Pra fechar o ano, só mais três comentários curtinhos (hein?) de CDs. Depois só em 2008!
Feliz 2008 pra você!
Amorphis - Silent Waters
Depois de uma fase meio apagada, o Amorphis lançou um novo álbum que surpreende pela qualidade.
Silent Waters é como uma evolução natural do Death Metal, trazendo de volta o peso e a utilização inteligente de vocais guturais típicos do estilo, mesclados com vozes normais e melódicas de um modo bem equilibrado.
Como referência, dá para dizer que lembra um pouco os trabalhos recentes do Paradise Lost e as bandas do chamado “melodic death metal” como In Flames e Soilwork. A Servant me lembrou bastante um In Flames da fase Colony, provavelmente pelas harmonias de guitarra (guitarras dobradas), e a faixa-título parece mesmo o que o Paradise Lost tem feito recentemente.
Towards And Against é sensacional! Guitarras meio Rammstein e revezamento perfeito entre vocal gutural e normal.
Outra que chama a atenção é a acústica e épica Enigma. Se você curte sons como The Bard´s Song (Blind Guardian) ou a fase viking do Bathory, provavelmente vai curtir isso aqui. E mesmo se não curte, confira caso queira saber como se faz uma balada power-acústica de OGRO, não de moleque metido a cavaleiro da távola redonda!
Shaman também é interessante, gothic metal com uns sons indianos lá pela metade. Falando assim parece uma combinação intragável, mas não ficou esdrúxulo não, garanto.
Após The White Swan, outra com ótima mescla de vocais agressivos com melódicos, Black River, essa sim uma balada verdadeira, encerra com um trabalho lindíssimo de guitarras e violões um dos melhores álbuns do ano.
Excelente.
Epica - The Divine Conspiracy
Outro que tem melhorado e crescido é o Epica, essa ótima banda holandesa de metal sinfônico com uma mulher de vocalista principal.
A fórmula é clichê? Sem dúvida alguma, mas eles são bons. Conforme disseram em entrevista à Roadie Crew recentemente, e isso se confirma escutando o disco, optaram por seguir um caminho oposto ao de outras bandas semelhantes, que devido ao sucesso do (péssimo) Evanescence, têm ido por um lado mais comercial e “americanizado”.
The Divine Conspiracy tem sim um momento mais radiofônico: Never Enough. Mas tudo bem, não é crime nenhum colocar uma “música de trabalho” num álbum em que o restante é muito bem tocado e arranjado.
Inclusive nos reviews tem gente reclamando que o disco está excessivamente “enfeitado”, com arranjos sinfônicos em excesso. Eu não concordo, acho que são justamente esses “enfeites” que dão graça ao trabalho.
É o tipo de disco que não possui um grande destaque, que vale mais pelo conjunto. Destaque mesmo são os excelentes trabalhos de guitarra e bateria, além é claro da deslumbrante (em todos os sentidos) Simone Simons.
Aí vai um vídeo de uma música mais antiga deles. Acho bem legal essa gravação no estúdio.
Opeth - The Roundhouse Tapes
Álbum ao vivo dessa banda diferenciada, que faz uma mistura inusitada entre Death Metal e pitadinhas de Rock Progressivo.
Claro que sempre haverá controvérsia: fãs mais radicais de Prog Rock nunca aceitarão que Opeth é uma banda com tendências progressivas, e fãs da fase Death sempre dirão que não é Death Metal, que são “traidores”, etc.
A propósito: nesse sentido dá para dizer que o Opeth é o irmão mais novo do Amorphis.
O que importa é que Roundhouse Tapes é um registro ao vivo muito bem gravado, trazendo desde sons recentes, como Bleak e Ghost of Perdition, até clássicos como a longa Black Water Park, com seus quase 20 minutos.
Lembrando que o lado Death é o que prevalece de verdade aqui, então nem pense em escutar passagens prog muito relevantes, improvisos, virtuose, etc. É indicado exclusivamente para quem já conhece e se acostumou com a sonoridade dos caras.
Extremamente nostálgico e vintage, em vários momentos lembra o passagens dos Wings e outras fases da carreira, como em Only Mama Knows, que, sem exagero, parece mesmo uma gravação daquele começo de anos 70 (parece com a clássica Jet). Vintage Clothes também é assim, nostalgia pura até no título, apesar de a letra pedir para você não viver no passado.
O sujeito com certeza continua sendo um dos melhores compositores pop que esse planeta já conheceu. E beirando os 70 anos, mostra que não perdeu a manha, principalmente para baladas românticas, como na linda You Tell Me e em Gratitude, essa também dedicada a duas de suas maiores influências: Elvis Presley, para sua voz romântica, e Little Richard, que o ensinou a fazer seu tom “rasgado”.
Outro destaque é Mr. Bellamy, essa caindo naquela categorização inevitável “poderia ser dos Beatles se eles existissem hoje”. Da metade para o final o ritmo muda, é um som bem interessante. A lindíssima The End of the End, onde Paul pede que em seu funeral as pessoas fiquem alegres e contem piadas, ele disse que não quis deixar como música de encerramento por tocar num assunto triste (proximidade da morte), então dedicou essa tarefa a um rockão chamado Nod Your Head, outra que lembra os Beatles pela orquestração e vocal rasgado.
Mais uma vez citando os Beatles, porque essa é irresistível: há uma rápida virada de bateria na faixa de abertura, Dance Tonight, que é puro Ringo Starr. Quem conhece vai reconhecer facilmente.
A melhor de todas, na minha humilde opinião, é House Of Wax, a mais ousada e diferenciada. Na verdade fazendo parte de um meddley, é a mais viajante e com a melodia mais criativa do álbum. A letra é bem abstrata e a música é quase, quase progressiva. Ah, e quem disse que o vozeirão do homem tinha acabado precisa escutar urgentemente isso aqui.
Paul McCartney está acima da média dos seus companheiros de geração. Ano passado e retrasado, Bob Dylan, The Who e Stones lançaram discos OK, dignos de suas carreiras, mas nada que se compare a Memory Almost Full. E se você acha que é só “rock de tiozinho”... bah, duvido que alguém que pense assim tenha lido até aqui.
Riverside - Rapid Eye Movement
Você gosta de Tool, Pain Of Salvation ou Rammstein?
Porque são exemplos de bandas que o Riverside lembra. Prog Metal bem obscuro, sinistro, cadenciado e com jeitão de leste europeu (são da Polônia).
Melhores momentos: o começo da faixa de abertura, Beyond The Eyelids, Rainbow Box, com um arranjo daqueles que não saem mais da sua cabeça, Panic Room, a que lembra um pouco o Rammstein (e também Depeche Mode), a viagem imersiva de Through The Other Side, e Schizophrenic Prayer, ótima trilha sonora para alguma crise de paranóia.
Não tem nada a ver com Dream Theater, Symphony X, etc. Mas como eu disse, é um Prog Metal mais indicado para quem gosta das bandas que eu citei lá em cima. Se você gosta de alguma delas, principalmente o Tool e o Pain, pode experimentar sem medo. Achei interessante.
Udo - Mastercutor
Por mais que AME o Accept dos anos 80, nunca consegui curtir pra valer os trabalhos dos anos 90. Não existe muita razão para isso, é mais questão de gosto mesmo: achei álbuns como Predator musicalmente certinhos, mas sem a inspiração de antigamente.
Mesma coisa com a carreira solo do vocalista Udo: a sonoridade clássica do Accept está aqui, as guitarras continuam maravilhosamente cortantes, a cozinha ainda empolga com aquela levada de bateria típica, os backing vocals que a banda praticamente patenteou também, mas... falta alguma coisa.
Mastercutor não muda a história. Heavy Metal puro e competente, certinho, porém sem aquela criatividade que fez álbuns como Russian Roulette, Restless And Wild e Balls To The Wall se tornarem clássicos do Metal.
Os pontos altos ficam com a cadenciada One Lone Voice, Mastercutor e Master of Disaster, ambas lembrando os conterrâneos do Grave Digger, e Walker in the Dark.
Vendetta acho que expõe bem o que eu sinto: vai ótima até chegar o refrão, que é um completo fiasco...
Não é um álbum decepcionante, vergonhoso, ridículo, nada disso: apenas (e mais uma vez) nem se compara com os momentos realmente bons do baixinho alemão.
Hoje é comum bandas veteranas lançarem álbuns acústicos, sinfônicos e de versões. Dos três formatos, provavelmente o de covers é o mais perigoso, porque sempre o risco de um vexame será maior.
a capa é um prato cheio pra quem não gostar...
Quando é banda de Metal acho que o risco aumenta mais ainda, pois elas gostam de incluir covers inusitados a fim de surpreender, de mostrar como são ecléticas e ousadas(oh!). E nisso são cometidas verdadeiras barbaridades, como a All My Loving com pedal duplo do Helloween ou a pavorosa Barbara Ann do Blind Guardian.
Take Cover do Queensryche não é um vexame, mas fica no meio termo entre o aceitável e o desinteressante. Começando pelas mais “carne de vaca”: Welcome to the Machine foi desconstruída pelo uso da bateria, e aquele sintetizador maravilhoso foi substituído por guitarras dobradas. Se não fosse uma das minhas músicas preferidas do Floyd, talvez eu até gostasse mais. Neon Knights ficou ok, fazendo falta os solos do “bigode” na parte final. Innuendo perde completamente a graça sem o Freddie Mercury, e o instrumental não ajuda também. Esperava que essa ficasse ótima com o Queensryche, porque o estilo até parece um pouco com o da Empire.
Synchronicity II é a mais bem sucedida do disco, bem fiel à versão original. Red Rain também não faz feio, gostei. Bullet The Blue Sky (live) não fede nem cheira, parecendo mais uma jam do que uma versão.
O troféu de bizarrice mor fica com For The Love Of Money, hoje mais conhecida no Brasil como música de O Aprendiz. Será que o Roberto Justus demitiria o grupo ao escutar isso? Minha opinião: sei que os caras estão se divertindo tocando e tal, mas jamais compraria um CD para escutar Queensryche tocando um som como esse, em que a banda não tem a menor condição de fazer uma versão que acrescente algo ou fique interessante. Pegaria logo o da versão original e pronto.
Das restantes, os destaques positivos sem dúvida alguma ficam com For What It's Worth, num cover bastante diferente da versão do Rush (em Feedback, 2004), e Odissea, com Tate cantando em italiano. A primeira ficou muito boa, e a outra vai do gosto do fã... eu achei interessante. Take Cover é um álbum bem irregular, que eu só compraria para completar a coleção, não pela qualidade em si.
Tracklist:
Welcome to the Machine - Pink Floyd
Heaven on Their Minds - Andrew Lloyd Webber & Tim Rice
Almost Cut My Hair - Crosby, Stills, Nash, & Young
For What It's Worth - Buffalo Springfield
For the Love of Money - The O'Jays
Innuendo - Queen
Neon Knights - Black Sabbath
Synchronicity II - The Police
Red Rain - Peter Gabriel
Odissea - Carlo Marrale & Cheope
Bullet the Blue Sky (Live) - U2
Tesla - Real To Reel I e II
Opa, agora sim um exemplo de DISCAÇO de covers!
Essa excelente e injustiçada banda Hard americana dificilmente cometeria gafes na sua vez.
Somando os dois volumes, temos uma seleção ENORME e excelente de versões. O mais legal é que o álbum não parece “picotado” ou eclético em excesso, formando um conjunto sólido que soa como um álbum de verdade, não um amontoado de covers sem nenhuma ligação estilística entre si. O classic rock dos anos 60 e 70 é homenageado em peso aqui. O tracklist é tão grande que seria impossível falar de tudo. Lá vai:
Vol. I:
Space Truckin' - Deep Purple
Walk Away - James Gang
Hand Me Down World - The Guess Who
Bad Reputation - Thin Lizzy
Thank You - Led Zeppelin
I've Got A Feeling - The Beatles
Day Of The Eagle - Robin Trower
Ball Of Confusion - Temptations
Rock Bottom - UFO
Stealin' - Uriah Heep
Bell-Bottom Blues - Derek And The Dominos
Honky Tonk Woman - Rolling Stones
Dear Mr Fantasy - Traffic
Rock The Nation - Montrose
I Ain't Superstitious - Jeff Beck Group
Children's Heritage - Bloodrock
Cotton Fields - Creedence Clearwater Revival
Vol. II:
All The Young Dudes - Mott The Hoople
Make It Last - Montrose
Shooting Star - Bad Company
Not Fragile - Bachman - Turner Overdrive
Street Fighting Man - Rolling Stones
Is It My Body - Alice Cooper
Do You Feel Like We Do - Peter Frampton
Beer Drinkers And Hell Raisers - ZZ Top
Seasons Of Wither - Aerosmith
Saturday Night Special - Lynyrd Skynyrd
War Pigs - Black Sabbath
The Ocean - Led Zeppelin
Love In Vain - Rolling Stones
Run, Run, Run - Jo Jo Gunne
Se tivesse que escolher umas 5 pra recomendar, seriam essas: Shooting Star (tem que ser muito ruim pra fazer um cover ruim desse som maravilhoso!), Walk Away, Thank You, Bad Reputation e Saturday Night Special.
Gosta de Classic Rock, Hard Rock e Metal dos 70? Curte as bandas acima? Não deixe de conferir.
Rush no Brasil, Iced Earth, Iron Maiden, Ayreon, etc
Rush no Brasil
Segundo o blog Rush is a Band, a tour de 2008 do Snakes And Arrows passará por aqui, de acordo com uma lista não-oficial dos locais previstos:
“Estadio do Maracana - Rio de Janiero, BRAZIL Estadio do Morumbi - Sao Paulo , BRAZIL Castelao - Fortaleza, BRAZIL Estadio Beira-Rio - Porto Alegre, BRAZIL”
Por enquanto nada de datas.
Será que o Maraca dessa vez não seria grande demais não? Até porque, segundo a lista, o show passaria também por Chile, Argentina e Peru... sem contar essa suposta quarta data brasileira nem Fortaleza, que diminuiria a quantidade de gente disposta a “descer” até o sudeste...
Mas quem se importa? Importante é que venham logo!
Matt Barlow de volta ao Iced Earth
Fala sério, algum bidú desconfiava, a essa altura do campeonato, que o Ripper seria chutado do Iced e que o Matt Barlow voltaria?
Apesar de positiva, essa reviravolta chega a ser bizarra, pois a banda acaba de lançar seu álbum novo, e nunca se esperaria um retorno do Matt agora.
Se você não é fã do Iced Earth, pra resumir a história: o Matt foi vocalista dos melhores momentos da banda, e lá por 2003, segundo ele motivado pelo 11/09, abandonou completamente a carreira musical para trabalhar na Polícia de Georgetown. Foi impressionante a transformação, repare:
antes depois
Mas recentemente ele surpreendeu anunciando que participaria do Pyramaze, uma desconhecida banda dinamarquesa (!), o que deve ter sido o sinal de “hey, olha eu aqui outra vez” pro John Schaffer, o dono do Iced Earth, chamá-lo de volta.
Já estava acostumando com o Ripper Owens na banda. No primeiro álbum deu a impressão em todas as músicas que estava faltando a voz do Matt ali, como se fosse um fantasma, mas no Framing Armageddon isso tinha começado a melhorar.
Para o bem ou para o mal, é incrível como o Schaffer adora trocar os integrantes de maneira abrupta. Daqui a pouco ele estará dando uma entrevista assim: "estamos lançando nosso novo álbum, que conta com nosso novo baixista, o Jack. Ah, o quê? Ops, valeu Jack, passa lá no R.H. pra acertar suas contas, até mais. Bem, desculpe, esse aqui é nosso novo novo baixista, o John, e na verdade já estamos entrando em estúdio novamente."
De qualquer forma, deve ser bom para a banda, pois o Matt é um excelente vocalista e ficou marcado como “O” vocal do Iced Earth, por mais fantástico que Ripper seja. Tenho pena dele, pois é a segunda vez que ele substitui um ícone e é chutado após dois álbuns... o caminho deve ser o mesmo de Jorn Lande: carreira solo, ou um projeto em que ele não corra mais esse risco.
Para todos os detalhes sobre essa notícia, recomendo o Brazil Under Ice.
Maiden: confusão à vista
Está sendo criado um clima de confronto de torcida organizada para os shows do Maiden em março próximo, com direito a brigas agendadas via Orkut e tudo mais. Infelizmente uns cabecinhas estão prometendo invadir o setor de Pista Especial. Já tô até vendo: objetos voando, xingamentos, ameaças, socos, os seguranças descendo o cacete... lamentável.
Assim como também acho lamentável essa filosofia de pista especial. Gostava mais de quando quem chegava mais cedo merecidamente ia pra perto da grade. Simples, menos abusivo e mais condizente com um show de Rock.
Mas daí a fazer bagunça, tirar o direito de quem pagou por um lugar melhor, isso é babaca demais e denigre a imagem do fã.
Ayreon novo
Ouvindo muito o 01011001, um dos álbuns que eu mais esperei esse ano. E preciso escutar mais pra concluir se valeu toda essa expectativa...
Oficialmente só sai em janeiro, mas o trailer é bem legal hein (o trecho é da música Unnatural Selection):
Ayreon rox!
Etc
Devido a motivos técnico-oculares, este humilde blog deve se transformar num blog quase que totalmente sobre música durante mais algumas semanas.
Dois álbuns novos de Hard Rock, bem diferentes entre si.
Pink Cream 69 - In10sity
O Pink Cream 69 faz um Hard ao mesmo tempo classudo e pesado, transitando entre o AOR e o Metal.
parece aquelas capas de caderno de 25 anos atrás, com robôs, andróides e naves! a do Cult com certeza é melhor que esse lixo, quer ver...
Seu grande diferencial é o excelente vocalista David Readman, que tem uma ótima voz pendendo mais para o grave, não soando irritantemente afetado como em tantas bandas semelhantes.
E também a produção se destaca, sempre perfeitinha. Vantagem extra para uma banda em que o baixista, Dennis Ward, também é um renomado produtor.
Esse In10sity (intensity, se você ainda não sacou) não traz novidade nenhuma: é no mesmo estilo tradicional dos caras, com um som bem veloz, “pra cima”, muito bem gravado e com ótimos refrãos.
O álbum inteiro segue um mesmo direcionamento, não existe muita variação entre as músicas. As que se destacam mais, na minha opinião: a quase Power Metal Children of the Dawn; Crossfire, que me lembrou o Hard swingado do Talisman; a ótima The Hour of Freedom, arrastada e com um clima meio Queensryche / Malmsteen; e a faixa bônus My Darkest Hour.
Hard europeu de primeira. Quem já gosta, com certeza vai continuar gostando.
Se você acha que Hard Rock é aquela farofada poser e imunda dos anos 80, conheça o Pink Cream 69 e se surpreenda.
The Cult - Born Into This
Onde houver um prêmio para “a volta do ano”, o The Cult merece pelo menos uma citação (concorrer com Police ou Led é covardia, não vale).
xiii... será que faltou grana? ou seria uma referência a terem nascido na pobreza?
Esqueça os anos 90, esqueça as outras tentativas de volta, esqueça que o Ian Astbury cantou naquele, er, cover oficial do The Doors até dois anos atrás. Esse Born Into This é o verdadeiro retorno daquela banda que fez os clássicos Sonic Temple e Electric.
Apesar de os dois cabeças e membros originais, o vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy, serem ingleses, a guinada para o Hard Rock após alguns álbuns deixou a banda com cara de USA, com clima de estrada no meio do deserto no Texas. E mesmo com a incrível semelhança dos riffs com AC/DC e Rolling Stones, os caras conseguiram criar um som bastante criativo, soltando hit atrás de hit no fim dos 80.
Born Into This não tem nenhum riff que chupinhe descarada e deliciosamente Start Me Up, mas apesar de um pouco de modernidade (leia-se: influência de rock alternativo e eletrônico), basicamente é o bom e velho The Cult, bastante inspirado.
A faixa-título até assusta no comecinho, mas é só chegar o refrão e pronto, você não fica mais com dúvidas sobre o que está tocando. Citizens é o Cult mais tradiconal, mais anos 80, com jeitão de hit garantido. Muito legal. Illuminated também parece saída direto do Sonic Temple, muito boa!
Diamonds e a dançante (calma!) Dirty Little Rock Star têm linhas de baixo bem moderninhas e em primeiro plano. A segunda tem uma levada dançante, pode ser que alguns fãs a rejeitem, mas o riffão lá no fundo segura as pontas. Eu odeio dançar, e gostei!
Em Holy Mountain o Ian faz uma homenagem a Johnny Cash, cantando igualzinho a ele na primeira estrofe. Balada linda mesmo, com clima nostálgico de bailinho de formatura americano. I Assassin começa com um riff cortante ALTÍSSIMO. Se você é como eu, adora guitarras ALTAS liderando a música, vai adorar.
A cadenciada Tiger in The Sun é o melhor momento de Ian e provavelmente a melhor do álbum também. Já entra para os clássicos da banda fácil fácil.
A, como se diria antigamente, arrasa-quarteirãoSound of Destruction encerra tudo sem deixar dúvidas que o The Cult está de volta pra valer.
Não bastasse todo o alvoroço e repercussão que envolvem a chegada de um megaton chamado Street Fighter 4, na última semana outros acontecimentos curiosos acabaram aumentando ainda mais o falatório em cima do jogo.
A revista americana EGM e sua versão online, o 1up.com, divulgaram que na próxima edição impressa a revista traria, em primeira-mão, todos os detalhes do jogo, com fotos e até primeiras impressões sobre a jogabilidade. Ou seja, um furo de reportagem daqueles!
A única foto que poderia ser divulgada até a revista chegar às bancas seria essa:
Legal né? O cenário da Chun-Li em 3D e tal, confirmando a opção da Capcom por cenários 3D e jogabilidade tradicional em 2D (ufa!). Ken, Ryu, Dhalsim e Chun-Li são os confirmados até agora.
Até aí, tudo bem.
Acontece que, num pequeno blog brasileiro, do nada, apareceram outras duas fotos extras de SF4, além de detalhes inéditos sobre personagens e sistema de luta. Segundo o autor do blog, “uma fonte secreta” forneceu as fotos e as informações.
Em fóruns internacionais especializados cheguei a ler algo como “essas outras fotos só podem ser fake! como que um blog brasileiro conseguiria essas informações antes da EGM???”.
Mas... quem é o autor do blog? Douglas Pereira, colaborador freelancer da EGM Brasil.
Pronto, a merda estava feita haha!
Tanto as fotos que ele postou, quanto as informações, eram exclusivas da EGM USA, e colocando tudo no ar ele jogou um pouco de água no chopp da própria empresa a qual presta serviços!
Claro que as represálias (ameaças) não demoraram a surgir, e logo o blog saiu temporariamente do ar.
Alguns sites publicaram artigos em defesa de Douglas, criticando duramente a suposta censura imposta pela gigante EGM contra um humilde blog brasileiro.
Dan Hsu, Editor Chefe da EGM USA, afirma ter provas (logs) de que Douglas entrou sem autorização na rede FTP da EGM e roubou o conteúdo. Douglas se defende, dizendo que não invadiu nada, que teve uma fonte que repassou as informações.
Até agora a situação está nessa. Se a EGM tiver razão, e portanto não existir fonte nenhuma conforme Douglas alega, a burrice foi imensa, porque depois dos 15 minutos de fama o que restará será a imagem de um profissional pouco confiável.
Se ele tem tanta segurança quando fala em fonte, acho que devia revelar logo quem se trata e assim pelo menos desmontar a acusação do Dan Hsu. Já que ele não pisa mais mesmo no escritório da EGM, o máximo que tem a perder é a amizade dessa fonte. Até porque, se ela também preza pela amizade do Douglas, vai ser macho e vir a público admitir “FUI EU!”.
Sexta eu e um chapa fomos até Sto. André na hora do almoço comprar os ingressos pro Maiden. De manhã já estava quase sem conseguir trabalhar direito com medo de ficar sem ingresso, ainda mais depois que entrei no site da Ticketmaster e não constava mais nada.
Queria ir na pista especial, claro, mas além de já ter esgotado a facada é alta demais sem carteirinha.
Agora é só aguardar esse show histórico.
The Police
Hoje a Globo vai passar alguns momentos do show de ontem no Maracanã.
Quem se importa: também hoje já deve ter um torresmo circulando por aí com o show completo e em qualidade de DVD.
O Police é tão legal que até eu, que detesto reggae, gosto. É o Rush do Pop Rock. É o progressivo do pós-punk. É a banda punk com os melhores músicos do estilo.
Não é tudo que eu gosto, pra falar a verdade. Mas pelo menos no que diz respeito aos hits, aos clássicos mais conhecidos, é de tirar o chapéu hein:
Message in a Bottle
Roxanne
So Lonely
Walking On The Moon
Truth Hits Everybody
Dont Stand So Close to Me
Dont Stand So Close to Me 86
De Do Do Do, De Da Da Da
Spirits In The Material World
Every Little Thing She Does Is Magic
Invisible Sun
Omegaman
Secret Journey
Synchronicity I (se o Yes fosse pós-punk no 90125, seria isso aqui!)
Synchronicity II
King Of Pain
Murder By Numbers
Wrapped Around Your Finger
Every Breath You Take
Demais. Nuns 5 anos de carreira produzir tudo isso de hits com qualidade é algo fora de série.
Pena que os três sejam temperamentais e dificilmente gravem algo novo após essa turnê de reunião. Ontem ouvi que o baterista Stewart Copeland uma vez quebrou duas costelas do Sting numa briga... fala sério, nem entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore chegou a tal ponto haha!
Já que meu exílio ocular (lol) dura mais alguns dias, não tenho assistido a praticamente mais nada. Esses foram os últimos filmes que eu vi:
Perfume: A História de Um Assassino - lançado em 2006, é adaptação de um romance alemão dos anos 80, por muito tempo considerado “inadaptável!”, inclusive por um mestre do naipe de Stanley Kubrick!
Jean-Baptiste Grenouille é um francês miserável, que nasce na imunda Paris do Século XVIII, pouco antes da revolução, com uma característica interessante: seu olfato é fenomenal, sendo ele capaz de perceber e decorar os cheiros e aromas de qualquer objeto ou ser vivo, e à distância ainda por cima. Só há uma exceção: seu próprio cheiro, que ele não consegue sentir.
Criado num orfanato no subúrbio, já adulto ele retorna pela primeira vez à Paris, onde desenvolve uma obsessão pela busca do “aroma perfeito”.
Quem for assistir tem que estar ciente de um detalhe importante: é um filme surrealista, não de serial killer, de investigação policial, e a conclusão pode decepcionar bastante quem espera por algo mais “certinho”.
Eu gostei. Grenouille é o típico protagonista que você sabe que está errado, que é o vilão, mas que é tão diferente e fascinante que você acaba torcendo por ele.
O Dustin Hoffman faz uma ótima participação, e está tão convincente que eu só percebi que era ele ao ler os créditos.
Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes - esse é do final dos anos 90, do diretor Guy Ritchie, e é indicado para o mesmo público que curte o Quentin Tarantino.
Em Londres, quatro jovens metidos a gangsters tomam uma enorme rasteira num jogo de cartas para o chefão local, e recebem um prazo de uma semana para pagar a aposta. Para arranjar o dinheiro eles acabam tentando dar um golpe numa outra quadrilha, que por sua vez também está armando para cima de outra. O resultado, como diriam as chamadas da Sessão Da Tarde, é muita confusão!
Confusão até demais: fica difícil entender o que se passa nos primeiros 15 ou 20 minutos, porque são muitos personagens aparecendo, sempre em cortes rápidos, e todos parecidos. Só depois mesmo do golpe no jogo de cartas que vai ficando divertido e mais fácil de entender.
Não é nenhum Pulp Fiction ou Cães de Aluguel, mas é divertido. E nem é um filme sério de mafiosos e bandidos: esttá mais para paródia alternativa de filme de gangsters, em que o tom cômico e o humor negro estão sempre presentes.
Se você gosta do Tarantino, recomendo.
Em Busca Da Felicidade - opa, até que enfim um filme normal!
Esse é do tipo “lição de vida”, daqueles que professores e palestristas sempre poderão usar quando o tema for motivação e superação.
Will Smith interpreta um vendedor fracassado no começo dos anos 80. Ele vende um apenas um tipo de equipamento odontológico, que adquiriu um lote inteiro e precisa vender pelo menos uma unidade por mês para sustentar o filho pequeno. O produto praticamente não tem mercado, e a situação vai piorando cada vez mais em casa, com o aluguel, as contas, as multas, o relacionamento com a esposa, etc.
A história, claro, é sobre como ele tenta melhorar isso tudo.
Chega a tal ponto, na metade do filme, que você não sabe de onde vem tanta criatividade para sujeitar um personagem a tantas humilhações e provações consecutivas. Sabe aquela expressão “o fundo do poço”? É por aí, quando o cara parece que não tem mais como sair do buraco, quando perde até o buraco.
Na verdade o roteiro é baseado numa história real, e as dificuldades que ele enfrenta até que não são maiores que as de muitos brasileiros.
Se você gosta desse tipo de história “lição de vida”, ou filmes como Kramer Vs Kramer, que mostram o drama de um pai cheio de problemas tendo que se virar com seu filho pequeno, não deixe de ver. É clichê, mas não deixa de ser emocionante.
E a parte da entrevista de emprego é divertidíssima.