei muito de White Limo, A Matter of Time e These Days. 

Dear Rosemary é a minha preferida, uma baita música. 

O ex-companheiro de Nirvana, Krist Novoselic, até participa em I Should Have Known, muito boa também. 

Discaço. Jóia



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 23h13
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Que coisa constrangedora o assassinato do Hino Nacional hoje na Fórmula Indy. A Vanusa travada e xarope não faria pior. Passando mal

Lugar desse farsante é em programas tipo Faustão e Gugu, ou falando besteira para suas fanzocas no twitter.


Dream Theater - Fim da novela!

 

O Dream Theater passou do ponto no anúncio do substituto de Mike Portnoy.

Depois de tantos meses guardando segredo, precisava mesmo produzir um reality show só para isso? Tudo bem que maximizar os lucros nas expectativas dos "faz parte" do marketing, mas esse material em vídeo que eles liberaram em capítulos estaria muito bem servido como um simples bônus no próximo DVD.

De qualquer forma, não há o que temer: Mike Mangini é um excelente baterista e deve tranquilamente dar conta do recado. O álbum que eu conheço em que ele participa é o Ultra Zone, do Steve Vai, muito progressivo, genial e com partes bastante intrincadas. 

Estou otimista quanto ao que vem por aí. Sorriso


Roadie Crew Classics Series nº 2

 

Depois do ótimo especial dedicado ao ano de 1980, a Roadie Crew publica mais uma edição extra, dessa vez sobre "200 Verdadeiros Hinos do Heavy Metal & Classic Rock Que Você Tem Que Ouvir Antes de Morrer". 



 

Pelo título acho que dispensa maiores explicações sobre o conteúdo. O legal é que a seleção é de clássicos, mas não necessariamente de músicas já desgastadas de tão populares. Aquelas que nem os fãs aguentam mais ouvir, como Stairway to Heaven, Smoke on the Water, Paranoid e afins.

Ou seja, não serviria de guia de playlist para algumas rádios aqui de SP. troll

Óbvio que nenhuma lista desse tipo, totalmente subjetiva, jamais será perfeita. Falta muita coisa, naturalmente há injustiças e se percebe um certo desequilíbrio entre as bandas mencionadas. Indeciso

Pelo menos acertaram em cheio ao não cometerem o erro de outras publicações que intitulam pretensiosamente seus rankings como "as melhores de todos os tempos".

As qualidades de cada clássico são exaltadas, como que tentando te convencer a admitir sua importância ou, quem sabe, conhecer uma bela canção (ou mesmo o artista) que esteve na sua frente esses anos todos e você nunca tinha se dado conta. Como entrega o editorial: se você quisesse apresentar uma banda a um amigo, qual música escolheria para impressioná-lo?

E funciona, já que algumas das escolhidas são verdadeiras pérolas obscuras para o grande público.

Altamente recomendável para quem gosta de rock em geral, principalmente metal, hard e classic rock. Vale a pena ter ao seu lado quando você está no computador precisando de uma sugestão sobre o que comprar ou baixar. Jóia


Mr. Big - What If



 

Aproveitando que falei da Roadie Crew: na edição de abril há uma grande entrevista com o Mr. Big, que poderia tranquilamente ser a matéria de capa.

Não sabia detalhes do que havia se passado com esses caras nos últimos anos. Só que tinha ocorrido um "racha" e a banda havia entrado em recesso por tempo indeterminado. 

Felizmente, Eric Martin (vocal), Pat Torpey (bateria), Billy Sheehan (baixo) e Paul Gilbert (guitarra) apararam quaisquer arestas e aceitaram o óbvio: nenhum deles sozinho é maior que o Mr. Big (isso não foi uma piada, juro!) e era perda de tempo (e $$$) não seguirem juntos.

O que interessa é que lançaram What If ano passado. Um puta discão de Hard RockBem humorado

What If tem aquilo que todo álbum de Hard tenta, mas poucos conseguem: ser gostoso de ouvir e fácil de assimilar. Minha preferida é I Wont Get In My Way: tem como não cantar junto um refrão tão pegajoso assim? Sem contar o riff parecido com Scorpions.

A qualidade deles individualmente, como músicos, é reconhecida faz tempo, e ainda bem que conseguem traduzir seu talento em composições simples e eficientes. Como Around the World, em que Sheehan e Paul Gilbert promovem um verdadeiro duelo sem que a música tenha cara de video-aula.

As Far As I Can See, I Get The Feeling, Once Upon a Time e Undertow também não devem absolutamente nada a tudo de melhor que eles já fizeram. 

Para quem gosta das baladas há All The Way Up e Stranger In My Life, ambas passando um pouco do limite entre o que é radiofônico pela qualidade e o que é simplesmente comercial. Mas nada que comprometa.

Um dos melhores lançamentos do ano passado? Por que não? E já que o Van Halen não sai do estaleiro, por que você não dá uma chance ao Mr. Big? Convencido


Pearl Jam - Live on Ten Legs




O Pearl Jam tem vários discos ao vivo, principalmente bootlegs oficiais voltados aos fãs mais ardorosos. 

Dos realmente considerados na discografia principal, Live On Ten Legs é como o irmão mais novo de Live On Two Legs, de 1998. 

Funciona como um autêntico complemento, já que no anterior alguns dos maiores hits tinham ficado de fora, como Alive e Jeremy. Houve uma preocupação em não repetir nenhuma música entre os dois, o que é bastante louvável mesmo que ausências como as de Even Flow e Black sejam notáveis.

Na verdade, o PJ é o tipo de banda que varia muito o set list, então os fãs acabam não sentido falta dessa ou daquela música por muito tempo.

Além das mais previsíveis, há o resgate de seu famoso B-Side Yellow Ledbetter e também de State of Love And Trust, da trilha do filme Singles e que ficou eternizada no Acústico MTV em 1992. Outras antigas são Porch (de Ten, 1991), Animal e Rearviewmirror (de Vs, 1993), Spin The Black Circle (de Vitalogy, 1994) e In Hiding (de Yield, 1998).

Da fase mais recente, considerando que são quatro álbuns a partir de 2000, sete músicas dentre eles é até pouco, com destaque para I Am Mine e a belíssima Just Breathe.

Mantendo a tradição de incluir covers, dessa vez escolheram Arms Aloft do Joe Strummer e Pulic Image, do PIL. Bacaninhas mas, sinceramente, eu trocaria ambas por músicas próprias ou mesmo outros covers que eles costumam tocar. 

Um belo registro da melhor banda do famigerado grunge. Jóia

 

Uriah Heep - Into The Wild



 

Após o magnífico Wake The Sleeper, como é bom ver os velhinhos seguindo em frente. 

Ficaram dez anos sem lançar material de estúdio e agora não querem fazer os fãs aguardarem tanto assim.

Into The Wild segue o mesmo estilo do anterior, ou seja, o Uriah com os pés em 2011 mas com os olhos nos seus primeiros e gloriosos anos de carreira. Claro que é impossível emular o mesmo vigor e jovialidade daquelas tempos, mas em nenhum momento a banda soa cansada ou enfadonha.

A música escolhida para divulgação é a que inicia o álbum: Nail on the Head. Legalzinha, mas o refrão é chatinho. Detalhe que a segunda, a rápida I Can See You, corrige com sobra! Tente não ficar com a melodia na cabeça. E nela já dão as caras os elementos marcantes do Heep: backing vocals perfeitos e um curto mas distorcido solo de guitarra do grande Mick Box.

A faixa título traz o primeiro duelo entre órgão e guitarra, como nos velhos tempos. E nela o Bernie Shaw mostra mais uma vez que é um vocalista excepcional.

Outros destaques são I´m Ready, Southern Star, T-Bird Angel e a melhor de todas, Lost, com um peso típico da primeira geração do Heavy Metal.

Baladas longas e épicas são outro ponto forte do passado do Uriah, e aqui quem segue essa linha é bela Trail of Diamonds, com seus seis minutos e meio. 

Emplacando dois álbuns bem sucedidos em apenas três anos, é seguro dizer que eles vivem sua melhor fase desde os anos 70.

Chega a ser emocionante ver uma banda veteraníssima e, para muitos, já aposentada, ainda lançar trabalhos novos tão bons. Ao mesmo tempo, é uma pena que ela receba tão pouco reconhecimento hoje em dia. Sempre que surge uma discussão envolvendo bandas ou artistas injustiçados, Uriah Heep é o primeiro nome que me recordo.

Muito indicado também para quem está com saudades do som mais "britânico" do Deep Purple, o lado que eles não praticam muito na era Steve Morse, mais americanizada.

Não deixe de ouvir! Jóia


Symfonia - In Paradisum



 

Depois de falar de alguns discaços, hora de comentar uma porcaria. Insatisfeito

Symfonia é o super (super?) projeto liderado pelo guitarrista bipolar Timo Tolkki, contando com André Matos (ex-Angra) no vocal, Jari Kainulainen (ex-Stratovarius) no baixo, Mikko Härkin (ex-Sonata Arctica e Evergrey) nos teclados e Uli Kusch (ex-Helloween e Masterplan). No papel, um timaço do power metal melódico.

Mas são vários os motivos para que já nasça morto. E nem incluo nisso a cafoníssima capa, que lembra alguma abertura de novela do Hans Donner.

O primeiro se chama Timo Tolkki. Está com a carreira totalmente desnorteada após os problemas com o Stratovarius, que resultaram na continuidade do grupo sem ele (apesar de ser o fundador, caiu do cavalo). Talvez nem ele saiba o que pretende fazer. Sua tentativa anterior, com o ridículo Revolution Renaissance, foi um tremendo fiasco. Mesmo em seus últimos anos com o Stratovarius, Timo já se mostrava um músico extremamente acomodado e repetitivo, sem demonstrar os atributos de um grande guitarrista.

Problema é que o Symfonia, apesar da presença de outros veteranos do estilo, não soa como algo original ou equilibrado. É uma versão pobre do Stratovarius, com todos os clichês e cacoetes que os fãs conhecem. Não há qualquer comprometimento com originalidade ou ousadia. É exatamente o que se esperaria de ouvir de um software compositor quando solicitado para programar um álbum de metal melódico usando fórmulas e algoritimos. 

E aí vem a questão: quando você monta um time de estrelas (celebridades?), mas faz um trabalho absolutamente medíocre, baseado num estilo desgastado, o que esperar? 

Nada. O Symfonia fica restrito apenas a fãs hardcore de algum dos integrantes. Ou colecionadores. No mais, vai passar tão batido quanto qualquer outro que cometa o erro de lançar um álbum assim em pleno 2011. Desanimado

O próprio Tolkki deve estar mais interessado é no Project Strato, que reunirá a formação do álbum Dreamscape, de 1994. Aliás parece que o nome já foi até vetado, de tão evidente do que se trata. Sua vingancinha

Se você quer ouvir algo bom nesse estilo, continue com Visions, Episode ou Fourth Dimension. Ou até mesmo o Elysium, que está longe de ser excelente mas é muito melhor que essa palhaçada de Symfonia.



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 11h19
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Terminei Castlevania: Lords of Shadow.

O reboot da série, que passa uma borracha em tudo e abandona o conceito metroidvania.

A reformulação atinge também o aspecto visual, que (finalmente!) deixou para trás a influência de mangá e voltou a usar traços mais realistas. Achei muito boa essa proposta, porque o visual de anime, adotado como regra há quase 15 anos, já foi explorado ao limite.

Castlevania é um exemplo de série clássica que enfrentou dificuldades na transição para o 3D. Lamment of Innocence (2003), para PS2, até foi relativamente bem sucedido. Longe de ser perfeito, pelo menos foi um jogo decente, muito diferente daquelas aberrações que saíram para N64 e que, não fosse pelo bom e velho 2D de Symphony of the Night (1997), teriam queimado o filme da franquia para sempre, assim como aconteceu com Contra. 

Já a sequência, Curse of Darkness (2005), foi bem fraquinha, um balde de água fria. Parecia que o destino de Castlevania era ser relegado às versões 2D de consoles portáteis. Desanimado



Para ser responsável por essa guinada, no maior estilo "ou vai ou racha", foi escolhida a produtora espanhola Mercurysteam. A Konami decidiu investir pesado mesmo no jogo, contratando para a dublagem atores de renome, como Patrick Stewart (X-Men, Jornada nas Estrelas), e disponibilizando o apoio de Hideo Kojima, o genial diretor de Metal Gear Solid. 

Logo nos primeiros instantes a primeira impressão é que os produtores receberam carta branca irrestrita para imitar sem pudor outros sucessos, em tudo o que considerassem adequado e sem receio de serem acusados de plágio. Chega a ser hilário o QUANTO Lords of Shadow descaradamente copia God of War, Shadow of the Colossus e, um pouco menos, Uncharted / Prince of Persia.

Sendo que no caso de God of War até vale um desconto: é o influenciador cobrando de volta do influenciado, já que a saga de Kratos se inspirou bastante em Castlevania.

Lembro de quando jogava o primeiro e comentava "bem que a Konami poderia fazer um 3D assim". Não imaginava que chegaria a tanto! Rindo a toa

Há também algumas ligações com Lamment of Innocence, que já tinha a proposta de contar os primórdios da saga. A diferença é que Lords of Shadow não tem compromisso nenhum com a história original dos Belmont e por isso vai muito mais a fundo nas mudanças.

São doze capítulos no total, cada um com um número variado de fases. Os dois ou três primeiros são os mais fracos e cansativos, com momentos chatos em que você apanha muito nas emboscadas de alguns subchefes e seus auxiliares (que são inúmeros, com uma diversidade impressionante). A câmera é fixa e às vezes incomoda, porém os gráficos são belíssimos e alguns ângulos são muito bem escolhidos para destacar as paisagens, principalmente quando Gabriel Belmont pratica rapel.

É também nessa primeira parte que o jogo mais sofre com quedas de frames. Não sou muito de reclamar disso, mas neste caso foi bastante perceptível a instabilidade.

É um jogo muito longo, com uma média de 20 horas de duração, mais ou menos do dobro de God of War 3. No começo, realmente nem parece que se trata de um Castlevania. Mas lá pelos capítulos 4 e 5 as referências vão aumentando e, com o fortalecimento das magias e itens, a aventura vai ficando mais e mais prazerosa. A recompensa para quem supera os primeiros capítulos é muito grande, com vários momentos épicos e grandiosos.

A conclusão e o final são espetaculares. Recomendo a quem for jogar que leia todos os pergaminhos, preste atenção aos diálogos e, importantíssimo: espere os créditos acabarem, pois seu queixo vai cair. Apesar que eu já estava desconfiando... como eu disse, basta prestar atenção na história.

Será que o Kojima deu seus pitacos nessa parte? Acredito que sim!



Impossível comentar um Castlevania sem falar da trilha sonora, sempre um dos destaques. Aqui ela é muito boa, mesmo não superando as de Super Castlevania IV e Symphony of the Night, praticamente imbatíveis. Está mais para Senhor dos Anéis, sem o clima barroco ou neo-clássico que é mais comum nos anteriores. E, novamente, a nítida inspiração em God of War reaparece, dessa vez nos temas marciais usados.

Gostei muito de Lords of Shadow. É longo e desafiador. Alguns chefes são difíceis, mas tiveram o bom senso de saber incluir checkpoints e deixar as coisas mais equilibradas. Apesar que fiquei bastante irritado em algumas partes: parecia até aqueles momentos em jogos de NES quando você tinha vontade de arremessar o controle na parede (joga 15 segundos... morre... joga mais 10 segundos... morre... que raiva da musiquinha haha). Mesmo assim, os pontos positivos superam as falhas e é um daqueles jogos que você se sente extremamente recompensado ao chegar ao final.

Para a inevitável sequência, se a Konami conseguir superar alguns probleminhas e incluir mais e mais elementos clássicos (como a arma da "cruz bumerangue", as cabeças de Medusa, etc), certamente Castlevania terá voltado a ser um dos maiores. Jóia



Categoria: Games
Escrito por mequinho às 01h05
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Chegamos ao Morumbi por volta das 18h.

Havia estacionamentos cobrando extorsivos R$ 100 (e há quem pague!).

Engraçado foi a tática agressivo-cômica dos flanelinhas: um deles indicou um lugar disponível e pediu carona para nos levar até lá. Pensei "ué, como assim carona? ele tá querendo entrar aqui, tá doido?". Rá: sem pestanejar, o moleque simplesmente sentou na lateral do capô e foi se segurando até chegarmos à vaga. E interessante é que não foi só conosco, um fato inusitado e isolado: vimos outros carros também circulando com flanelinhas pendurados no capô. Parecia que estávamos em Bombain ou alguma outra cidade maluca.

O Cícero Pompeu de Toledo não estava lotado, mas longe de estar vazio. Para efeito de comparação: estava mais cheio que o Rush ano passado e menos que o Paul Mccartney, em que lotou 100%.

Nem enfrentamos filas, todo mundo do nosso setor já estava dentro quando chegamos. 

O show

A abertura em SP foi com cerca de uma hora do Cavalera Conspiracy, dos irmãos Max e Iggor, a dupla dos bons tempos do Sepultura. 

A previsão era de o Maiden iniciar sua apresentação às 9:30h mas, para surpresa geral, cerca de meia-hora antes o sistema de som já tocava Doctor Doctor, sinalizando que o show seria antecipado.

Como esperado, a intro Satellite 15 não foi tocada ao vivo, apenas com o playback acompanhando o vídeo oficial nos telões. The Final Frontier foi a que realmente deu início a tudo, com todos cantando junto o refrão.



El Dorado veio emendada à anterior, assim como no álbum. Ela é um tanto enganosa, se beneficiando da empolgação inevitável de qualquer começo de show. O baixão cavalgado dá a impressão que virá um arrasa-quarteirão, mas a verdade é que ela não tem o mesmo apelo de outras faixas rápidas do Maiden. Indeciso

The Talisman, essa sim, fez uma bela estréia. Dentre suas concorrentes diretas no Final Frontier, ou seja, Starblind e The Man Who Would Be King, provavelmente eu escolheria esta última para compor o set. Mas Talisman ficou boa e até me surpreendi com a performance do Bruce, que conseguiu mandar bem numa música que exige bastante dos seus tons altos, agudos. 

Engraçado como em sua introdução o público tentou acompanhar com palmas, porém de um modo incrivelmente errado e descompassado, ao ponto de quase atrapalhar (o já atrapalhado ) Janick Gers, que fazia o dedilhado no violão. Lá de cima eu via o povo totalmente fora do ritmo e pensava "que porra é essa?!?!". O "maestro" Bruce Dickinson corrigiu e mostrou como era o ritmo certo.

Ainda sobre as novas, Coming Home foi outra que se encaixou perfeitamente ao set, com boa receptividade. A mesma empolgação não deu as caras em When The Wild Wind Blows, o que não é nenhum demérito à música em si. Talvez seja por ela não ter refrão e nenhum momento mais rápido e pesado, como é típico nos outros épicos do Maiden. Ou por uma parte dos fãs não gostarem dela, simples assim. O que vale é que é uma música importante na obra de Steve Harris e que merece fazer parte dessa tour, ganhando um registro oficial ao vivo.

Se a turnê Flight 666 era um revival dos anos 80, a atual traz de volta alguns destaques de uma era recente. Eu realmente não esperava que Dance of Death fosse lembrada. Ainda mais com Talisman presente: ambas possuem introduções parecidas, com clima "celta" contando uma historinha. Há muitas outras que poderiam retornar: Ghost of the Navigator, que fez parte do set na pré-tour de 2010, seria minha sugestão (ou alguma que nunca teve chance, como Nomad ou Montségur). De qualquer forma, ao vivo ela funciona bem, até porque funciona como uma Fear of the Dark Part 2. 

Já com Blood Brothers e Wicker Man, nada a reclamar. Principalmente a segunda, que faz uma dobradinha excelente com The Trooper. Em meio a tantas introduções lentas e climáticas, é um alívio ouvir duas que começam com riffs acelerados em sequência.

Antes de Blood Brothers Bruce comentou que esperaram ansiosamente seis semanas para finalmente estar aqui, e que essa turnê já tinha enfrentado momentos difíceis, como o terremoto no Japão e enchentes na Austrália. Dedicou a música mais bonita de Brave New World aos fãs do mundo todo, independente da cor, etnia, etc. Ah sim, provavelmente com exceção do idiota que apontava um laser verde para o rosto do vocalista, que retribuiu com uma "dedicatória" toda especial na metade da música...

No restante, nada de novo. Um certo frescor apenas em Running Free, que desde 1996 não dava as caras por aqui, e The Evil That Men Do, que também levantou o Morumbi. A Fear of the Dark é aquela coisa: vendo o frenesi do público fica fácil entender porque ela jamais será excluída. Mesmo caso das protocolares The Number of the Beast e Hallowed Be Thy Name, obrigatórias. Na 2 Minutes to Midnight, uma das mais desgastadas, pelo menos foi gostoso ver que a tarefa de fazer aquele riff cortante voltou a ser delegada ao seu verdadeiro dono, Sr. Adrian Smith. 

Um belo show. É que a banda retorna sempre, então é natural que a exigência dos fãs aumente conforme as oportunidades de assistí-los passam a ser frequentes. O set-list poderia ser melhor? Com certeza: cada fã tem o seu set ideal na cabeça. O que importa é que a banda faz compensar o valor do ingresso. À sua maneira, claro. Jóia

Set List:

Satellite 15… The Final Frontier

El Dorado

2 Minutes to Midnight

The Talisman

Coming Home

Dance Of Death

The Trooper

The Wicker Man

Blood Brothers

When The Wild Wind Blows

The Evil That Men Do

Fear Of The Dark

Iron Maiden

Encore:

The Number Of The Beast

Hallowed By The Name

Running Free


Coming Home

Como não podia deixar de ser, como manda a tradição... nós tínhamos que nos perder depois do show. Rindo a toa

Deixamos o carro perto do Hospital São Luís. Na saída, pensamos "vamos pelo outro lado, é bobeira contornar o estádio de novo". Ok. Quando chegamos num cruzamento, falei "não é por aqui não???". Pois é: ressabiado, aceitei seguir rua acima, e o resultado foi um passeio noturno, pedestre e interminável em meio às mansões do Morumbi.

Chegamos até a um beco, uma viela cheia de matagal, um córrego imundo e um velho barbudo esquisito fazendo não sei o quê. Devia ser o Judas cuidando do seu cafundó. Passando mal

Na volta, paramos no Habib´s da Anchieta. Adivinha: um festival de camisas pretas com o Eddie. Jóia


Wikimetal - Benjamin Back


Aproveitando esse post, vou recomendar o podcast do Benjamin Back, o popular Benja, ao site Wikimetal.

Em quase uma hora de entrevista ele comenta sobre sua paixão toda especial pelo Maiden (não perdeu nenhum show deles por aqui, desde o primeiro Rock in Rio), exemplifica jogadores de futebol que curtem rock (um deles foi realmente de cair o queixo!), fala de outras bandas que ele admira (manja muito hehe), como é gostar de rock trabalhando numa rádio de música eletrônica (que saudade da verdadeira 97FM) e as ameaças lamentáveis que já recebeu nos comentários do seu blog.

Sabia que ele era, ao lado do Casagrande, um dos mais célebres jornalistas rockeiros. Só não tinha noção do quanto ele gosta e acompanha.

Um ponto interessante é que ele, que trabalha com jornalismo esportivo, tem a música como sua verdadeira PAIXÃO. Certa vez ouvi exatamente o oposto de um conhecido que estava na situação inversda: desde que passou a trabalhar na imprensa musical, sua paixão passou a ser o futebol. Bem comum isso de, depois que alguém passa a conhecer o lado mais profissional e menos glamuroso de um meio, aquele encanto e ilusão sumirem.

Você pode baixar o podcast do Benja clicando aqui.



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 22h58
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Pela evolução natural das coisas o comum seria esperar que, a essa altura da vida, David Coverdale estivesse fazendo álbuns como o deprimido Restless Heart, de 1997. 

Só que desde o bem sucedido retorno, há uns cinco anos, a vontade de fazer um som mais puxado para o auge comercial da carreira bateu forte, e aparentemente ele não está nem um pouco preocupado com críticas.

Assim como Good To Be Bad (2007), Forevermore é o bom e velho Whitesnake que todo mundo conhece. Isto é, o Whitesnake da segunda metade dos anos 80, de John Sykes e companhia. Ainda não foi dessa vez que os fãs da fase pré-Rock in Rio terão de volta aquele som mais calcado no blues do que no Hard Rock.

A não ser que você não espere um retorno aos tempos de Ready ´n Willing, vai adorar Forevermore. Do jeito como Coverdale está cantando, e com o timbre das guitarras (atualmente Doug Aldrich, ex-Dio, e Red Beach, ex-Winger e vários outros) no mesmo estilo do usado em Whitesnake (1987) e Slip of the Tongue (1989), nem parece que se passou tanto tempo.

É um ótimo disco, com momentos pesados (“arrasa-quarteirão”, como se falava) como Steal Your Heart Away, All Out of Luck, Love Will Set You Free e Dogs in the Street. Essa última é incrível como parece ser do Slip.

A tentativa Nº X de criar outra Is This Love aqui se chama, apropriadamente, Easier Said Than Done. A bela semi-acústica One Of These Days também tem apelo radiofônico, mas é melhor e acaba sendo uma das minhas preferidas, muito agradável de ouvir. E Forevermore é no maior estilo Sailing Ships.

Músicas com Love no título, deixa eu contar... são mais duas na coleção. Rindo a toa

A propósito: sábado desses fomos ao Blackmore conferir covers de Whitesnake e Rainbow. A banda se chama Snakebite e foi a mesma nas duas apresentações, com exceção apenas do baixista. O set do Whitesnake teve muitos clássicos obrigatórios (Is This Love foi limada em favor de The Deeper The Love) e algumas obscuras. E o do Rainbow foi mais curtinho, mas com tudo de mais clássico: Man on the Silver Mountain, Stargazer, Gates of Babylon, etc. Muito bom. Jóia

 

Soundgarden – Telephantasm



 

Essa coletânea saiu já há algum tempo. A edição com dois CDs dá um belo apanhado na carreira, o que é ótimo para colocá-los de volta ao mercado.

Assim como a compilação antiga, A-Sides, essa também tem Outshined, Rusty Cage, Hands All Over, Spoonman, Fell on Black Days, Black Hole Sun, My Wave, etc. Pena que a sensacional Jesus Christ Pose, a mais Heavy Metal dos caras, apareça numa versão ao vivo ruim de doer.

Outras menos famosas mas não menos interessantes são Birth Ritual, da trilha do filme Singles, e Beyond the Wheel, em que Chris Cornell se esgoela nos agudos de modo impressionante.

A música inédita, a boa e pesadona Black Rain, foi resgatada de gravações antigas e por isso mesmo soa como se ainda estivéssemos em 1992, no auge do grunge.

Semana passada veio a boa notícia: finalmente confirmaram que haverá mesmo um novo álbum. Muito bom que tanto eles quanto o Alice In Chains tenham retornado. Jóia


Stratovarius – Elysium



 

O segundo trabalho sem o Timo Tolkki enchendo o saco é melhor que o anterior. 

Produção certinha, som bastante limpo e refrãos pegajosos aos montes. As duas primeiras, Darkest Hours e Under Flaming Skies são bem assim, abrindo mão do peso em favor de uma melodia quase POP ROCK. 

Um momento em que eles se arriscam a fazer algo um pouquinho mais pesado é na cadenciada Lifetime in a Moment, que lembra as partes mais lentas da época do excelente Episode. E para quem ainda não enjoou daquelas mais aceleradas, com bumbo duplo, Event Horizon é perfeita.

A que dá título ao álbum é uma suíte com 18 minutos, composta pelo guitarrista Matias Kupiainen. Nada mal para quem está substituindo o antigo “dono” do grupo.

Por falar em Tolkki, após o pavoroso Revolution Renascence, li que ele está lançando um novo projeto chamado Symfonia, uma espécie de superbanda do metal rococó, contando com André Mattos nos vocais e ex-membros de Helloween, Sonata Arctica e do próprio Stratovarius. Juro que vou tentar ouvir pelo menos uma vez, mas acabo de ver a capa e a de Elysium, que tinha me parecido pomposa demais, se tornou até discreta... Passando mal

Elysium não tem a criatividade dos tempos de Visions, Episode e Fourth Dimension, mas talvez eles não tenham mais muito o que oferecer além do que conseguem aqui. Fica num nível intermediário, mais ou menos como acontece com Destiny. O que eu gostei é que eles não tentam ser o que não podem. O Stratovarius sempre foi uma banda boa, porém um tanto robótica, e não seria agora, quando eles precisam provar que podem seguir em frente sem o antigo líder, que eles iriam sair muito dos trilhos. Pelo menos não é como o Helloween, que tentou ser mais pesadão e acabou lançando um disco muito chato. 


Santana – Guitar Heaven



 

O Santana decidiu gravar um álbum reunindo grandes momentos de outros mestres da guitarra. Riffs ou arranjos que fizeram história. 

Metade das 14 faixas de Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics Of All Time ele escolheu a dedo, e as outras aceitou sugestões do resto da banda e do produtor.

E deste último caso é que surgiram coisas aparentemente impensáveis de se ouvir com ele, como Photograph do Def Leppard e Dance The Night Away, do Van Halen.

Ao contrário do que se poderia imaginar, e para decepção de alguns, ele optou por fazer versões bastante acessíveis. Em geral, nada de experimentalismos bizarros, aquela coisa de desconstruir as composições e aproveitar só a essência. Você escuta exatamente o que esperaria ao imaginar uma Back in Black com aquela pegada tipicamente latina do mexicano.

Gostei de Riders On the Storm (The Doors) e a melhor de todas, While My Guitar Gently Weeps (Beatles), uma das poucas que não se prende à original e ficou linda com a participação da vocalista India.Arie ao lado do violoncelo de Yo-Yo Ma. 

Little Wing (Hendrix), com Joe Cocker no vocal, também ficou legal. Sunshine of Your Love (Cream) é outra em que o estilo casou bem, talvez porque mesmo a original já tenha um certo swing na sua raiz.

Nem tudo ficou bom. Under The Bridge (Red Hot Chilipeppers) é dureza...

Vale pela curiosidade. Jóia

 

 



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 20h08
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Terminei de ler por esses dias a biografia oficial do madman.

Qualquer um sabe que o sujeito é um dos maiores malucos do Rock, mas quando você tem acesso aos inúmeros acontecimentos bizarros e absurdos que esse homem já se deparou, o fato dele ainda estar de pé fica ainda mais surpreendente.

Eu Sou Ozzy tem quase quatrocentas páginas e é daqueles que você não consegue parar de ler. Talvez por a linguagem ser em primeira pessoa e bastante coloquial, sem se preocupar com censura ou rebuscamento.

E, principalmente, por não esconder nada. Geralmente as biografias oficiais pecam por omitir ou maquiar o que é inconveniente. Cá entre nós, que graça teria a biografia de um rockeiro desses sem os escândalos? Ele sabe muito bem disso, que ninguém levaria a sério uma obra que não retratasse Ozzy Osbourne como o porra louca que sempre foi, então não se tenta glorificar o passado nem esconder momentos constrangedores ou nada edificantes.

Tanto que nisso se encontra até uma certa contradição: a riqueza de detalhes com que são descritos os acontecimentos é tão grande, que acaba não batendo muito com o que ele avisa logo no início, sobre tudo o que ele contar dali em diante ser o que restou dentro de um cérebro mais parecido com uma geléia.




O livro está dividido em duas grandes partes. A primeira vai desde a infância pobre em Aston, um distrito de Birmingham, até sua demissão do Black Sabbath, em 1979.

Sabendo quem é Ozzy Osbourne, logo nas primeiras páginas fica muito engraçado tentar visualizá-lo em seus primeiros empregos: afinador de buzinas, “removedor de vômito e tripas” num abatedouro e até... ladrão desastrado. Rindo a toa

Claro que a parte mais deliciosa para quem gosta de rock pesado acaba sendo a história do Black Sabbath, passada a limpo desde os primórdios. Alguns detalhes de bastidores são curiosos, sendo que o mais impressionante de tudo é ver como a sonoridade que deu origem ao Heavy Metal surgiu praticamente por acaso. A única pretensão era ser mais heavy que o Led Zeppellin, a maior referência de peso que eles tinham.

Por falar em Led, Robert Plant, é citado diversas vezes. Ainda sobre amizades com outros músicos famosos, num trecho interessante é explicado como ele conheceu Rick Wakeman, a partir de uma passagem engraçada envolvendo o pacato Yes durante as gravações de Sabbath Bloody Sabbath.

Sobre a célebre e indesejável atração de fãs satanistas, Ozzy conta que certa vez um grupinho deles estava enchendo o saco em frente do hotel, com velas, túnicas negras e tudo mais. Ele não teve dúvidas: chegou perto, assoprou, apagando as velas, e cantou “Parabéns a Você!”. Brincalhão

O descontrole total no uso de drogas também era crescente e atingia a todos. Num exemplo de momento bizarro, Tony Iommi estava tão chapado que cismou de tocar flauta num show. Como havia perdido a noção de espaço e a coordenação motora, posicionou o bocal do instrumento no próprio queixo e não entendia por que nenhum som saía. Rindo a toa


A banda inteira se drogava muito, porém Ozzy conseguiu passar dos limites. Para alguém ser demitido de uma entourage onde todos cheiram, fumam e bebem rotineiramente, é preciso estar muito fora de controle. E é assim que ele estava no final dos anos 70, killing yourself to live. A gota d´água foi não aparecer para uma apresentação em Nashville: após exagerar na véspera, de tão chapado foi parar num outro hotel da mesma rede Hyatt onde estava hospedado, ficando apagado por 24h. Quando acordou, às 6 da manhã do outro dia, pensou que eram 6 da tarde e foi correndo se arrumar para o show, que já tinha sido cancelado. E queimado de vez seu filme com os colegas.

A parte 2, Recomeço, vai de 1980 até os dias de hoje.

Para quem ainda tinha dúvidas, fica sacramentado oficialmente que Ozzy considera o saudoso Randy Rhoads o maior músico com quem já tocou. Nenhum outro da sua carreira solo recebe um tratamento tão carinhoso.

Nem mesmo Zakk Wilde, que o acompanhou por décadas, até bem recentemente.

E ele tem motivos plenamente justificáveis para tanto. Não fosse pela incrível inspiração e talento de Randy, que transborda genialidade em Blizzard of Ozz e Diary of a Madman, a volta por cima após o chute do Sabbath teria sido muito mais difícil e improvável. Se Sharon foi o alicerce na vida pessoal, Randy foi o cara certo na hora certa no aspecto musical.

O mérito do nosso querido biografado reside em ter feito a escolha mais certeira e decisiva de toda a sua vida. E em apenas alguns segundos de teste, quando bastaram uns dedilhados de aquecimento para que ele, pasmo com o talento do guitarrista, falasse “hey, já chega, pare... você está contratado!”.


Ozzy e Randy em 1981, na foto mais clássica da dupla.


Essa segunda parte aborda as acusações de incitação ao suicídio, as internações em clínicas de reabilitação, a tentativa de assassinato de Sharon e as reuniões com o Black Sabbath. Não poderiam faltar as bagunças com o Mottley Crue em 1984, em que as bandas competiam diariamente para ver qual fazia as piores loucuras e bizarrices, naquela que é considerada umas das turnês mais loucas da história do rock.

Claro, claro que tem o episódio em que ele mordeu um morcego. Nas nuvens

Um ponto chamativo é que os álbuns mais recentes são completamente desprezados. Não há qualquer menção aos medíocres Black Rain, Down To Earth ou Ozzmosis. Nas entrelinhas ele acaba admitindo que sua obra, a partir de um determinado momento, ficou em segundo plano perante sua própria imagem midiática.

E qual momento pontual foi este, se não em The Osbournes? É verdade que, apesar de todo o sucesso comercial de No More Tears, desde meados dos anos 80 que seus álbuns já não tinham a mesma qualidade, mas foi com o sucesso estrondoso do reality show da MTV que eles também se tornaram irrelevantes.

Apesar de ter dado muitas risadas com o programa, eu tenho saudades de quando ele ainda não tinha virado uma espécie de palhaço freak americanizado, uma figura caricata que todos gostam de ver em situações humilhantes, com uma exploração perversa de sua vida pessoal, digna dos artistas mais descartáveis e mundanos.

Ele parece ter se tocado disso quando seu filho Jackie o encostou na parede com um “pai, você acha que estão rindo com ou DE você?”. Mas já era tarde.

Existe uma linha central que percorre todo o livro: drogas e alcoolismo. A interferência da bebida e entorpecentes foi tão grande em sua vida, que seria impossível não abordar este lado como um dos mais relevantes. Apesar disso, ele garante que sua tremedeira e eventual gagueira, que o fez temer ser vítima de Mal de Parkinson, não é, como se pode pensar, uma conseqüência direta do uso indiscriminado de substâncias, sendo um fator hereditário que foi agravado, não causado pelas drogas.

De qualquer maneira, não pense que ao final de tudo ele faz um grande discurso anti-drogas ou coisa do tipo. Talvez por não querer parecer um velho hipócrita, ou por achar desnecessário, como se isso pudesse subestimar a inteligência do leitor adulto. Arrependimento verdadeiro ele demonstra a respeito das traições a sua primeira esposa, maus tratos a animais (o seu lado mais verdadeiramente lamentável) e falhas no papel de pai.

São tantas as histórias engraçadas, curiosas ou fantásticas, que é praticamente um roteiro pronto. Em vários momentos eu me peguei às gargalhadas só de imaginar o nonsense da situação.

Sei bem daquele clichê “toda vida daria um filme”, mas, pode ter certeza: o sobre Ozzy Osbourne seria mais divertido e tragicômico que o seu ou o meu.

Não deixe de ler. Jóia


Categoria: Música
Escrito por mequinho às 21h15
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Todo ano acontece de aparecer uma banda ou disco que você não espera nada e acaba sendo pego de surpresa com um belo trabalho.

Em 2010, tenho certeza que não fui o único a se surpreender com o Return to Zero, do Spiritual Beggars.Apaixonado

Na verdade é um (super) projeto europeu contando com Michael Amott e Sharlee D´Angelo, respectivamente guitarrista e baixista do Arch Enemy; Apollo Papathanasio (grego, claro) do Firewind (banda que recentemente perdeu o guitarrista Gus G. para Ozzy); Per Wiberg, do Opeth, nos teclados, e Ludwig Witt, o menos conhecido.

Existem muitas bandas fazendo esse tipo de som atualmente, o que se convencionou chamar de “stoner rock”. Que é, basicamente, classic rock com cheiro de estrada empoeirada no meio do deserto e inspirado descaradamente na primeira fase do Black Sabbath. Mas poucas já conseguiram fazer um álbum tão bom quanto este, que mistura Heavy Metal de origem com toques de psicodelia, doom, prog rock e aquela sonoridade típíca dos anos 70, que quem gosta sabe identificar na hora. O que eu gostei muito é que, em vários momentos, Apollo canta puxando BEM para o estilo do nosso saudoso Dio, o que combina demais com o festival de riffs que, evidentemente, parecem homenagens ao Tony Iommi.

Lost in Yesterday, The Chaos of Rebirth e Concrete Horizon são de fazer qualquer fã de Heaven And Hell ou Mob Rules bater cabeça na hora!

Apesar das semelhanças, o que distancia este disco do chamado “doom” é a presença de músicas mais espirituosas e nada depressivas, como We Are Free e Coming Home. Há espaço também para referências à Whitesnake, como em Believe in Me (não é baba!) e na viajante Spirit of the Wind, maravilhosa!

A última, The Road Less Travelled, é uma balada inspiradíssima nas que o Uriah Heep sabia fazer lá por 1976, com backing vocals e arranjos de órgão/piano belíssimos. Não à toa, a bonus track é a pesadíssima e obscura Time to Live, do próprio Uriah. 

Return To Zero já é o sétimo lançamento dos caras e, com certeza, o mais bem sucedido e aclamado. Um dos melhores de 2010, fácil. Se você gosta de Black Sabbath, Uriah Heep, Deep Purple, Whitesnake, Grand Funk, etc, não deixe de ouvir!


Robert Plant - Band Of Joy


Após tentar e desistir de gravar um novo trabalho com Alison Krauss (não rolou a “química” dessa vez e ambos acharam melhor não forçar a barra), Plant achou que seria legal resgatar o nome e um pouco do estilo da Band of Joy, uma das quais ele participou no começo de carreira, antes de fazer parte de um tal LED ZEPPELIN.

Deu muito certo!

Não é um álbum de Hard Rock e só é possível lembrar do Led dos seus momentos mais viajantes (e bem de leve). É basicamente blues + folk, com clima bulcólico e nostálgico. Parece até trilha de algum filme passado nos Estados Unidos lá pela década de 40 ou 50. Tampouco é um trabalho autoral, contando com versões para músicas típicas ou algumas que ele identificou como sintonizadas com a vibração que ele desejava para a Band of Joy de 2010.

Sem dúvida os grandes destaques são Silver Rider, lindíssima, e Monkey (essas duas com guitarras bem discretas lembrando o timbre de The Edge do U2); Angel Dance, com uma pitadinha de Led; The Only Sound That Matters e Harms Swift Way, duas das que mais se assemelham a trilha de filme; e Satan Your Kingdom Must Come Down, bluesão sombrio em que é impossível imagens do Mississipi não visitarem sua imaginação.

Se você está aberto a um álbum bem calmo, bonito, e nem exige que o sessentão Plant solte a voz como fazia quando tinha seus 20 e poucos anos, dê uma conferida.


Star One - Victims Of The Modern Age



Este é o segundo lançamento de estúdio do Star One, o segundo maior projeto do holandês Arjen Lucassen, mais conhecido pelo genial Ayreon.

Para o Star One Arjen reserva suas composições mais pesadas, abrindo mais espaço para experimentações no Ayreon. O primeiro álbum, intitulado, não à toa, Space Metal, tinha como temática apenas filmes e séries de ficção cientítica. Neste novo, apesar de a sonoridade ter sido mantida, cada música faz referência a um filme ou série não necessariamente espaciais:

Intro: Down the Rabbit Hole - Alice no País das Maravilhas

Digital Rain - The Matrix

Earth That Was - Firefly / Serenity

Victim of the Modern Age - Laranja Mecânica

Human See, Human Do - Planeta dos Macacos

24 Hours - Fuga de NY

Cassandra Complex - Os Doze Macacos

It's Alive, She's Alive, We're Alive - Filhos da Esperança

It All Ends Here - Blade Runner

Bonus Tracks:

As the Crow Dies - A Estrada

Two Plus Two Equals Five - 1984

Lastday - Fuga no Século XXIII

Closer to the Stars - Gattaca

Knife Edge

Mesmo sendo obras de diferentes estilos e épocas, há uma coincidência básica: mundo pós-apocalíptico, ou de um futuro sombrio, ainda que com tecnologia abundante (lembrou de 01011001 ?). Não seria nada estranho Mad Max fazer parte dessa lista.

Musicalmente, não há qualquer mudança. Alguns momentos poderiam tranquilamente estar no 01011001, como Earth That Was, enquanto outras vão na linha de Space Metal, como Cassandra Complex.

O time foi mantido e para os vocais Arjen chamou de volta os tripulantes Russell Allen, Damian Wilson, Dan Swanö e, como diria, representando a cavalaria,  Ms. Floor Jansen.

É um bom disco mas, comparando lado a lado, sinceramente achei o primeiro superior. Mais criativo. Fazendo a relação música x filme, claro que este aqui também se torna interessante. Gostei de It´s Alive (um verdadeiro show de Russell Allen) e o arranjo “maluco” da faixa-título.

As bonus tracks são do mesmo nível do tracklist normal, e a mais chamativa é Closer To The Stars, com o ex-Black Sabbath Tony Martin no vocal. Last Day eu sinceramente não entendo como ficou de fora, porque acrescentaria um pouco mais de variedade. Knife Edge é cover do Emerson, Lake And Palmer.

O Arjen vem alternando bons discos com projetos chatíssimos (Stream Of Passion, Guilty Machine). Pela tendência, infelizmente agora seria hora dele perder tempo com alguma dessas bobagens, então disco novo do Ayreon só daqui a uns 4 anos.

Em tempo: se você gostar, não deixe de assistir ao DVD Live On Earth, que já comentei aqui há um tempão. Um show inesquecível e único, com a formação do Star One reunida pela primeira vez num palco – e tocando músicas também do Ayreon. O próprio Arjen já avisou que dificilmente vai repetir a façanha de reunir esse pessoal todo novamente, devido a óbvia incompatibilidade de agendas.


Accept - Blood of the Nations


Quando o Accept anunciou que estaria de volta com um novo vocalista, praticamente ninguém viu com bons olhos.

UDO sempre foi a “cara“ da banda. Na única vez em que insistiram em seguir sem ele, com David Reece assumindo o posto de vocalista em Eat The Heat, de 1989, o resultado foi medíocre.

Aparentemente, UDO não se entende mais com os ex-colegas. A última tentativa de retorno com ele, há uns 5 anos, rendeu apenas alguns shows na Europa, em que ficou visível o relacionamento estritamente profissional. Ele tem sua banda solo já estabilizada e independe do nome “Accept”, já que pratica o mesmo estilo e usa habitualmente os principais clássicos em seus shows.

Em 2009, o guitarrista Wolf Hoffman, enjoado de seu trabalho como fotógrafo e louco para retornar ao meio musical, aceitou a sugestão de fazer uns testes sem compromisso com um tal Mark Tornillo.

Imediatamente todos perceberam que, sim, seria possível continuar. Com ou sem UDO.

Quando algumas regravações de clássicos foram divulgadas na internet, para que os fãs tivessem uma ideia de como seria o Accept renovado, o medo foi que a banda voltasse como uma paródia de si mesma, com um mero IMITADOR de UDO, tamanha a semelhança entre um e outro.

Todos os temores desapareceram quando Blood Of The Nations chegou. O Accept de sempre está de volta, com um vocalista que, quando precisa, canta igualzinho ao antigo, mas não fica com jeitão de clone ridículo.

Pandemic, No Shelter, The Abyss, Teutonic Terror e várias outras são puro Heavy Metal tradicional. Nada de tecladinhos, pedal duplo e excesso de velocidade. O estilo está preservado e até mais fiel ao auge dos anos 80 do que os álbuns da segunda fase, como Predator (1996) e Death Row (1994). 

Um grande e surpreendente sucesso para uma banda que parecia já morta e sepultada e que agora renasce, com seu “disco da volta” sendo citado em várias listas de melhores do ano.

Pessoalmente, Accept para mim é o dos anos 80, sendo que o ao vivo Staying A Life é um dos melhores que eu conheço. Não gosto nem dos discos dos anos 90 nem da carreira solo do UDO, repetitiva ao extremo. Mesmo que ache um pouco exagerado o oba-oba em cima de Blood Of The Nations – um ótimo álbum e o melhor deles em décadas, mas não antológico ou absurdamente maravilhoso, como alguns pregam – fico feliz de ver uma banda clássica retornando e fazendo sucesso.Jóia



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 16h11
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A Roadie Crew publicou uma edição especial dedicada especificamente ao ano de 1980, com detalhes e comentários sobre os álbuns e bandas que marcaram o comecinho da distante década.

Pode-se até imaginar que a escolha foi aleatória, mas basta fazer uma listinha básica para notar que foi um ano escolhido a dedo por ter sido muito acima da média:

AC/DC - Back In Black

Black Sabbath - Heaven And Hell

Iron Maiden - Iron Maiden

Judas Priest - British Steel

Motorhead - Ace of Spades

Ozzy Osbourne - Blizzard of Ozz

Que tal? Convencido

Todos álbuns antológicos e clássicos, cada um têm sua concepção contada em meio a curiosidades e um pouco do contexto histórico de suas respectivas bandas.

A parte sobre o Black Sabbath conta com uma entrevista (da época) do Tony Iommi, além de uma história bem engraçada sobre quando o Dio foi detido por dirigir embriagado.

Além desses, que recebem uma análise mais aprofundada, também são comentados:

Van Halen - Women And Children First

Scorpions - Animal Magnetism

Saxon - Wheels of Steel

Angelwitch - Angelwitch

Def Leppard - On Through the Night

Rush - Permanent Waves

 

Com destaque para uma entrevista inédita (também da época) com Eddie Van Halen, em que ele conta detalhes sobre cada música de Women And Children First, fazendo ainda alguns comentários interessantes sobre outros guitarristas.

O Led Zeppelin não lançou material novo em 1980, mas cada um dos shows da sua Tour Over Europe, que infelizmente viria a ser a última, são comentados.

Claro que a NWOBHM, a geração de bandas que renovaram (e consolidaram) o Heavy Metal, não poderia ficar de fora. Merece até uma edição específica.

Aliás, seguindo a linha editorial da revista mensal, o foco é o Heavy Rock. Portanto (e infelizmente) pelo menos duas ausências são notáveis: The Police, que já adentrava o início do auge da carreira em 1980, e U2, que estreava em estúdio com seu álbum Boy. Assim como o Queen, que lançou The Game, um de seus melhores trabalhos (não concordo que seja o último grande álbum, porque gosto muito de The Works, de 1984), apenas citado entre os "80 melhores álbuns de 1980".

Também não há muito espaço para o então decadente Rock Progressivo. Drama, o célebre único álbum do Yes sem o vocalista Jon Anderson, é citado. A exceção é o Pink Floyd, com uma matéria sobre a turnê de The Wall (e, consequentemente, sobre o péssimo relacionamento que já imperava entre Roger Waters e seus colegas de banda).

Mesmo tendo um conteúdo ótimo, essas ausências acabam comprovando como foi um ano fantástico, já que seria necessária outra edição para falar de tudo o que aconteceu no rock-pop em geral.

Sem dúvidas uma revista que qualquer fã de rock pesado ou classic rock pode comprar tranquilo. Jóia

OBS: pequena errata a respeito do Rush: Jacob´s Ladder, de Permanent Waves, fez parte do set list da turnê que promoveu Moving Pictures, mas, desde então, nunca mais retornou, ao contrário do que é afirmado na pág. 88 (Entre Nous sim, foi resgatada para uma tour recente). 

 

Portnoy - o FAIL do ano


Mas que bela merda o Portnoy foi fazer, hein?Passando mal

Quando ele saiu, imaginei que o lado mais intransigente tivesse partido da banda. Hoje, passados alguns meses, está claro que quem realmente pisou na bola foi o Sr. Malanoy.

Encheu o saco para sair. Ok, conseguiu. Foi tocar com o Avenged Sevenfold imaginando que eles ficariam permanentemente maravilhados, fascinados pela presença de tamanha divindade na banda por tempo indeterminado.

Mesmo que o combinado fosse "quebrar o galho" apenas até o final de 2010, pela reação ao saber que não desejariam contar com seus serviços em 2011 fica claro que ele foi surpreendido. Na sua visão, com certeza pediriam para que continuasse, até o ponto em que ELE tivesse que dizer "ok pessoal, foi legal a brincadeira, agora preciso mesmo ir".

Não: ele foi ESNOBADO pelo Avenged. Que, se perdeu a chance de continuar contando com um dos melhores bateristas do mundo, ao menos mostrou ter um pouco de atitude. Não  desejavam se transformar em "Avenged Sevenfold, a banda de lazer de Mike Portnoy". E, provavelmente, pouco menos de 1 ano já foi suficiente para se incomodarem com o lado "professor sabe-tudo" do cidadão.

Frustrado, o baterista postou em seu twitter um intrigante "só se pode confiar mesmo é na família", que nos dias seguintes seria desvendado como um desabafo relacionado não apenas ao caso do Avenged, mas também ao fracasso em sua tentativa de voltar imediatamente ao Dream Theater.

A mesma banda que, a apenas seis meses atrás, ele dizia que não se sentia mais feliz em estar no mesmo ambiente dos demais integrantes...

Recebendo uma resposta negativa e fria não dos ex-colegas, mas do advogado da banda, Portnoy se presenteou neste natal com a maior humilhação de toda a carreira.Embaraçado

Detalhe: em sua mensagem de desejos de boas festas o tecladista Jordan Rudess disparou: "você colhe aquilo que planta". Cruel.

É triste a situação, mas entendo perfeitamente a posição do DT. Banda grande e profissional não é assim: sai na hora que quer, volta quando quer. Existe uma série de compromissos, contratos, agendamentos e todo um staff de agregados que dependem financeiramente das decisões tomadas pelos músicos. O Dream Theater não só seguiu em frente com os planos de entrar em estúdio já em janeiro (o que, por si só, já foi o suficiente para "decepcionar" Portnoy - segundo o próprio) como já tem tudo acertado com o substituto, que está para ser anunciado oficialmente a qualquer momento (ao que se fala enquanto escrevo isso, o bom alemão Marco Minnemann). Convenhamos: seria uma falta de respeito enorme cancelar tudo agora, além de ficar parecendo jogada de marketing das mais baratas.

Sem contar que ele só pediu para voltar após sair do Avenged. Ou seja, os motivos que o levaram a deixar o DT permanecem lá, mas o orgulho ferido o fez mudar de planos repentinamente.

Importante: ao comunicar sua tentativa frustrada de retorno, quando disse "Agora a bola está com eles", nas entrelinhas ele tentava convocar os fãs a pressionarem a banda para que aceitassem seu pedido. Noutras palavras, inverter a situação, como se ele tivesse sido demitido, não tivesse saído por sua própria vontade. Incrível, mais um fail: a julgar pela repercussão nos fóruns, uma minoria atendeu ao seu "chamado", com a maior parte entendendo que ele deve sim retornar, mas não agora. Qualquer semelhança com Jânio Quadros...

 


De qualquer forma, ele está irremediavelmente desmoralizado. Com um relacionamento reconhecidamente democrático e direto com seus fãs, não soube mensurar as consequências de declarações um tanto rancorosas e sentimentalistas, que acabaram por azedar de vez o que já estava ruim. Quando finalmente retornar para onde jamais devia ter saído, ficará a cicatriz da separação: politicamente, sua voz nas decisões do grupo não será a mesma. Para sempre haverá pelo menos um álbum na discografia sem ele, com alguém tão competente quanto, que fará parte da história da banda e provavelmente terá seus próprios admiradores.

Dream Theater sem Mike Portnoy, seis meses atrás, parecia uma utopia. Agora, graças ao próprio, é uma experiência que será, na pior das hipóteses, interessante.Sorriso



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 20h23
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A primeira impressão que se tem ao ouvir é: será que está certo... tem certeza que não é o Soilwork? WTF?!?! Nas nuvens

Curiosamente, quem canta (urra!) os primeiros versos de One More Time não é Labrie e sim o baterista Peter Wildoer, sueco que já integrou o próprio Soilwork e que aqui colabora com as eventuais passagens de vocal gutural.

Mas rapidamente chega a voz indefectível do vocalista do Dream Theater, ficando fácil perceber que ele fez seu trabalho solo mais pesado. Em 2005 ele já havia surpreendido os fãs com o peso de Elements of Persuasion, e agora foi ainda mais além.

Static Impulse mistura o prog com power metal, com passagens de heavy tradicional e, por que não, pitadas do chamado melodic death. Não há muita quebradeira, as músicas são curtinhas (a maior passa raspando dos 5min), aceleradas, e tudo é muito mais direto e objetivo do que o DT vem fazendo há anos.

Lógico, alguns momentos poderiam se passar por Dream Theater. Se algum engraçadinho usar Euphoric, por exemplo, ou Just Watch Me, para falar que é a nova música deles, com certeza alguns incautos cairão facilmente na pegadinha.

Gostei de tudo. Se fosse apontar as preferidas, seriam Superstar, Mislead, Over the Edge, I Tried e a belíssima Coming Home. Aliás, o tecladista Matt Guillory mais uma vez divide a autoria de todas as composições, provando que é um parceiro e tanto.

Com toda certeza James Labrie realizou seu melhor trabalho/projeto solo. Um dos melhores que ouvi em 2010. Jóia

 

Helloween – 7 Sinners



 

Depois da bobajada que foi aquele disco ridículo de regravações, com eles soando como se o Teatro Mágico tentasse fazer metal melódico, agora o Helloween retorna com... um álbum bastante heavy metal!

Por que não estou surpreso? Em dúvida

Bem bolado: arrancam uns trocados dos otários que se dispuseram a pagar por um lixo como Unarmed, e depois lucram na tão esperada volta ao bom e velho metal. Certinho! Legal

Pena que 7 Sinners seja um trabalho muito fraquinho e medíocre. Os clichês do Helloween com Andi Deris estão todos presentes, porém sem a criatividade dos tempos de Master of The Rings, Time of the Oath, etc.

Alguns momentos são realmente ruins, como Where the Sinners Go, horrorosa, e The Smile of the Sun, baladinha do tipo deprimido mas sorrindo.

Uma que eu achei legalzinha foi a bonus track I´m Free, talvez por lembrar a fase mais tradicional deles, com som mais limpo, rápido e melódico.

Após uma breve recuperação em Gambling With the Devil, de 2007, novamente o Helloween deixa a desejar. Se 7 Sinners não chega a ser tão pavoroso quanto Rabbit Dont Come Easy e Keeper The Legacy, também está muito longe do que eles já fizeram de melhor. E quando eu quiser escutar uma versão mais pesada e “suja” deles, já tenho meu álbum para isso: o injustiçado Dark Ride, que eles tanto renegam. Mal humorado

 

Blind Guardian – At The Edge of Time



 

Aqui sim temos uma banda alemã que se mantém num bom nível. Sorriso

Quatro anos após o bom A Twist in the Myth o Blind dá um passo ainda mais firme em direção aos bons tempos dos anos 90, com seu melhor álbum desde Nightfall in Middle-Earth (1998).

O destaque mais chamativo de Edge of Time são as orquestrações, caprichadas e que ajudam e engrandecem as músicas na medida certa, sem exageros. 

Sacred World, Tanelorn (Into The Void), Road of No Release e Ride Into Obsession são muito pesadas e tradicionais. A primeira a mostrar o aguardado lado “medieval” (ou renascentista, ou folk... bah se você gosta de Blind sabe do que estou falando!) é a ótima Curse My Name. 

A que eu mais gostei é Valkyries, que parece uma síntese do Bling Guardian. Belo riff, refrão empolgante, clima épico... fan-service total.

Há outros bons momentos, como o peso old-school de A Voice in the Dark e o encerramento, com Wheel of Time, trazendo de volta as orquestrações para o primeiro plano em seus quase 9 minutos.

Certamente um álbum aprovado pelo seu público. Pode-se até não gostar do estilo, mas é impossível negar que tanto a produção, extremamente caprichada, quanto a execução em si, merecem todo reconhecimento. Jóia

 

Halford – Halford IV: Made of Metal



Depois do horripilante “álbum natalino” Winter Songs, Halford finalmente disponibilizou para os fãs o que eles esperam que ele faça: um bom disco de metal.

E eu não esperava que fosse tão bom assim! Bem humorado

A voz do metal god está perdendo a potência (naturalmente), mas aqui ele faz o que a música pede e, ainda que os agudos impressionantes e perfeitos tenham ficado na lembrança, em nenhum momento ele compromete.

Made of Metal traz novamente a bem sucedida parceria com o produtor/guitarrista Roy Z. O tracklist inteiro é excelente, com músicas que ficam na sua cabeça muito rápido. 

Interessante como cada faixa parece ter sido escolhida a dedo. Se Halford fosse um artista de singles (e estivéssemos em outra era da indústria fonográfica), ele teria várias opções para “música de trabalho”. Undisputed, Fire And Ice, Matador, Heartless, We Own The Night e várias outras ajudam a formar um puta disco de Heavy tradicional!

Hell Razor chega a emocionar de tanto que lembra o Priest dos anos 70. Till the Day I Die é meio bluesy, Twenty-Five Years a power-ballad e The Mover dá uma ideia de como seria ele cantando no Jugulator, fazendo um som mais moderno e pesado (é também o momento em que sua voz finalmente "pede água").

Muito se fala do novo do Accept mas, para mim, o melhor lançamento desse estilo, Heavy Metal puro, em 2010, é Made of Metal. Tão bom quanto Resurrection e melhor que Angel of Retribution / Nostradamus. Se for verdade que o Judas Priest irá se aposentar em breve, eu gostaria mesmo de ver a despedida se dando com um álbum tão bom quanto este. Jóia

 

 

Black Country Communion – Black Country




Os célebres supergrupos quase sempre são sinônimo de frustração ou vergonha alheia. São raros os que fazem valer a expectativa, como Chickenfoot ou Them Croocked Vultures conseguiram em 2009.

O Black Country Communion é mais um exemplo de que é possível sim juntar músicos já famosos e montar uma nova banda legal.

Os integrantes:

Vocal, baixo: Gleen Hugues, ex-Deep Purple e Trapeze

Guitarra: Joe Bonamassa, guitarrista de blues com vários trabalhos solo

Bateria: Jason Boham, filho de John Bonham (se você não sabe quem é esse cara... que bela merda hein? Insatisfeito)

Teclados: Derek Sherinian, ex-Dream Theater, Planet X e que já tocou com um monte de gente, de Kiss a Billy Idol

O álbum foi produzido por Kevin Shirley (ele mesmo, dos últimos do Iron Maiden) e traz um Hard Rock bastante swingado, com produção simples e espírito setentista.

Como era de se esperar, lampejos de Trapeze e Deep Purple aparecem aqui e acolá, como em Medusa e The Revelation In Me. Detalhe: apesar de haver um tecladista na formação, não espere ouvir duetos ou duelos entre guitarra e teclado. A participação de Derek Sherinian é discreta e, ao que parece, ele foi chamado apenas porque não queriam que fosse um Power trio. Um momento em que ele aparece mais é No Time, com um arranjo curtinho que lembra o de Kashmir.

One Last Soul é uma das grandes músicas de 2010.

Um bom disco, com o vozeirão de Hughes em plena forma e altamente recomendado a quem tem saudade de um Hardão anos 70. Jóia

Curiosidade: esse ano vi o Gleen duas vezes no programa do Ronnie Von (!) que passa aqui em SP na TV Gazeta. Já virou freguês! O Carl Palmer passou por lá também.



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 17h17
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Alguns filmes que assisti recentemente.

Into The Wild (Na Natureza Selvagem)

Into The Wild é uma adaptação do livro de mesmo nome, que relata a história verídica de Christopher McCandless, um jovem americano do início dos anos 90 que, pouco depois de se formar no colegial, deixa absolutamente tudo para trás e decide conhecer a vida de um modo diferente dos padrões.

Sem avisos ou pistas do que pretende fazer, Chris abandona repentinamente o curso na universidade, doa suas economias para uma instituição de caridade, não deixa satisfação para os pais e embarca numa viagem sem destino certo pelo interior dos Estados Unidos.



Realmente disposto a viver como aventureiro, aos poucos vai se desvinculando de todo e qualquer resquício do conforto da vida moderna. Após um deslizamento na estrada, se preocupa mais em eliminar rastros de sua passagem do que com o carro danificado, queimando os documentos e as últimas notas de dólar que ainda mantinha para alguma emergência.

Os motivos que o levam a trocar uma vida confortável e segura pela loucura de uma viagem existencialista aos poucos vão sendo explicados em cenas de flashback narradas pela sua irmã, a confidente e pessoa mais próxima de poder compreendê-lo. Basicamente, a jornada de Chris é motivada pela sua repulsa ao consumismo e à hipocrisia da sociedade moderna. Logo no início ele surpreende os pais ao ficar enfurecido quando estes tentam presenteá-lo com um carro novo como recompensa pela formatura do colegial.

Ao longo da viagem, em meio a caronas com hippies, vida como mendigo, trabalhos inusitados e fugas, ele convive e conta com a ajuda de personagens que nem desconfiam da sua verdadeira identidade de jovem universitário desaparecido. Até por isso, acabam servindo a um dos seus objetivos principais, que é o de conhecer melhor as relações humanas sem qualquer tipo de contaminação por falsidade ou oportunismo.

Ironicamente, a vida desprovida das benesses do capitalismo cobra um preço muito caro a quem ouse abandoná-lo. E fica a questão: seria ele um idealista idiota de ter embarcado nessa aventura, ou mais corajoso que qualquer um de nós, que se contenta com uma vidinha medíocre, assalariada e dentro de padrões determinados? Assista e tire suas conclusões. É um daqueles filmes que te deixam pensativo quando terminam. Indeciso



A fotografia é belíssima, aproveitando o que há de melhor na natureza do interior americano. Impossível não se elogiar também a excelente trilha sonora composta por Eddie Vedder, do Pearl Jam. Inclusive foi ela que me convenceu a assistir a este filmaço, que possui muitos admiradores, já podendo ser considerado cult.

Recomendo muito. Jóia

Dica: após assistir, pesquise sobre a vida real de Christopher. Há detalhes muito interessantes envolvendo o livro/filme, além de controvérsias. Não vou colocar aqui para evitar spoilers.


Inception (A Origem)

Agora o oposto...

Me sinto um alienígena por... er... não ter gostado de A Origem. Embaraçado

Chega a ser constrangedor, porque por aí só leio que é o novo Matrix, que é maravilhoso, etc. O crítico do Omelete foi massacrado nos comentários por não ter dado nota máxima.

Juro que assisti com a melhor das expectativas, juro que entendi sim a história (teve gente que até agora não entendeu a cena da Van caindo haha). Mas não posso mentir: achei tudo uma grande bobagem, a começar pela motivação: aquela confusão toda de camadas e mais camadas de sonhos para... implantar uma idéia que possa desestabilizar uma megacorporação?

Sinceramente... 

Há efeitos especiais muito bacanas (a cidade “dobrando” e a luta nos corredores do hotel girando) e o final é do tipo que gera discussões intermináveis. Mas isso não adianta nada se o argumento principal não me convenceu. Decepção

Tenho plena consciência que pode ser comigo o problema. Amigos meus cinéfilos, que também gostam de ficção científica, adoraram. Então, quem sou eu para decretar que é ruim, não é? Cada um que assista e tire suas conclusões. Jóia

 

Atividade Paranormal

A continuação dessa joça estreou na época do Tropa de Elite 2. Incrível, mas houve quem ficasse na dúvida sobre qual assistir.

Eu nem tinha interesse, mas como fui voto vencido, acabei assistindo ao DVD do primeiro com alguns amigos.

Se é ISSO o que fez pessoas ficarem uma semana sem dormir... o tal “filme mais assustador de todos os tempos”... o que, assim com o patético Bruxa de Blair, chegou a ser questionado sobre se era inspirado em fatos reais...

Olha, então tá feia a coisa. Já não basta o Jogos Mortais todo ano enchendo o saco, agora pelo jeito teremos também esse engodo de Atividade Paranormal em sequências anuais.

Uma das maiores enganações que já assisti. Chega a ser literalmente risível: em me diverti demais com as tentativas patéticas de se criar medo e tensão. Claro que talvez seja por eu estar cada vez mais cético, mas há um detalhe importante e que com certeza não é culpa minha: o ângulo de câmera e o timer na parte de baixo da tela avisam de onde e quando o susto poderá vir. Nossa, genial... totalmente inesperado o momento em que uma porta aberta se fecha ou se move sozinha nesse tipo de filme. Uau... Rindo a toa

Patético.

Se você é daqueles que espera assistir a Jogos Mortais 8, 9, 10, esse é um filme bom para você! Se quer terror ou suspense de verdade, não perca seu tempo com tamanha picaretagem e vá direto a Poltergeist e O Exorcista.

 

A Casa de Cera

Piorou.

Bobagem até querer comentar uma imundice dessas. Que lixo!

Chamou a atenção por ter a Paris Hilton no elenco... acho que não preciso dizer mais nada. Passando mal

OBS: não confundir com Museu de Cera, o antigo.

 

 



Categoria: Cinema
Escrito por mequinho às 00h30
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Paul McCartney – São Paulo, 22/11/2010

Meu relato sobre o showzinho meia-boca que rolou esses dias. Alegre

We Can Work It Out!

Apesar do Macca ser um dos artistas mais aguardados por mim, já tinha desencanado de ir. Com o dólar descendo a ladeira, estamos presenciando a maior inflação de shows internacionais que este país já viu (até artistas que hoje pouca gente conhece estiveram aqui, como Carl Palmer e Nick Simper), porém a ganância demonstrada na venda dos ingressos aumentou na mesma proporção. Joguei a toalha de vez quando vi todos os setores se esgotando em poucas horas.

Só na sexta, faltando dois dias para a primeira apresentação em SP, resolvi pelo menos TENTAR alguma coisa. Se não encontrasse nada, paciência.Sem jeito

Após acompanhar durante o dia as vendas informais no Orkut (e filtrando espertalhões e oportunistas de plantão), finalmente encontrei um bilhete para o setor que eu queria, a um preço justo. Combinei o acerto e sábado à tarde estava com o Paul na mão.Bêbado

The Lonnnnnng And Winding Road...

Domingo cheguei ao estádio por volta das 18h e, de cara, já me assustei com a fila quilométrica. Não chegou a ser uma aberração como a do Iron Maiden em Interlagos, mas era assustadora.

Apesar que não demorou TANTO como se previa, com as conversas ajudando a passar o tempo.

Let ´em In.

Já dentro do Morumbi, faltando cerca de 1h pra o início, foi difícil encontrar um lugar bom na pista, já lotadíssima. Os anéis e arquibancadas também estavam abarrotados, bem diferente do Rush em outubro.

Clichê falar disso neste caso, mas é chamativa demais a diversidade do público. Vi crianças de 10, 12 anos até senhores(as) de idade, de todos os estilos.

He´s Alive!



 

Aproximadamente às 21:30h as luzes se apagam, o homem sobe ao palco calmamente e acena para o público. Nada de explosões, cortina descendo, etc. Um começo de show que poderia ser considerado chocho mas que, dadas as circunstâncias, faz até sentido. Aqueles poucos segundos de silêncio, reforçados pela folk Venus And Mars, foram bons para que caísse a ficha: sim, estamos aqui, é real, veremos um show do Paul McCartney!

O set-list, de quase três horas:

Venus and Mars / Rockshow

Jet

All My Loving

Letting Go

Drive My Car

Highway

Let Me Roll It

Long and Winding Road

1985

Let Me In

My Love

I've Just Seen a Face

And I Love Her

Blackbird

Here Today

Dance Tonight

Mrs. Vanderblit

Eleanor Rigby

Something

Sing the Changes

Band on the Run

Obla Di Obla Da

Back in the USSR

I Gotta Feeling

Paperback Writer

A Day in the Life

Give Peace A Chance

Let it Be

Live and Let Die

Hey Jude

Primeiro Bis:

Day Tripper

Lady Madonna

Get Back

Segundo Bis:

Yesterday

Helter Skelter

Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band - Reprise / The End

Absolutamente monstruoso, não?Apaixonado

Dentre as 37 músicas, mais de 20 dos Beatles. Algumas incomuns, como I´ve Just Seen a Face (de Help!), I Gotta Felling (de Let it Be) e A Day in the Life (de Sgt Pepper´s), essa última emendada à Give Piece A Chance, com balões brancos soltos por todo o estádio.

Várias da época do Álbum Branco. Helter Skelter foi a mais pesada e frenética, lembrando até show de heavy metal.

Dois momentos são dedicados a homenagens aos amigos que já se foram. O primeiro é Here Today, que Paul compôs para seu primeiro álbum lançado após a morte de Lennon. Em Something, que começa com apenas Paul no violão, as imagens de George Harrison ao fundo emocionaram a todos.

Ouvir essas músicas ao vivo é como relembrar a trilha sonora da própria vida. As fundamentais Let It Be, Yesterday e Hey Jude são as mais universais nesse sentido, verdadeiros momentos de comunhão entre todos os presentes. Para mim, além delas, as que tiveram um sentimento especial foram a lindíssima The Long And Winding Road, uma das preferidas do meu pai, e os rockões Paperback Writer e Get Back.

Momento bizarro: empurra-empurra e princípio de briga durante...Hey Jude (!!!). Pior só se fosse durante Give Peace A Chance, em meio a todos aqueles balões...

A parte dedicada à carreira solo prioriza os primeiros álbuns do Wings. Além das obrigatórias Band on the Run, Live And Let Die e Jet, teve também Mrs Vandebil, que serviu direitinho para as primeiras brincadeiras com o público, e Let Me Roll It, maravilhosa com o peso do riff bastante destacado e o Morumbi inteiro cantando o refrão junto. Let´em In foi outra ansiosamente aguardada por mim.

Em My Love ele testou seu português, dizendo que era uma música para sua gatinha Linda mas que naquela noite ela era dedicada a todos os namorados.

Praticamente nada dos anos 80. Ou seja, sem as hoje consideradas bregas (injusto?) No More Lonely Lights e Ebony And Ivory. Músicas novas foram apenas três, mas todas muito boas: Highway e a excelente Sing The Changes do álbum de 2008 em que ele usa o pseudônimo Fireman, além de Dance Tonight, do ótimo Memory Almost Full (2007), tão boa que alguém perto de mim pensou ser da fase clássica do Wings.

Chega a ser cretinice imaginar mudanças num set como este, mas é uma brincadeira irresistível! Eu tentaria incluir Maybe I´m Amazed, Silly Love Songs e Flaming Pie. O show de 23/11 foi aberto com Magical Mystery Tour e eu preferia que fosse assim (teve também Got to Get You Into My Life no lugar de Drive My Car). São tantas, mas TANTAS dos Beatles que poderiam aparecer... We Can Work It Out, Penny Lane, For No One, Oh Darling, Golden Slumbers, The Fool On The Hill…

Yes, I´m Amazed.

Após a derradeira The End, todo mundo vai acordando aos pouquinhos do melhor sonho musical das suas vidas. Até mesmo aquele gênio que está a nossa frente, ainda agradecendo e acenando, parece que também está saindo do transe ao tropeçar e cair ainda no palco.

E pensar que quando ele veio ao Brasil pela primeira vez um crítico esnobe afirmou que era um exemplo de que só recebíamos artistas em final de carreira, decadentes. Será que a mala que disse isso ainda está viva? Vinte anos depois, o Paul eu tenho certeza que está... que fim de carreira é esse hein?

Performance perfeita, repertório monstruoso, público nota 10... não há o que reclamar.

"aprrendam comro se faz, manés!"

Get Back.

Mais uma vez fiquei ali pelos arredores, até que o metrô voltasse. Cheguei em casa às 7 da manhã, tomei um banho e fui trabalhar completamente arrebentado – mas realizado.Entorpecido

Se valeu a pena? Há!Piscadela




Categoria: Música
Escrito por mequinho às 11h23
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Half-Life 2, SW Force Unleashed, Uncharted

 

 

 

Finalmente terminei Half-Life 2 (aleluia!). Bêbado

Babei quando vi esse jogaço na EGS Brasil em 2004 e só agora pude apreciá-lo na íntegra.

Joguei na coletânea The Orange Box para PS3, que além de HL2 traz as expansões Episode 1 e Episode 2, o multiplayer Team Fortress e o aclamado puzzle Portal. Uma das maiores pechinchas da geração: cinco jogos pelo preço de um, sendo que só a versão original de Half Life 2 e Portal já valeriam o investimento.

Assim como o primeiro, HL2 é bastante extenso. Quando você já rodou bastante e imagina que está terminando um dos treze capítulos, às vezes não está nem na metade! O diferencial da série tem a ver com isso: classificá-lo como mero FPS (jogo de tiro em primeira pessoa) chega a ser injusto, porque as partes de tiroteio, apesar de ótimas (tanto que geraram Counter Strike), não são o maior destaque. Half-Life é um jogo inteligente, com enredo muito acima da média e fases em perfeita continuidade, muito bem “emendadas” umas às outras. Eu costumo dizer que ele é o Metal Gear Solid dos FPS.

Tecnicamente ultrapassado para 2010, o capricho nos detalhes ainda impressiona. Num momento em que se vê tantos jogos utilizando filtros cinza ou amarronzados, os gráficos bastante coloridos ganham ainda mais personalidade. A parte sonora é um espetáculo, cheia de profundidade e ambientação. Preste atenção, por exemplo, ao som dos inimigos subindo a escadaria do farol na fase Sandtraps.

E a física? Absurda, no bom sentido! Cada objeto reage de maneira própria quando é manipulado, fazendo com que você “sinta” a diferença entre quebrar um caixote de madeira e um de papelão. E a arma principal, a sensacional Gravity Gun, também utiliza conceitos básicos de peso x distância, sendo útil também para resolver alguns puzzles (e bloquear a passagem de tropas inimigas... e arremessar soldados contra as paredes... e jogar containers sobre eles... viva a Gravity Gun!).

 


 

HL2 é longo e fica difícil destacar um momento especial. Mas sempre lembrarei da fase We Don't Go To Ravenholm (a que vi em 2004), com a cidade infestada de zumbis e cujo único sobrevivente é um padre maluco abençoando as pobres almas com tiros de bazuca e granadas. Rindo a toa

Este video review demonstra bem como é o jogo e as impressões batem com as minhas.


 

Terminei também Star Wars Force Unleashed.

Odeio notas, mas se fosse obrigado a dar uma, provavelmente seria um 6,5 ou 7,0. É um bom game, sem dúvidas. O problema é que tem muitas falhas na câmera (os chamados glitches). Sabe aqueles momentos em que a tela fica uma completa zona, com tiros e espadadas frenéticos para todos os lados e você mal enxergando onde está? Às vezes fica assim.

E bugs. Difícil alguém que tenha jogado até o final e passado incólume aos travamentos. Comigo foi na metade da fase Raxus Prime, o planeta usado como lixão espacial. Após enfrentar um sub-chefe dentro de uma espécie de caverna, ao tentar sair de lá por um buraco logo à frente, não havia força Jedi que desgrudasse o pobre Starkiller da parede. Senti uma instabilidade na Força ali perto do botão reset... Mal humorado

O lado bom são as habilidades de Jedi que você vai adquirindo ao longo da história. A interação com os cenários é boa, sendo possível eliminar os inimigos de formas bastante divertidas (uma das minhas preferidas: puxar os stormtroppers contra um campo de força energizado). A história é legal e faz a ligação entre as duas trilogias.

Longe de ser perfeito, mas até que vale a pena. Estou temeroso é com a continuação: a demo é muito boa, mas pelos reviews e comentários da versão completa, parece que ela é mais curta e repetitiva... um fiasco.

Outro que terminei recentemente foi Uncharted.

Esse sim um jogaço obrigatório para quem tem PS3. Pegue o melhor de Tomb Raider, substitua o sistema de controles por um muito mais instintivo e eficiente, use como protagonista um arqueólogo Indiana Jones-like e coloque tudo isso num jogo que demonstre o real poder gráfico do console: pronto, Uncharted!

E olha que é apenas o primeiro. Ano passado a sua continuação foi mais longe ainda, sendo aclamada como melhor do ano em tudo que é lugar. A minha cópia está a caminho. Jóia



Escrito por mequinho às 23h38
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Teminei de ver a minisérie The Pacific, da HBO.

Trata-se da continuação espiritual da excelente e aclamada Band of Brothers.

 

 

Mesmo não havendo ligação direta entre os personagens, The Pacific se passa também durante Segunda Guerra Mundial, mostrando a atuação da marinha americana no Oceano Pacífico, enfrentando os kamikazes.

Todas as qualidades do Band permanecem intactas, ou seja, a realização é grandiosa, digna das melhores superproduções do gênero. Talvez porque os nomes de uns tais Steven Spielberg e Tom Hanks novamente estejam envolvidos... Em dúvida

Uma diferença que notei foi que The Pacific é ainda mais gore, mais sangrento. Principalmente nos últimos episódios, conforme as tropas vão minando a resistência japonesa.

Outro detalhe retratado é que as batalhas na região da Oceania se deram em condições ainda piores que as enfrentadas no interior da Europa. Em vez de neve ou montanhas, a marinha precisava suportar o calor escaldante das ilhas e a falta de água potável durante as missões.

São dois personagens principais, sendo cada uma das metades da série focadas num deles. O segundo pode ser resumido como “rapaz que vai para a guerra achando que não precisará matar ninguém, mas se transforma numa máquina fria de matar japs”. O olhar de estado de choque que ele faz, conforme se depara com a realidade, é usado até exageradamente.

Assim como em Band of Brothers, existem personagens secundários muito interessantes. Alguns completam seu ciclo tragicamente num único episódio. Outros permeiam e enriquecem a série até o final.

Um deles é o Sargento Basilone. Após uma ação espetacular numa batalha das mais sangrentas, é condecorado e enviado de volta aos EUA como um grande herói de guerra, participando de eventos e fazendo propaganda para o exército. O oitavo episódio é a conclusão de sua história e um dos mais emocionantes.

Outro que chamou minha atenção foi Merriell Shelton, apelidado de Snafu. Desbocado, irônico, mórbido e com olhar doentio, aparentando estar chapado 100% do tempo, é daqueles que você sabe que é “escroto”, mas que uma hora ou outra vai ser preciso alguém como ele no grupo. Rouba a cena em vários momentos.

Lembrando que os personagens são baseados em histórias verídicas dos combatentes, utilizando inclusive seus nomes reais. Pena que agora há menos velhinhos para as entrevistas (os relatos ainda aparecem antes do início de cada episódio).

Uma possibilidade legal é, depois de ver tudo, procurar na internet o que aconteceu com cada um nos anos seguintes (os créditos já fazem isso, ainda que superficialmente).

Snafu na série e o verdadeiro

Imperdível para quem gosta de filmes de guerra. Jóia

  

Tropa de Elite 2

 

Assisti ao filme brasileiro mais aguardado (e consequentemente hypado) de todos os tempos.

Se em 2007 todos fomos pegos de surpresa, agora não havia a menor dúvida que o segundo Tropa seria um fenômeno de bilheteria. Até o dia 26 último, quase 6 milhões de pessoas já haviam assistido.

E dessa vez não houve vazamento antes da estréia, porque o diretor José Padilha entregou pessoalmente as cópias aos exibidores. Claro, já circulam facilmente versões gravadas da tela do cinema (não sei que graça existe em assistir dessa maneira), mas não é possível encontrar cópias com a mesma qualidade com a qual o primeiro vazou (quase a edição final, com qualidade de DVD).

O Padilha inclusive comentou que viu, antes do lançamento, camelôs vendendo picaretagens como Tropa de Elite 2, 3, 4 e até mesmo um hilariante Capitão Nascimento Versus Predador (provavelmente usaram Predadores). Rindo a toa

Dessa vez as ações polêmicas do BOPE não são mais o foco da trama, mas apenas seu ponto de partida. O Capitão Nascimento, após ser responsabilizado pelo banho de sangue numa rebelião no presídio de segurança máxima Bangu 1, é imediatamente afastado do comando. Mas devido ao apoio maciço que recebe da população, o Governador se vê numa sinuca de bico, podendo se queimar com os eleitores. Pensando numa solução política, o nomeia como Subsecretário de Segurança do RJ.

A partir do momento em que se vê embrenhado no mar de lama dos corredores do Governo, Nascimento se dá conta que seus maiores inimigos não são os traficantes “pé de chinelo” que ele fuzilava nos morros, mas sim a corrupção dos políticos aliada à banda podre da Polícia. Aos poucos, percebe que o BOPE estava sendo usado não para resolver o problema do tráfico, mas para “limpar a área” para a instalação de um efeito colateral ainda mais perverso: as “milícias”.

Para evitar spoilers não vou entrar em detalhes, mas achei a trama mais encorpada, lembrando os grandes filmes de máfia. Há reviravoltas, tensão e uniões inesperadas.

As cenas de impacto e violência estão ainda mais fortes e chocantes. O assustador é saber que não se trata de nenhum filme de terror hollywoodiano: os momentos de violência extrema são perfeitamente plausíveis, verídicos, fazem parte do nosso dia-a-dia. E, pelo menos numa das cenas, é impossível não vibrar, pois a vontade que se sente é de estar ali, fazendo a mesmíssima coisa. Diabólico

Wagner Moura está perfeito, demonstrando muito bem a mudança que vai ocorrendo no protagonista (como ele disse, o Cap. Nascimento é um personagem shakespeariano, condenado a se ferrar na vida). Gostei muito do Adriano Garib, que faz o professor de História Fraga, que com certeza quem chegou ao ensino médio ou superior já cruzou com um (esquerdista, defensor intransigente do que se chama de Direitos Humanos e com certeza um maconheiro de primeira). André Ramiro, que retorna na pele de Mathias, também está ótimo.

Li algumas críticas ao trabalho do cantor Seu Jorge. Não concordo: ele convence em sua rápida participação especial. Jóia

Tenho que comentar também sobre o sensacional personagem Fortunato, apresentador de um programa policialesco e sensacionalista. Um híbrido de Wagner Montes, Datena e Geraldo Luís, misturando o pior dos três e garantindo alguns dos momentos engraçados (na minha sessão a platéia caiu na gargalhada).

Um filmaço, que não entendo como não será o representante brasileiro no Oscar, em vez do filme chapa-branca. Aliás, no fundo até entendo...



Categoria: Cinema
Escrito por mequinho às 15h01
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Tive o privilégio de assistir ao show do Rush aqui em São Paulo, em sua Time Machine Tour.

Depois de vários aborrecimentos durante a semana, consegui um ingresso para a pista premium e, aos trancos e barrancos, cheguei ao Morumbi faltando uns 45 minutos para o início. Pouco depois avistei o Marcel, dos bons tempos da Iron Maiden Seventh Page. Consegui chamá-lo e, coincidência em cima de coincidência: ao ouvir nosso papo, Raphael Hagi, ex-webmaster da Seventh e um dos amigos com quem eu mais converso sobre Rush, me reconheceu e pudemos acompanhar o show comentando, como costumamos fazer no MSN. Foi uma grata e agradabilíssima surpresa.

De onde eu estava, a cerca de 20 metros do palco, não era possível ver como estava a lotação no restante da pista. Já nas arquibancadas e anéis, se confirmaram as previsões de que as vendas estavam abaixo do esperado: vários setores praticamente vazios. Segundo a globo.com, o público foi de 38 mil pagantes, pouco mais da metade do show em 2002 (o de São Paulo foi o maior da história do Rush).

O bom é que isso não reflete qualquer sinal de decadência ou queda de popularidade. Basta lembrar que num espaço de cerca de 1 mês tivemos, dentre outros, Scorpions, Peter Frampton, Therion, Bon Jovi e o festival SWU (sem contar o Paul McCartney mês que vem). Independente do gosto, não há bolso que resista.

Pontualmente às 21:30h as luzes se apagaram e os telões mostraram um hilariante curta-metragem chamado “A Verdadeira História do Rush”, em que Alex representa um empresário musical obeso, Geddy o barman que o atende (com forte sotaque e parodiando as próprias origens judaicas) e Neil um policial concentrado apenas em sua cerveja. Perto deles se apresenta um trio, o Rash, com a guitarra substituída por um acordeão e tocando Spirit of Radio em vários estilos (conforme o botão da máquina do tempo é acionado), até chegar à versão normal da música, finalmente dando início ao show.

Tanto esse como o segundo vídeo, em que Geddy mais uma vez rouba a cena, agora interpretando um diretor de cinema ou TV de barbicha loira e dentes podres (e com os três tocando instrumentos trocados), são de chorar de rir. Rindo a toa

Apesar de também ter aproximadamente 3 horas, com uma pausa de 15 minutos (anúncio nos alto-falantes: “devido à idade avançada, os integrantes da banda precisam usar o banheiro”), o set-list é muito diferente do que vimos na turnê do Vapor Trails e que ficou registrado no DVD Rush In Rio.

 

 

Em 2002 apenas Caress of Steel e Hold Your Fire não tiveram nenhuma música incluída, então tivemos um verdadeiro Greatest Hits ao vivo, com a maioria dos clássicos importantes marcando presença. Dessa vez, Fly By Night, Grace Under Pressure, Roll The Bones, Test For Echo, Vapor Trails e novamente o Caress ficaram de fora. As últimas turnês fizeram com que eles se sentissem livres para montar um repertório sem qualquer necessidade de serem “democráticos” com os álbuns.

Isso foi ótimo para quem já tinha ido da outra vez, já que pôde finalmente sentir a emoção de ouvir Subdivisions (para mim a ausência mais sentida anteriormente), Time Stand Still e Stick it Out pela primeira vez.

Sobre as duas do fundo do baú que foram resgatadas, Presto e Marathon, sem dúvidas a segunda se encaixou melhor. Não que Presto seja fraca (ao vivo ganha muito mais punch), mas Marathon simplesmente é muito melhor e mais empolgante, além de ser maravilhoso poder escutá-la com a pegada que o Rush tem hoje, muito maior que na época de A Show Of Hands (1988). Acredito que ela finalmente terá o reconhecimento que merece.

BU2B e Caravan, as novas que estarão em Clockwork Angels, chamam a atenção pelo peso. A primeira ficou realmente ótima, enquanto Caravan começa legal, com sua mistura de estilos entre Counterparts e Vapor Trails, mas em certos momentos parece que falta algo a ela.

Ainda sobre BU2B (a sigla para Brought Up To Believe), ela faz parte de uma sequência muito interessante e bem pensada, que começa com Faithless (Sem Fé), segue com BU2B (Levado a Acreditar) e se encerra, não por acaso, com Freewill (Livre Arbítrio). Ou seja, três canções radicalmente diferentes, mas com uma ligação temática e lírica bastante clara. Trocando em miúdos: sem precisar ser explícito (e provavelmente medíocre), o Rush acaba passando seu ponto de vista nas entrelinhas para quem presta atenção.

Outra curiosidade foram as mudanças nos arranjos de alguns clássicos. Closer To The Heart ganhou uma parte inédita (cantada) após o solo que pegou todos de surpresa. Ela também foi precedida de um breve solo acústico de Alex, parecido com Hope de Snakes And Arrows. La Villa Strangiato, a volta no bis, também começou de maneira completamente diferente, com Geddy tocando uma paródia no teclado.

Mas o que espantou mesmo foi Working Man: quando todos esperavam aquele famoso e pesadíssimo riff a la Black Sabbath, eis que surge um início REGGAE do clássico, que some e dá lugar à versão normal da música sem qualquer aviso ou recomeço. Eu mesmo estava esperando que o riff chegaria a qualquer momento, levando o estádio abaixo e transformando a parte reggae apenas numa brincadeira ou descontração. A mudança rítmica, no modo que eles fazem, sem paradinha alguma (nem cara de “ok, vamos, peçam a música normal”), não deve ser nada fácil.

O obrigatório solo do baterista que rosna quando vê fãs por perto veio após Caravan. Impressionante como sempre, mas confesso que prefiro os das turnês anteriores.

A instrumental Leave That Thing Alone, uma das minhas preferidas, apareceu ainda no começo, o que foi estranho pois estava acostumado com ela sempre posicionada perto do fim nos sets. Sei que no fundo isso é bobagem, mas para mim ela combina mais com aqueles momentos em que o show vai chegando nas últimas músicas.

Claro que um dos maiores atrativos da Time Machine Tour é a execução do álbum Moving Pictures na íntegra. Tudo bem que quase metade dele já é presença constante nas turnês (Tom Sawyer, YYZ, Limelight), mas vai saber se teremos outra chance de ouvirmos as demais. Principalmente The Camera Eye, há muito a mais pedida pelos fãs em votações por aí. Além dela, o destaque foi Witch Hunt, com um peso impressionante vindo das pancadas do Neil e da guitarra, que estava altíssima. Gostei também do início de Vital Signs, com aquele belo efeito no sintetizador mais destacado que na versão de estúdio.

 

vídeo: www.meteleco.com

 

A empolgação do público, se já era alta até então, ficou absurda em Red Barchetta, mais uma estreante em terras brasileiras. E em YYZ, claro, foi cantada a “letra” que os brasileiros inventaram para ela. Geddy e Alex já sabiam e até davam risada, vindo para a frente do palco pular junto com os fãs.

Um detalhezinho sobre Camera Eye: no tourbook o Neil Peart é traído pela memória ao afirmar que ela nunca foi tocada ao vivo. Na verdade, foi. Poucas vezes, mas foi. Bem humorado

Difícil querer comparar o show de agora com os de oito anos atrás, quando houve toda uma “aura” alimentada pelo ineditismo e realização de um sonho, um sentimento de comoção compartilhado por milhares de fãs que esperaram a vinda da banda por décadas a fio. Impossível de se repetir o que só acontece uma vez.

O que continua inabalável é o incrível profissionalismo do trio, que em nenhum momento se deslumbra com o próprio talento, tocando com total seriedade, sem apelar para poses, exibicionismo barato, discursos rocambolescos e outros artifícios de artistas picaretas. Toda a produção caprichada do palco, os vídeos e as brincadeiras no fundo são apenas complementos: quem assiste a um show desses canadenses geniais se sente tranquilo pois o principal sempre será a qualidade do repertório e a performance, ambos incríveis.

Se em 2002 a emoção foi de constatar que o Rush realmente existia para os brasileiros, agora o prazer foi ver que eles ainda estão tão geniais, humildes e BONS quanto antes. E depois de presenciar um espetáculo de tamanha perfeição, ao chegar em casa, já com o sábado amanhecendo, eu não conseguia tirar o sorriso do rosto. Obrigado por existir, Rush. Jóia Jóia Jóia

Set:

The Spirit Of Radio
Time Stand Still
Presto
Stick it Out
Workin' Them Angels
Leave That Thing Alone
Faithless
BU2B
Freewill
Marathon
Subdivisions

Segunda Parte:
Tom Sawyer
Red Barchetta
YYZ
Limelight
The Camera Eye
Witch Hunt
Vital Signs
Caravan
Solo de Bateria
Closer to the Heart
2112 Overture
Far Cry

Bis
La Villa Strangiato
Working Man



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 01h43
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