Lost - Quarta Temporada

Sexta passada assisti ao oitavo e último episódio da primeira parte da quarta temporada do Lost. Deu pra entender ou posso tentar ser mais complicado?

 

SPOILERS!!! Marque o texto só se já assistiu também.

  

Essa temporada está oferecendo mais respostas do que novas dúvidas. Agora já sabemos que são apenas seis os sobreviventes que sairão oficialmente da ilha, os chamados Oceanic 6. Incluindo aí o filho da Claire, adotado por... Kate(!), numa das maiores pegadinhas de toda a série. Será que a Claire ficará presa na ilha? Porque, se morresse, o sacrifício do Charlie não seria compensado por completo, com ela e a filha saindo da ilha.

 

Pegadinha maior ainda foi o da Sun / Jin, no ep. 7. Ninguém seria capaz de imaginar aquele desfecho. Havia uma grande expectativa com relação a esse episódio, pois o ator que faz o Hurley adiantara que ele teria uma morte, e de uma maneira bem diferente. Verdade.

 

As teorias que abordam viagem no tempo como explicação para os fenômenos da ilha vão se concretizando cada vez mais. Já se confirmou que existe uma diferença na passagem de tempo entre ela e o resto do planeta, e que há uma espécie de barreira que torna a ilha quase inatingível e invisível, deixando os sobreviventes literalmente perdidos e isolados.

 

Gostei da volta do Michael, e acho que uma das explicações para ele não conseguir se suicidar tenha a ver com o paradoxo do tempo, aquele sobre você não ter como voltar no tempo e matar seu próprio avô durante a infância dele, porque se fizesse isso você obviamente não nasceria. Recentemente a revista Galileu abordou esse tema.

 

A temporada está ótima. Tirando o episódio 6, com a Juliet, todos os outros foram ótimos. Talvez a maior dúvida levantada neste momento seja sobre quem é o verdadeiro vilão da série: Ben, que continua um personagem fantástico, ou Charles Widmore, sobre o qual ainda sabemos pouco.

 

Daqui até 2010 quem está acompanhando simplesmente não tem mais como deixar de assistir.

 

 

Onde Os Fracos Não Têm Vez

 

O ganhador do Oscar 2008 não é um “ganhador de Oscar” convencional, típico. Por exemplo, não tem trilha e o clímax é mostrado de maneira diferente, em segundo plano. Um amigo meu chegou a reclamar “pô que filme é esse que nem tem final?!?!”.

 

Na verdade ele tem sim, apenas é diferente. É um daqueles filmes que depois de vinte ou trinta anos ainda geram discussões filosóficas sobre qual seu real significado, qual a mensagem que ele passa.

 

A história é sobre um caçador do Texas que se mete numa fria ao encontrar uma maleta cheia de grana no meio do deserto. Ele passa a ser perseguido não por um mero gangster ou traficante, mas justo por um psicopata, numa interpretação sensacional de Javier Bardem, que levou o Oscar de melhor ator coadjuvante. O seu vilão Anton com certeza vai ficar na história do cinema, não só pela atuação magnífica mas também pelo seu método de matar, sua arma inusitada...

 

Tommy Lee Jones é um xerife velho e desanimado, às vésperas da aposentadoria, quase patético, que praticamente apenas assiste à caçada e se sente impotente.

 

É como se fosse um faroeste passado nos anos 80, misturado com algum filme do Tarantino e Stanley Kubrick. Como eu disse, o clímax, o momento mais aguardado, é surpreendentemente jogado para segundo plano, e você como espectador pensa ter perdido o melhor da festa. Na verdade é como se o grande confronto entre os personagens principais tivesse ocorrido algumas cenas antes, na forma de um diálogo franco, e o encontro entre os dois pudesse ficar na imaginação de quem assiste, na visão do coitado do xerife que sempre chega quando tudo já acabou.

 

Com certeza é um filme que muita gente não vai gostar. É diferenciado, tem diálogos que são difíceis de se ligar com o restante da história na primeira vez que se assiste, e é daqueles que ao final você fica pensativo. Eu adorei, mas quero assistí-lo mais vezes não por isso, mas para entendê-lo melhor.

 

Sangue Negro

 

Depois assisti a Sangue Negro, indicado ao Oscar 2008.

 

A história se passa no começo do Séc. XX e é sobre um empresário de poços de petróleo que recebe a visita de um pastor que lhe dá a dica sobre uma região onde ele pode instalar um novo poço. O petróleo, o tal “sangue negro”, na verdade é mais um pano de fundo para os conflitos entre o empresário, seu filho e o pastor.

 

Outro filme sem cara de Hollywood: é longo, bastante arrastado e com mais diálogos do que história propriamente dita. Não espere um grande épico sobre a fundação, auge e decadência de um império petroleiro, não é nada disso. E apesar do título nem é uma crítica à obsessão pelo “sangue negro”, algo do tipo “vejam o que custou essa busca desenfreada pelo petróleo!!!”. Na minha visão, fossem batatas ou minério de ferro, o protagonista agiria do mesmo modo, viveria os mesmos conflitos.

 

Infelizmente as legendas de quando eu assisti estavam ruins, e algumas cenas eu tive que assistir de novo para entender. Quando tiver uma chance, assisto novamente. De qualquer maneira, Onde Os Fracos Não Têm Vez me pareceu muito melhor.

 

Juno

 

Depois dessas duas pedreiras, filmes “pesados”, foi muito bom ter assistido à comédia Juno, que também concorreu ao Oscar.

 

Ellen Page, a atravessadora de paredes Kitty Pride em X-MEN 3, é Juno, uma adolescente bem desbocada e descolada, que acaba de descobrir que está grávida e não sabe se aborta, se doa, etc.

 

Interessante é que apesar de a história não passar muito disso aí, é um filme bem acima da média do chamado “filme da Sessão da Tarde”. É bem levinho e descontraído: nada de dramalhão clichê sobre gravidez na adolescência, ao mesmo tempo que não desdenha das conseqüências de tamanho problema. Eles estão lá, mas como o filme pende para a comédia e a Juno é rodeada de familiares e amigos com uma mente mais aberta, nem parece que ela está vivendo um drama pessoal.

 

Alguns diálogos e frases são ótimos, como nas cenas em que ela discute sobre “a melhor era do Rock”, ou reclama que está “parecendo um planeta”. Adorei a abertura e a trilha excelente sonora também!

 

Com certeza não era filme para ganhar Oscar, é despretensioso demais para isso, mas é muito bom. Curti.

 

C.Q.C.

 

Tô gostando do C.Q.C. (Custe o Que Custar), que tá passando na Band nas segundas e com reprises durante a semana.

 

Mesmo sendo um programa “franqueado”, tipo o BBB, é como se fosse a volta do estilo do saudoso Ernesto Varela, o repórter incoveniente criado pelo próprio apresentador Marcelo Tas e que inspirou as perguntas da dupla Vesgo e Silvio.

 

Aliás, mesmo que um ou outro quadro não seja tão engraçado assim, já está muito melhor que o decadente Pânico, que se afundou em merchans, quadros ridículos e repetivos e saída de integrantes / redatores.

 

Na última segunda o programa já foi apresentado ao vivo. Espero que continue assim.

 

Pra quem não assistiu, recomendo que procure no Youtube o “repórter inexperiente” entrevistando o Padre Marcelo, e o “repórter egocêntrico”, uma indigesta mistura de Jô Soares com Faustão. Este último inclusive entrevistando o Andreas Kisser do Sepultura, que manteve a calma sei lá como...



Categoria: Cinema
Escrito por mequinho às 00h08
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Tiles - Fly Paper

Tenho escutado o novo álbum do Tiles, Fly Paper.

 

 

O Tiles é uma banda progressiva americana que tem uma característica principal notória: lembra muito o Rush.

 

Não chega a ser algo na mesma proporção que o Star Castle está para o Yes (ali já é um caso genético!), mas é o suficiente para terem chamado a atenção dos rushólotras.

 

Ainda mais por contarem com o apoio do produtor Terry Brown, responsável pela gravação dos álbuns mais clássicos do trio canadense.

 

Ah, já falei que o Hugh Syme toca uns tecladinhos aqui? E olha a capa...

 

Há influências de outras bandas progressivas clássicas, mas a base do Tiles é mesmo o Rush, especialmente o da época de Permanent Waves, Moving Pictures e Signals. O timbre da guitarra em alguns momentos remete a Natural Science, Freewill, Countdown, etc, e em outros à fase mais recente, quando Alex Lifeson se influenciou por Tool e outras bandas mais modernas.

 

E ele mesmo faz uma participação especial aqui, em Sacred & Mundane, lembrando seu trabalho no disco solo Victor.

 

Praticamente todas as faixas tem um andamento quebrado, com ritmo sincopado e a bateria não obedecendo ordens dos outros instrumentos. Imagine as músicas mais estranhas e malucas do Rush, como Time And Motion e Double Agent, e aquelas paradinhas inesperadas e esquisitas...

 

Gostei do riff nervoso de Hide In My Shadow, a mais heavyssiva. Back And Forth tem participação da Alannah Myles e um solo bem legal. Markers e Dragons, Dreams And Daring Deeds são as mais prog, e na última, Hide And Seek, o vocalista Paul Rarick mostra que não se inspira apenas em Geddy Lee, mas em James Labrie (Dream Theater) também.

 

Enfim, se você gosta muito de Rush, ou de bandas como Flower Kings, Porcupine Tree e Enchant, dê uma conferida. Não é o tipo de som que vai fazer História, mas que sabe tirar proveito dela.

 

Bacaninha.

 

 

 

Rush - Tough Break

 

Por falar em Rush, uma notícia já velha para os fãs, mas é gostoso comentar um fato como este.

 

Recentemente o blog do Rush Fã-Clube Brasil disponibilizou para download a música Tough Break.

 

Trata-se de uma grande raridade, uma jóia mesmo para os fãs!

 

Gravada durante as mixagens do ao vivo Exit... Stage Left, ou seja, lá por 1981, conta com o trio acompanhado de um tal de Jack Secret nos vocais (o Geddy não canta) e Skip Gildersleeve numa segunda guitarra.

 

Foi gravada para quebrar o tédio no estúdio, pois os caras estavam “na seca”, morrendo de vontade de tocar, e não aguentavam mais ficar apertando botãozinho na mesa de som.

 

Por isso mesmo, claro que Tough Break não é nada muito sofisticado, tem jeitão de ser um ótimo Lado B. Remete bastante à sonoridade que eles explorariam em Signals (1982), com os tecladinhos que fariam a festa no restante dos anos 80 já em evidência e começando a colocar a guitarra de Alex Lifeson em segundo plano.

 

Se você também adora essa fase da banda, não deixe de conhecer. Sobras de estúdio do Rush são raríssimas, praticamente inexistem, então não dá pra perder uma chance dessas.

 

Link.

 

PS: há pouco tempo também vazaram as demos do Power Windows. outro presentão pra nós!



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 00h40
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Cirurgia de Refração - Parte 33 e 1/3

 

Quinta passei no Oftalmo, para o retorno de 1 mês da cirurgia.

 

Está tudo bem com a cicatrização e o grau zerou. Quer dizer, fica entre 0 e 0,25, o que na prática equivale a zerar. Errei duas letrinhas no exame, mas daquelas que você pensa “pô aí já é sacanagem doutor”. Tipo um O ridículo de pequeno você confunfir com um Q.

 

Na prática a visão está excelente, e o que vier agora nos 5 meses que faltam para o resultado final, pra mim será como um bônus.

 

Só não gostei de ter que desembolsar mais cinquentinha, já que quando marquei tudo, entendi que todos os retornos faziam parte do pacote da cirurgia.

 

Aliás a técnica da cirurgia realmente é revolucionária hein: você opera no olho e só sangra no bolso! Sensacional...



Escrito por mequinho às 22h38
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Pyramize

O portal Brazil Under Ice, especializado em Iced Earth e bandas relacionadas, disponibilizou duas músicas novas do Pyramize, banda paralela do vocalista Matthew Barlow, que agora está de volta ao Iced.

 

Adorei as duas! Matthew é um monstro de vocal, e o estilo é um Power Metal de primeira.

 

Bom mesmo. Tomara que o restante do álbum seja no mesmo nível.

 

Clique aqui para visitar o site e baixar as músicas.

 

Revistas de Março - 2008

 

A Roadie Crew traz na capa os cérebros dos dois maiores projetos da cena atualmente: Arjen Lucassen e Tobias Sammet, ou seja, Ayreon e Avantasia.

 

 

 

Ótima sacada colocá-los na capa. Aliás a RC sempre foi mais criativa nesse ponto: rodízio de capas só com Maiden, Metallica, Helloween e Judas Priest não dá...

 

O Arjen comenta mais sobre a gravação do 01011001, com seus vários convidados, do que sobre sua história e conceito. Conta que chegou a ficar com lágrimas nos olhos enquanto Jorn Lande gravava Beneath The Waves, e comenta sobre ter levado uma “rasteira” do amigo Tobias, que conseguiu trazer Alice Cooper, um dos seus maiores ídolos em todos os tempos, para o Avantasia.

 

Outro detalhe interessante é sobre os problemas que ele enfrentou em sua vida pessoal, sendo o pior deles (já que divórcio tem remédio) a doença que eliminou seu olfato e paladar. Imagina que doença mala.

 

A entrevista do Tobias segue no mesmo estilo, falando mais da gravação do que da história ou conceito do álbum. Ele leva numa boa o apelido de “Bon Jovi da Alemanha” que ganhou nos últimos meses, devido ao visual e algumas canções mais POP presentes em The Scarecrow.

 

Outros destaques legais da edição são o Roadie Collection com o Deep Purple, o há muito esperado Eternal Idols com Dimebag Darrell e a entrevista com o injustiçado Death Angel.

 

Impossível não falar também da matéria com o baterista Aquiles Priester, baterista do Hangar. Ele fala do futuro incerto do Angra, sua (por enquanto) banda oficial que está passando por problemas internos sérios, que resultaram até em agressão física no ano passado.

 

Será que essa turma toda, André Mattos, Angra e Shaman, nunca vai conseguir lançar 2 ou 3 discos seguidos sem que haja trocos e sopapos nos bastidores que resultem em separações e farpas pela imprensa?

 

Por falar em tretas, a capa da Rolling Stone de março também é fruto de uma.

 

 

Os irmãos Max e Iggor explicam a reconciliação após quase 10 anos de “guerra fria”.

 

Max diz que está louco para se reunir com o Sepultura, enquanto Iggor não parece muito feliz com a idéia, principalmente agora que ele deixou a banda justamente para se dedicar à família e ao trabalho como DJ no projeto Hellmix, com sua esposa.

 

Será que a reunião vai mesmo rolar? Ou será que os irmãos vão preferir continuar como Cavalera Conspiracy, fazendo discos parecidos com os bons tempos, como é o caso de Inflikted, e deixar o Sepultura oficial murchando até cair de maduro?

 

Ainda sobre Inflikted: conforme o Max diz na entrevista, e eu concordo, é o mais próximo do som do Sepultura que poderíamos escutar desses caras. Dificilmente quem gostou de Roots não vai gostar desse aqui!

 

Outro destaque nessa RS é a entrevista com John Travolta. Não uma entrevista atual dele, mas sim uma de 1983, quando ainda estava no auge da fama (e prestes a entrar num ostracismo que só terminaria com o fabuloso Pulp Fiction, em 1994).

 

Muito legal essa série de entrevistas clássicas republicadas. Já teve Marlon Brando, Bob Dylan, Michael Jackson, etc, e tem sido uma das melhores coisas da edição brasileira.

 

Ainda não li a reportagem especial sobre o inferno de Britney Spears.



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 22h26
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Iron Maiden - Live After Death

Sábado retrasado, portanto antes do show, assisti numa tacada só todo o conteúdo do Live After Death.

 

Mesmo que o meu preferido seja Seventh Son Of A Seventh Son, lançado três anos depois, não tenho como negar que a World Slavery Tour 84-85 foi o topo, o período em que a banda invadiu os EUA sem vender a alma, sem precisar de nenhuma concessão comercial.

 

Live After Death é o Iron Maiden no ápice e “cuspindo fogo” no palco, como eu li numa revista uma vez. A gravação na Long Beach Arena retrata simplesmente a maior banda de Metal em todos os tempos em sua maior turnê, com sua melhor produção de palco e talvez o set list mais difícil de superar.

 

Até a capa é a mais linda e perfeita de todas, pelo menos para mim! Com todo respeito a Somewhere In Time e Powerslave, claro, duas verdadeiras obras de arte do Derek Riggs... é que Eddie de verdade mesmo é Eddie zumbi. Aliás, reparem como até ele, o desenhista, estava em seu auge nessa época!

 

 

O áudio foi remasterizado em 5.1, mas a mixagem original do Martin Birch também está incluída. Um detalhe até meio óbvio, mas que sempre me fascinou no LAD, é o peso, a clareza espetacular das suas guitarras. Quando eu o conheci, lá por 1989, meu aparelho de som na sala estava ligado com apenas um dos dois canais nas caixas, o que abafava uma guitarra e colocava a outra ainda mais em destaque, deixando as minhas audições ainda mais interessantes.

 

Três guitarristas pra quê?

 

Comparando a performance do Bruce quase 25 anos atrás com o de hoje, a diferença básica é que antigamente ele “gritava” muito mais. Em 2008, claro que um pouco daquela energia e potência da juventude se foram, mas hoje ele interpreta as mesmas músicas de maneira mais fiel e “pés no chão”, sem buscar tons altos quando não precisa, reservando-os para os momentos essenciais.

 

E os melhores momentos são também os que eu mais gostei no show aqui em SP: Powerslave, com Bruce usando sua máscara inspirada nas atuações do Peter Gabriel (Genesis) e Rime Of The Ancient Mariner.

 

O único ponto fraco talvez seja a ausência das músicas gravadas no Hammersmith Odeon, que fazem parte do Lado 4 do vinil e CD extra na versão remaster. Ali estão a melhor versão de Phantom Of The Opera que eu conheço, e gosto muito da sua Wrathchild também. Aliás, olha aí outra possível falha: nenhuma música do Killers... Uma pena esse material extra não ter registro em vídeo, pois poderia fazer parte desse novo pacote.

 

Por falar em extras, eles são caprichados.

 

A apresentação no primeiro Rock In Rio claro que não tem uma qualidade TOP, mas pelo menos é muito melhor que qualquer versão pirata que já tenha aparecido. Existiam três shows que os fãs aguardaram muito o lançamento em vídeo oficial: o do Hammersmith 1982, esse do RIR e qualquer um da tour do Somewhere In Time. Há pouco tempo a banda se lamentava pela terrível qualidade de gravação ou estado das fitas dos dois primeiros, e afirmava que por isso infelizmente eles nunca seriam lançados (Adrian Smith disse isso ao Backstage em 2001). Existe pelo menos um video bootleg da Somewhere On Tour... será que eles têm mais algum material gravado, ou agora admitem a possibilidade de usar um desses bootlegs oficialmente? Por mim, seria interessante, independente da qualidade o que vale é o registro histórico.

 

 

A segunda parte do documentário The History of Iron Maiden enfoca apenas o Powerslave e a World Slavery Tour. Tenho que tirar o chapéu para esse detalhe: são tantas coisas para comentar, foi tudo tão grande naquele período, que realmente foi melhor dividir dessa maneira, deixando a fase do Somewhere In Time e do Seventh Son para o próximo capítulo, que provavelmente sairá junto com o Maiden England.

 

Outra tacada de mestre foi deixar o documentário como extra do Live After Death, não o contrário. Seria uma tragédia em termos de marketing deixar um nome tão forte assim “escondido” como mero extra.

 

Algumas histórias são muito interessantes, como por exemplo sobre onde o Bruce comprou sua “máscara de raposa”, sessões de fotos escatológicas e, óbvio, Nicko Mcbrain, que definitivamente faz parte do time de bateristas malucos. Mission From Arry, a famosa discussão entre ele e Steve Harris que até  virou Lado B, também é explicada.

 

Uma falha triste: a análise sobre o Powerslave é superficial, com comentários apenas sobre Rime, Powerslave e 2 Minutes To Midnight. Até Aces High foi esquecida! Nem mesmo a escolha da maravilhosa capa é comentada. Já foi citada até em um documentário da BBC sobre Tutankamon e a influência do Egito Antigo na cultura POP, mas aqui eles nem deram bola.

 

Sabe quando teremos outra oportunidade de vê-los comentando sobre Losfer Words? Pois é brotha, que pena.

 

Há ainda o relativamente obscuro documentário oficial Behind The Iron Curtain, mostrando a primeira tour de verdade de uma banda ocidental no leste europeu (o famoso “casamento polaco”, com eles tocando bêbados numa festa de casamento, aparece aqui, e a infame declaração do Bruce sobre sintetizadores também), e Ello Texas, apenas algumas entrevistas curtinhas gravadas para a TV americana, nada de mais.

 

Esse é o DVD de cabeceira de qualquer criatura que se intitule fã de Heavy Metal.

 

 

Jeff Healey

 

Infelizmente semana passada morreu o guitarrista americano de Blues Jeff Healey. Ele era cego e aos 41 anos perdeu a luta contra o câncer.

 

Não sou um grande conhecedor da sua obra. Sei que o cara era bom mesmo na slide guitar e que seu estilo agrada quem curte Stevie Ray Vaughan, por exemplo.

 

Mas pelo menos uma música que ele gravou eu nunca esquecerei: sua excelente versão de While My Guitar Gently Weeps, uma das melhores obras do George Harrison em seus tempos de Beatles. A 97FM aqui de SP tocou bastante esse som, e eu ainda devo ter a fitinha cassete com ela aqui.

 

Vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=MJh3KaIKDAw

 



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 21h06
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Iron Maiden - São Paulo, 02/03/2008

Chegou o grande dia! Agora sim 2008 poderia começar de verdade. Carnaval? Ora o carnaval...

 

Ontem saímos daqui na hora em que passava o Palmeiras x Corinthians. Aliás, que coisa patética aprontaram com o Hino Nacional hein... tragicômico.

 

Chegamos umas 17 horas. Logo ao estacionarmos percebi, saindo do carro ao lado, o Vinícius e a Cintia, apresentadores do Stay Heavy (canal 48 GNT aqui em SP), além de Airton Diniz, editor-chefe da Roadie Crew. Como previsto, os arredores do Parque Antártica estavam infestados por uma horda de camisetas pretas. Demos um tempo no shopping que fica ao lado do estádio, e após enfrentar uma fila quilométrica, já de noite finalmente entramos.

 

Não vimos nada da apresentação da Lauren Harris. Insisti que devíamos privilegiar o pop rock da filha do chefe, mas entramos tarde demais. Pelo que me falaram, não perdi nada.

 

Faltando pouco para o show bom começar, caiu um toró de respeito, que claro acabou virando motivo de festa. Interessante que o céu parou de despencar logo ao fim de Doctor Doctor, o clássico do UFO que costuma ser a última tocada antes da introdução dos shows do Maiden.

 

Após um vídeo com cenas de bastidores da turnê, ao som de Transylvania (quase impossível de ouvir de tanto que o público gritava), o antológico início com a Churchill´s Speech e Aces High levou o estádio inteiro ao chamado cartase coletivo. Em todo show como esse, na primeira música se escuta mais o público cantando do que a própria banda, e aqui não foi diferente.

 

2 Minutes To Midnight não parece tão desgastada nessa turnê, principalmente se você pensar que está assistindo a uma réplica do início de Live After Death. Revelations, poupada durante vários anos de execuções excessivas, tem a energia de um clássico recente. The Number Of The Beast , Run To The Hills e The Trooper também são vítimas de anos de repetição em set lists, mas a reação do público prova que fica realmente difícil montar um set de clássicos sem elas.

 

Nessa altura já era possível concluir como chegava o som onde nós estávamos: vocal, baixo e bateria altos, guitarras com um sonzinho bem mixuruca. Isso ficou claro num momento em que o Adrian solava: sua imagem aparecia no telão, mas seu solo era quase inaudível. Uma pena. A sonoridade estava mais para A Real Dead One do que para Live After Death.

 

Bruce Dickinson é impressionante. Não consigo pensar em outro exemplo de frontman para compará-lo a não ser com Freddie Mercury: ele também canta muito bem, se precisar carrega a banda nas costas e tem o público na palma das mãos. Outro diferencial é o seu incrível senso de oportunidade. Por exemplo, ao aproveitar a chuva para fazer suas palhaçadas (“ohhh it´s raining... maybe it´s the Spice Girls pissing us”).

 

foto: g1.globo.com

Bruce patinou no palco molhado para brincar com a chuva, mas quem patina musicalmente é Janick Gers. O restante da banda dispensa comentários, principalmente o sempre extasiado Steve Harris. Mas o Gers, que nessa tour assume um papel de protagonista dos figurantes, beira o ridículo ao parecer um catavento descontrolado girando os braços, sem que nada de proveitoso saia de sua guitarra. Gira a guitarra em volta do pescoço, joga para o alto, "hipnotiza" o instrumento, toca com o joelho, pula... tudo isso seria legal se ele não tocasse (estragasse) solos de clássicos ao dedilhar as cordas de maneira tão desleixada. Postura rocker nota 10, mas como guitarrista do Iron Maiden, nota 4,75. Com louvor.

 

Wasted Years foi outra que agitou bastante todo mundo e, fazendo dupla com Can I Play With Madness, serviu para lembrar aquele finzinho dos anos 80 que ainda está na minha memória. O ápice mesmo chegou com Rime of the Ancient Mariner e Powerslave. Essas duas foram, de longe, o melhor momento da noite.

 

Após Heaven Can Wait, a polêmica Fear Of The Dark. Deslocadíssima e até bizarra sua presença, porém quando a reação da platéia atingiu seu maior momento de êxtase, tudo ficou mais claro. Ao meu lado até se abriu uma rodinha, e parecia que estava sendo tocado o maior clássico do Heavy Metal em todos os tempos! Achei esse exagero um tanto bisonho, já que em outros clássicos muito melhores muita gente sequer se mexeu. De qualquer forma, a banda percebe essa receptividade impressionante que a música conquistou e, conforme já havia sido demonstrado na tour do A Matter Of Life And Death, nem pensa em deixá-la de fora, seja qual for o conceito da turnê.

 

foto: g1.globo.com

Um Eddie-ciborgue gigantesco deu as caras na tradicional Iron Maiden, com um lindíssimo pano de fundo do Somewhere In Time ao fundo. Aliás, as camisetas oficiais também eram lindas, mas o preço horroroso fez muita gente apelar para as “alternativas”. Infelizmente, nada de tourbook. Ah, e também nada de pirotecnias: nossa versão da Somewhere Back In Time Tour foi igual a de Mumbai (Índia), sem fogos e sem os sarcófagos no palco.

 

Após o intervalo protocolar, um dos momentos mais esperados por mim: a endiabrada Moonchild, uma das músicas mais pesadas do melhor álbum de todos os tempos! É positivamente surpreendente que tenham escolhido essa para ser o destaque do Seventh Son of a Seventh Son, quando o mais provável seria a comum The Evil That Men Do. The Clairvoyant, uma das primeiras que eu conheci, precedeu Hallowed Be Thy Name, um dos sons mais apropriados para se encerrar tudo com chave de ouro.

 

Foi um show excelente, e quem é fã saiu do Palestra satisfeito. Pode não ser um set list perfeito, o som poderia estar muito melhor, mas sem dúvida foi a realização de um sonho para muitos, incluindo aí veteranos que nunca puderam assistir a um clássico do calibre de Rime Of The Ancient Mariner.

 

E pode ter sido a última oportunidade de conferir ao vivo alguma dessas músicas. Ou será que, quando voltarem aqui em 2009, conforme prometido pelo Bruce (Maiden England vem aí!), o set será parecido? Vamos ver!

 

PS: ah sim, e como um post sem aquela expressãozinha fdp perde todo o carisma, lá vai: Meidi é Meidi porra!



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 22h46
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