Batman - The Dark Knight

Sábado fui assistir ao esperadíssimo Batman novo.

 

Quem me conhece sabe o quanto eu odeio as adaptações dos anos 90. O primeiro decente pra mim foi o excelente Batman Begins, que fugiu da estética mais infantil dos anteriores e colocou ordem na casa.

 

E não que isso me surpreendesse, mas The Dark Knight conseguiu ser melhor ainda. Muito melhor! Como não precisa gastar boa parte do tempo explicando as origens do herói (lembra da parte “oriental” no Begins?), é o Batman aparecendo e quebrando tudo desde o comecinho.

 

Não é filme de passar na Sessão da Tarde. Acho que nem pra criança é, porque vai ser difícil ter outro filme de um herói desses “clássicos” que seja mais dark, mais sombrio, quase gore.

 

O Coringa do Heath Ledger não parece um Bozzo, um vilão fanfarrão fazedor de gracinhas, mas um autêntico terrorista psicopata, que está mais interessado em ver o circo pegar fogo do que nos os milhões que rouba. É um dos melhores vilões que eu já vi na minha vida, e também uma das atuações mais impressionantes.

 

Não sei como farão para substituí-lo... talvez optem por não usar mais o personagem, porque quem quer seja o novo ator, sempre surgirá o inevitável “legal, mas com o Heath seria outra coisa!”. Lamentável.

 

Filmaço. Duas horas e meia que passam voando e valem não só o ingresso, mas também o DVD quando sair.

 

Ah, e tivemos azar: sentamos logo atrás de uma cambada de maloqueiros. Essa é a palavra: maloqueiros. Depois reclamam, falam que é preconceito, que todo mundo deve ter o direito de ir ao cinema... a dura verdade é que algumas pessoas simplesmente não tem educação para frequentar lugares públicos, e às vezes dá vergonha mesmo de ser brasileiro.

 

Heroes - Segunda Temporada

Ou como avacalhar uma série bacana...

 

Sexta terminei de assistir à segunda temporada de Heroes. Aquela série que, quando esteve no auge, chegou a desafiar Lost em popularidade.

 

E que também serviu de inspiração para a trash Caminhos do Coração. Bem...

 

Apesar que, olha, tô falando da cômica novela da Record, mas o que aprontaram com Heroes não fica muito melhor não.

 

Os primeiros episódios são em ritmo de ressaca. Dá até para dar um desconto, porque o fim da primeira foi bastante apocalíptico e seria natural a história demorar a embalar novamente. Só que a enrolação fica muito, muito evidente: se antes você tinha, desde o primeiro episódio, "ganchos" que criavam uma expectativa enorme, dessa vez não houve nada do mesmo nível, nada que prendesse, que gerasse ansiedade verdadeira.

 

Na metade da temporada o enredo melhora um pouco, e parece até que tudo vai entrar nos trilhos. O episódio Four Months Ago é bom.

 

Triste como alguns personagens antigos só fazem número, passam em branco a temporada inteira. Hiru, o japonês que esbanja carisma, chega a ser ridicularizado. Dos novos, com toda certeza a melhor novidade é Elle Bishop, interpretada pela sensual e gatíssima Kristen Bell, que roubou de Hayden Panettiere o posto de sexy simbol da série.

 

Uma pena que na reta final a péssima impressão do início se confirme. Tudo muito corrido, com mudanças bruscas de comportamento, soluções esdrúxulas (agora é festa regenerar e ressuscitar... daqui pra frente só decepando a cabeça e passando com um trator por cima se terá certeza que alguém realmente morreu) e até humor involuntário (olha o fantasma de Caminhos do Coração aí!).

 

Lá pela metade do season finale, eu estava rindo: simplesmente não conseguia mais levar Heroes a sério.

 

Enfim, um fiasco. Os “ganchos” não convencem, o grande vilão está inerte (Sylar mais ameaça que cumpre) e os produtores ainda não sacaram que é preciso colocar os heroes em ação juntos, usando seus poderes em conjunto para invadir algum lugar ou numa missão para salvar alguém. Incrível como até agora eles quase não aproveitaram essa possibilidade tão óbvia.

 

Não sei se compensa continuar acompanhando. Se as notícias sobre o começo da terceira temporada forem verdadeiras, a tendência é piorar, ficar mais esdrúxulo ainda.



Categoria: Cinema
Escrito por mequinho às 23h53
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Pyramaze - Immortal

O Pyramaze é uma obscura banda americana/dinamarquesa, que pouco havia se falado até o surpreendente anúncio, em 2007, do seu novo vocalista: ninguém menos que Matt Barlow, o ex-Iced Earth que após o 11/09 tinha abandonado a carreira musical para se trabalhar como policial em NY.

 

A entrada do Matt parece ter servido como um sinal de fumaça para Jon Shaffer, o (literalmente) dono do Iced, não resistir à tentação e chamá-lo de volta, numa substituição tão abrupta quanto grosseira com Ripper Owens.

 

Matt aceitou o convite, mas por uma questão de companheirismo se comprometeu a finalizar o álbum com o Pyramaze antes de reassumir full-time seu posto no Iced Earth.

 

Eles têm dois álbuns antes desse Immortal, mas não ouvi ainda. Pelo menos aqui o som é um Power Metal com certo uso de teclados que deixa algumas passagens com uma pitadinha de Prog Metal também. Uma banda que eu acho que serve como referência é o Evergrey, ou seja, é um Power bem diferente de Grave Digger, Running Wild e afins, mas também não chega a ter a “quebradeira” prog de um Dream Theater.

 

E assim como no Evergrey, a voz do Matt também pende bastante para o grave, além de continuar muito, muito potente! Se você nunca escutou Iced Earth clássico, imagine uma mistura entre um Paul Stanley (Kiss) bem melhorado, Messiah Marcolin (Candlemass... mas se você não conhece Iced, vai conhecer Candlemass?) e Bruce Dickinson (bah). O que faz a diferença desde álbum para um comum de Metal são justamente os excelentes harmônicos e a absurda potência do Matt.

 

Destaques: Ghost Light, Touched By The Mara, A Beautiful Death, Caramon´s Poem e Shadow Of The Beast (lembra do jogo?), coincidência ou não, com um cheirinho de Maiden e também do Horror Show (álbum temático do Iced, de 2001). Ficou muito bom.

 

O Pyramaze já divulgou seu novo vocalista, que vai acompanhar a banda na divulgação do disco. É uma pena que, como o Matt disse, ele não possa estar em dois locais ao mesmo tempo. Logo logo o novo trabalho do Iced aparece, e tomara que seja tão bom quanto Immortal. Importante mesmo é que um dos melhores vocalistas de Heavy Metal da nova geração voltou em dobro. Barlow podia até querer se aposentar como policial, mas estaria cometendo um crime se não voltasse a fazer o que sabe de verdade.

 

Warrel Dane - Praises To The War Machine

Não sou um graaaande fã de Nevermore (tenho apenas o Dead Heart in a Dead World em CD), e mesmo assim curti muito esse álbum solo do vocalista e líder Warrel Dane.

 

Como era de se esperar, é um pouco mais eclético, com coisas que ele não gostaria de fazer usando o nome Nevermore.

 

Tem passagens que pela levada lembram Bruce Dickinson solo (Let You Down), outras que poderiam estar no próprio Nevermore (Obey, Messenger) e algumas que só mesmo num trabalho à parte, como na acústica You Chosen Memory. Uma em especial que eu curti muito foi Lucretia My Reflection, cover do Sisters Of Mercy, os deuses do gothic. É bem fiel, você percebe que é Sisters rápido. Já Patterns se encaixou tão bem ao restante do álbum que eu nunca imaginaria que é cover, mesmo se conhecesse mais do Paul Simon (em Dead Heart também fizeram uma versão para outra dele, The Sound Of Silence).

 

As guitarras estão numa afinação mais alta e cortante, mas o som continua “gordo”, cheio. Independente das músicas em sim, só a qualidade da gravação já chama a atenção. Praises... tem um dos melhores sons de álbum de metal que eu escutei recentemente. E olha que nem foi o Andy Sneap que produziu.

 

Quer um som ótimo para testar os graves do seu player? Use August.

 

Muito bom!

MGMT - Oracular Spetacular

Outro dia estava zapeando pela TV quando, totalmente sem querer, passei por um clipe na Playtv (aquela que humilha a atual MTV, apesar que mandaram a Luiza embora... safados!) que me chamou a atenção. A música era Time To Pretend, de um tal MGMT, que não tinha nem idéia do que era.

 

Era bem anos 80, com tecladinhos retrô típicos da época misturados a uma batida dance mais atual, junto a um vocal dobrado que me lembrou Siouxsie And The Banshees. Não sabia ainda se era bom ou não, mas só pela bendita musiquinha ter ficado na minha cabeça, achei que merecia dar uma pesquisada.

 

Descobri que o MGMT nem é uma “banda”, na verdade é uma dupla de NY. E o disco dos caras, Oracular Spetacular, é bem bacana sim, pelo menos se você estiver disposto a escutar um pop rock bem diversificado. Tem horas que é psicodélico, outras que parece Bee-Gees (Electric Feel), Blur...é muito simples, mas muito criativo também.

 

A melhor e também a mais elaborada é a viajante Of Moons, Birds And Monsters, que, ao lado da Time To Pretend, com certeza é uma música que vai me fazer lembrar de 2008.

 

Quer um disco de Pop Rock bom mesmo, sem papagaiadas e com hype justificado? Recomendo Oracular Spetacular.

 

Morcheeba - The Antidote

Esse é outro que eu jamais conheceria se não fosse a ajuda do acaso.

 

Aos sábados na rádio Band AM, lá pela hora do almoço, tem um programa de automobilismo em que quando voltam dos comerciais colocam desde AC-DC até Beatles antes de começar o bloco. E já fazia um certo tempo que uma certa musiquinha que eles estavam usando me intrigava: parecia ser algo celta, folk, com vocal feminino e um arranjo que gruda na cabeça igual a chiclete.

 

Só que para descrobrir o nome... o apresentador falava algo como “taí esse sonzaço do mochiba...”, e eu “que raio de nome é esse!”.

 

Mas nada que uma pesquisada não resolvesse. Meu amigo Kiko já tinha ouvido falar, e só de eu escrever como se falava reconheceu: Morcheeba!

 

É trip hop, ou seja, nada a ver com meu gosto usual. Mas gostei sim desse disco, que possui um clima meio filmes noir ou policiais dos anos 70, e nem é tão eletrônico quanto eu imaginava.

 

Interessante que depois eu pesquisei e, pelo que vi, The Antidote é como um The X-Factor do Morchebba, marcando a entrada de uma nova vocalista e gerando polêmica. Como não sou fã deles, não fui influenciado por nenhuma mudança de formação.

 

Ah, e a tal musiquinha se chama Ten Men.

 

Circle II Circle - Delusions Of The Grandeur / Jon Oliva´s Pain - Global Warning

 

O Savatage infelizmente morreu mesmo e se partiu em 3. O devorador de hamburguers Jon Oliva já admitiu publicamente que a banda não era um bom ganha-pão, e que ele precisa do Transiberian Orchestra para levar o leite para as crianças em casa. Numa entrevista recente ele disse que os fãs do Sava não precisam se sentir órfãos, pois o Circle II Circle e o Jon Oliva´s Pain também estão por aí fazendo o que seu público aprecia, então na prática é como se a banda não tivesse acabado.

 

Não é bem assim. Tanto o CIIC quanto o Pain não conseguem igualar o que foi o Savatage nos anos 90. O lado do Zak Stevens herdou o som mais direto e heavy, mais Tauting Cobras, e o Pain o operístico, sinfônico e baladeiro. Os dois são OK, mas em ambos falta aquele “tchan!”, aquele detalhe que deixava um álbum como Wake of Magelan tão completo.

 

Questão de gosto, claro, mas eu prefiro o Circle. Zak Stevens é um vocalista fantástico, infinitamente superior a Jon, e só falta mesmo um grande parceiro compositor para que ele faça um disco inteiro bom. Os trabalhos dele sempre têm 4 ou 5 grandes músicas, como é o caso aqui com Fatal Warning, Echoes, Every Last Thing (essas duas últimas Savatage puro) e Forever, mas sua voz sempre em PRIMEIRÍSSIMO plano geralmente enjoa rápido nas outras. Mantém o bom nível dos anteriores, é legal, porém é o típico CD “quase chega lá”, que com um pouco mais de produção e destaque para as partes instrumentais, seria melhor.

 

É uma pena. Se fosse possível juntar o que os dois têm de melhor, o resultado seria um... bom disco do Savatage.



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 00h12
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Uriah Heep - Wake The Sleeper

 

Eu pensava que o The Newz do Nazareth seria o melhor álbum de uma banda jurássica em 2008. Errei!

 

Já me convenci que o novo do Uriah é o melhor deles em muito, muito tempo. Com todo respeito a Sea Of Light, Abominog e alguns (poucos) outros, mas dentro do meu gosto, dentro do que eu entendo por Uriah Heep, Wake The Sleeper é o álbum mais criativo desses velhinhos desde os últimos trabalhos com o saudoso David Byron.

 

Após 10 anos sem lançar nada de novo, parece que eles, finalmente, desistiram de soar como uma banda AOR tipo Journey ou Foreigner. Hoje quem ainda os acompanha são os fãs de verdade, e esses com certeza preferem a banda soando como na era clássica.

 

O lendário Lee Kerslake, talvez o baterista mais bonachão e com cara de tiozão do Rock, se foi, por problemas de saúde. Mas em seu lugar entrou Russell Gilbrook, mais jovem e que com certeza ajudou a revigorar a banda.

 

Bernie Shaw está provando que, se não for melhor que David Byron, com certeza está no mesmo nível, fazendo um trabalho perfeito aqui. A voz dele envelheceu e em alguns momentos está parecidíssima com a do Byron. Sem dúvidas é um vocalista que merecia mais reconhecimento, até entre os próprios fãs.

 

Você percebe que os caras estão muito a fim de tocar como antigamente logo na faixa-título, que abre o disco. Uma porrada veloz como desde os anos 70 eles não faziam!

 

O álbum inteirinho é assim, veloz, com harmonias vocais brilhantes de álbuns como Look At Yourself e Demons And Wizards, os famosos wha-whas do Mick Box usados a rodo e o órgão ganhando destaque novamente.

 

É difícil mesmo destacar alguma música, porque todas são realmente boas. Light Of A Thousand Stars, por exemplo, é digna de qualquer coisa do melhor que eles já fizeram, e pelo refrão lembra Grand Funk, banda que também era mestre em criar harmonias vocais inesquecíveis. Overload e Tears Of The Word são bem rápidas, lembrando Return To Fantasy.

 

Ok: se fosse para escolher apenas uma, acho que seria What Kind Of God. Lindíssima, é a mais longa e parece uma continuação de Sweet Freedom. Sua parte final é PURO Uriah Heep clássico, assim como Shadow e seu riffão blackmoriano. E quando eu digo isso, não é só que “parece”, mas é tão bom quanto. Se acha que é exagero, confira você mesmo.

 

Faltou alguma coisa? Acho que só uma balada verdadeira. Surpreendentemente, eles abriram mão de baladas. Justo eles hein, que têm a manha nisso! Podia haver algo acústico, como Tales.

 

Mas aí seria até covardia. Do jeito que está, já é um dos melhores do ano, na minha opinião claro. Álbum fácil de ouvir, curto e daqueles que na primeira audição você já gosta. Quem curte um classic rock de primeira qualidade, feito por veteranos do Hard / Heavy Metal, precisa ouvir Wake The Sleeper.

 

Testament - The Formation Of The Damnation

Eu também pensava que o Cavalera Conspiracy seria o grande disco de Thrash de 2008. Continuo gostando do que o Sepultura não-oficial lançou, mas perto disso aqui, parece coisa de criança.

 

Discaço de Thrash Metal. Perfeito, perfeito! Há muito tempo eu não escutava um álbum desse estilo que me deixasse tão empolgado. Testament não está entre as minhas bandas TOP, e recentemente tinha ficado muito “extrema”, se descaracterizando um pouco. Agora voltou a ser o que era, mas sem perder o peso e a agressividade dos últimos tempos.

 

Também, pudera: com o Paul Bostaph na bateria, o único homem da face da Terra que foi capaz de substituir o monstro Dave Lombardo no Slayer, e a volta de Alex Skolnick, um excelente guitarrista (e que hoje se interessa mais por jazz do que metal), não podia ser diferente.

 

Porrada do início ao fim. Riffs e cavalgadas típicas a todo momento, viradas incríveis do Sr. Bostaph, vocais do Chuck Billy alternando entre o tradicional e o gutural... tem tudo que se espera deles aqui. Desde o Testament mais antigão da época de Practice What You Preach, como em More Than Meets The Eye, Afterlife e Dangers Of The Faithless, até o que mescla uma típica levada hiper-veloz dos anos 80 com o peso de hoje em dia, na faixa-título.

 

O auge do peso acontece por alguns segundos na última, Leave Me Alone, que começa como quem não quer nada e vai aumentando até por volta dos 2 minutos, quando por alguns segundos o Testamet fica parecendo o Meshuggah, com um peso absurdo.

 

Pancadaria técnica de primeira qualidade. Se você quiser saber como deve soar um discão de thrash metal em 2008, aqui está o melhor exemplo.

 

Será que o Rick Rubin vai consertar o Metallica ao ponto de seu Death Magnetic fazer frente ao que o Testament conseguiu? Espero, porém duvido...

 

Opeth - Watershed

 

Mais um grande disco dessa ousada banda sueca, capaz de misturar progressivo e death metal sem, er, defecar na madeira. Cada vez mais ecléticos e menos death, é verdade. Mas quando o bicho pega, nos momentos heavy, ainda pega pra valer! Por isso mesmo que os fãs não têm receio algum quando sai um disco novo: eles sabem o que estão fazendo, não vão virar um circo sonoro.

 

Watershed começa bem calminho, com Coil, baladinha folk linda e (a única) com um trecho cantado por vocais femininos. Logo na segunda, o primeiro contraste, com o lado death dando as caras em Heir Apparent, já com vocais guturais. The Lotus Eater já é mais prog, cheia de mudanças rítmicas, quebradeiras e alternância entre voz normal e gutural.

 

A linda e arrastada Burden talvez seja a música mais acessível que eles já fizeram. Muito bonita mesmo. Só não entendi a palhaçada no finzinho, com um dedilhado propositalmente desafinado...

 

Porcelain Heart começa lembrando doom, outro estilo que o Opeth vem utilizando com maior intensidade. Do meio para o fim ela ganha um arranjo prog sensacional. Vão mais além ainda na seguinte, Hessian Peel: uma introdução no estilo dessas que o Maiden usa tanto hoje, depois uma levada bem ala Dream Theater, em seguida o lado death precedido por um arranjo tipo Astronomy Domine (Pink Floyd) e, finalmente, um techo que lembra a fantástica Woodpecker From Mars do Faith No More. Hex Omega, a última da versão normal do álbum, parece Dream Theater em seus momentos mais recentes, ou como em Peruvian Skies. Da metade até o fim, vira um doom grandioso, épico. Estão sabendo usar teclados e órgão agora.

 

As próximas três estão na versão especial, e duas tão boas quanto as anteriores. Derelict Herds é a que tem o arranjo mais marcante do disco todo, bem prog metal mesmo. Bridge Of Sighs é um bluesão viajante, como se o David Gilmour chamasse o Tony Iommi para uma jam e o resultado soasse como algo entre Planet Caravan e Echoes. Apague as luzes e viaje ao som dos pratos dessa bateria maravilhosa!

 

Um dos melhores do ano? Na minha lista estará, com certeza. O que estou achando é que o Opeth gravou seu melhor disco até hoje, isso sim.



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 18h07
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Senta  A Pua!

 

Faz tempo que não posto aqui, mas espero retomar o ritmo assim que resolver uns probleminhas.

 

Faz mais tempo ainda que não comento sobre filmes, então vou falar bem rapidamente sobre os últimos a que assisti.

 

Tirei o atraso de dois antigões: Chinatown e Taxi Driver. Dois clássicos com alguns dos meus atores preferidos, Jack Nicholson e Robert De Niro. Até hoje só tinha assistido a trechos, ou quando era pequeno e ambos passavam na Globo (logicamente não entendia nada do que se passava).

 

Estava atrasadíssimo também com 300 e Terror Em Silent Hill. O primeiro achei fantástico, espartana e deslumbrantemente exagerado no visual e nas interpretações. A vantagem dele é justamente o modo como foi feito, sua estética fidelíssima aos quadrinhos, porque se não fosse isso seria um filme até comum. E Silent Hill, para quem conhece a clássica série foi um presente, porque nenhum diretor “gênio” decidiu “melhorar” a história. Surpreende por ser um filme baseado num videogame e que não parece trash, coisa mais rara que fã de Alexandre Nardoni.

 

Cloverfield também é terror, mas misturado com disaster movie, aquele gênero que explora terremotos, aviões descontrolados (em que sempre uma menininha de 10 anos, uma mulher histérica ou um piloto agonizante conseguem pousar um Boeing), etc. O barato dele não é o conteúdo, mas a forma: sabe aquele estilo de A Bruxa de Blair, que simula uma câmera amadora, como se fosse the real thing? Pois nesse sentido a idéia é a mesma, quando um grupo de amigos em Manhattan tem sua festinha interrompida pela invasão de uma criatura parecida com o Godzilla, e a partir dali tudo o que assistimos é o que está registrado na fitinha encontrada pelo exército americano na câmera de uma das vítimas.

 

Tem momentos forçados (óbvio), a começar pelo fato de que dificilmente alguém se preocuparia em continuar filmando 100% do tempo (até para um exemplar da geração Youtube isso seria difícil), mas como “filme pipoca” é ótimo, com uma imersão absurda se você assistí-lo de madrugada, numa TV grande e com fones de ouvido. Melhor que isso, só se fosse no cinema.

 

E no cinema mesmo o que eu assisti foi o novo Indiana Jones. Muita gente não gostou da história, por envolver ETs. Eu curti, primeiro porque absolutamente mais nada deveria ser acusado de inverossímil numa série em que já tivemos pontes invisíveis e gente olhando para o próprio coração arrancado. Segundo, porque conheço o livro Eram Os Deuses Astronautas, que serviu de inspiração para o roteiro (se não conhece, vá atrás que vale a pena!).

 

Alguns consideraram certos momentos forçados demais, como na cena da geladeira ou cataratas em pleno Rio Amazonas, mas aí eu pergunto: os outros também não eram assim? Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal exige que seja assistido com olhos de anos 80.

 

O Harrison Ford está ótimo, souberam envelhecer o arqueólogo com dignidade, e os únicos momentos que não gostei foram a cena ridícula com a fuga dos macacos e os clichês cômicos em computação gráfica de George Lucas, que parece não ter aprendido a lição após o vexame de Jar Jar Binks no retorno de Star Wars em 1999. Mas tudo bem, cenas como a sensacional perseguição de moto fazem justiça aos anteriores.

 

Graças a mais uma dica do crítico da Set-Folha de SP que vai ao programa do Ronnie Von (sim!) às quintas, conheci mais um filmão do Stanley Kubrick: Nascido Para Matar. No caso, seu penúltimo filme, agora relançado em DVD widescreen. Pelo título parece história de serial killer ou algum novo Braddock do Chuck Norris, mas se trata da visão do diretor sobre a Guerra do Vietnã. Já existem filmes demais sobre o assunto, mas esse aqui é dos bons.

 

 

É bem rigorosamente dividido em duas partes: a primeira mostra o treinamento de um grupo de recrutas, comandados por um sargento sádico, e a segunda enfoca alguns deles já no campo de batalha. Não é um filme com historinha bem definida, com começo, meio e fim: assim como Alucinações do Passado, o ideal é assistí-lo depois de conferir exemplares mais “normais” do gênero, como Pecados de Guerra, Platoon, etc.

 

Um que tem menos ainda de “normal” é o belíssimo Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, com o Jim Carrey (fazendo papel sério) e a Kate Winslet.

 

 

Pense rápido: você já não pensou em como seria se pudesse apagar por completo as suas lembranças de uma pessoa? Assim, literalmente do dia para a noite, aquela determinada criatura que te fez sofrer desaparecesse da sua mente, como se vocês jamais tivessem se cruzado? Eu já.

 

Pois é disso mesmo que o filme trata, e por isso mesmo que tanta gente se identifica, especialmente se já tiver uma certa idade. O personagem do Carrey percebe que sua namorada, durante uma crise no relacionamento, fez um tratamento psíquico especial para “apagá-lo” da memória, tratando-o como mero desconhecido logo no dia seguinte. Para suportar a decepção, decide fazer o mesmo. Logo se arrepende e tenta retroceder, mas será difícil porque durante a execução dessa espécie de lavagem cerebral ele está sem o domínio do próprio cérebro e não consegue mandar interromper.

 

Indiretamente, acaba abordando a fascinante teoria do caos também. “E se eu tivesse perdido aquele trem, chegasse 1 minuto atrasado... não a teria conhecido, nada disso teria ocorrido, minha vida seria completamente diferente e eu não estaria passando por isso agora!”.

 

Eu já pensei muito sobre essas coisas, e sempre cheguei à mesma conclusão (ou mensagem) que o filme transmite. Mesmo que na vida real o final não seja como no cinema, talvez valha mais a pena manter as lembranças daquela pessoa guardadas, ainda que numa gaveta bem lá no fundo. É sofrendo com momentos assim que nós aprendemos a evitar que novas situações decepcionantes de repitam.

 

E por fim, assisti neste final de semana ao documentário Senta A Pua!, sobre os pilotos brasileiros da FAB que combateram na Itália na Segunda Guerra Mundial. Fiquei curioso após uma entrevista com o diretor e dois veteranos no Programa do Jô.

 

 

É relativamente antigo, quase todos os entrevistados já morreram, e o próprio Jô disse que não deu a atenção devida quando do lançamento (1999) e que recentemente, numa reprise, chegou a chorar com alguns dos depoimentos.

 

É tocante mesmo, e alguns relatos daqueles heróis velhinhos realmente emocionam. Altamente recomendado. Se você gosta de História, aviação ou mesmo documentários que retratem fatos heróicos verídicos, não deixe de ver.

 

“Senta a Pua! Quem vai Sentar a Pua não tergiversa, arremete de ferro em brasa e verruma o bruto.” 



Categoria: Cinema
Escrito por mequinho às 01h34
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