Tropa de Elite

Com certeza este é o filme brasileiro que vai dar o que falar nos próximos meses. Aliás, vai não, já está dando o que falar, porque é assunto em tudo que é fórum e blog.

 

Merecida essa falação toda? Totalmente!

 

Tropa de Elite mostra o cotidiano do BOPE, o Batalhão de Operações Especiais, que entra em ação no RJ quando a situação nos morros foge do controle e nem a PM segura as pontas. É uma espécie de S.W.A.T. brasileira, como mostra o título do filme a elite, a nata da Polícia Militar. O protagonista e narrador da história, Capitão Nascimento, é interpretado pelo Wagner Moura, numa atuação impressionante, perfeita.

 

O personagem Capitão Nascimento é a junção de alguns policiais de verdade, e logo no início se avisa que os depoimentos aos produtores foram destruídos (por segurança, claro). Justamente por ser baseado em fatos reais que o dia-a-dia nas entranhas da Polícia ficou tão convincente, desde as ações de vida ou morte nos morros, que nós já estamos acostumados a assistir nos telejornais, até a corrupção descarada, o “arrego” que traficantes e bicheiros pagam à “banda podre” da Polícia. Uma parte legal também é a que mostra o treinamento, o curso propositalmente desumano e humilhante que se faz para chegar ao BOPE: mesmo não sendo um exemplo de ética, os policiais de tropa de elite não admitem colegas desonestos ou traíras, e só assim conseguem uma filtragem.

 

As comparações com Cidade de Deus são inevitáveis, óbvias. À primeira vista, Cidade parece ser mais profundo, mas isso acontece porque seu foco é mostrar essencialmente o ponto de vista dos marginais, sejam eles bandidos ou vítimas. Já aqui não: ao mesmo tempo em que a vida de bandido não é glamourizada, não se pega leve com as mazelas da Polícia, sobrando pra todo mundo. Pela primeira vez é mostrada a hipocrisia das classes média e alta, que ao fumarem seu “cigarrinho do diabo”, seu baseadinho inofensivo, cinicamente agem como se não fossem a raiz que financia o tráfico. Uma das mensagens mais polêmicas do filme é justamente essa: se você fuma ou cheira, pelo menos admita que pra você curtir o seu “barato”, muita criança teve a vida desgraçada. É um soco no estômago na consciência de muita gente.

 

Eu mesmo já estava achando que essa temática de favelas e violência estava cansada, virando clichê, mas Tropa de Elite prova que ainda há sim muito o que se mostrar. Se você acha que não, que “filme com favela” já encheu o saco, ou que é mais uma obra que defende o lado do bandido, pode acreditar: estará perdendo um filmaço. Problema seu.

 

Muito bom!