Beatles 4ever

Sábado desses fui ao show do Beatles 4ever no teatro do SENAI, aqui em São Bernardo, que está oferecendo espetáculos com entrada franca.

Foi ótimo. Versões perfeitas e muitíssimo bem executadas, em ordem parcialmente cronológica, vestimentas fieis às três principais fases da banda, e o que contou pontos: muito bom humor, com piadinhas preparadas especialmente para fãs (a melhor foi o “John Lennon” reclamando “pois é, me ressuscitaram, beleza, aí olho pra trás e quem está atrás de mim??? Yoko!”, referindo-se ao tecladista Edson Yoko).

O teatro é mais confortável do que eu esperava, e superlotou, com público sentado no chão sem o menor sinal de reclamação, afinal todos ali sabiam do carinho com que os clássicos da maior banda de todos os tempos seriam tratados.

A propósito: NÃO tocaram Yesterday! É sério, vou repetir: não teve a música mais regravada do Planeta Terra. Eles desprezaram, cagaram para Yesterday. Caso você não tenha se dado conta da gravidade do negócio, imagine... bom, imagine algo um pouquinho mais grave do que o A-Ha fazer show aqui no Brasil e não tocar Touchy...

O que eu imagino é meu pai reclamando, já que era a música preferida dele. Rindo a toa

Falando sério agora: teve sim, claro Hey Jude. Teve Help, teve a emocionante A Day in the Life, Strawberry Fields, Magical Mistery Tour, Something... foi ótimo o set. Senti falta de algumas, obviamente: Ticket To Ride, Revolution, Penny Lane… impossível fazer um show que agrade a todos.

Epa, impossível mesmo? Sabia que eles já fizeram uma maratona de 1 dia inteiro tocando o repertório COMPLETO dos Beatles? Todas as músicas de todos os discos, já imaginou? Tonto

Sensacional. Recomendo a qualquer pessoa que realmente goste de rock, que queira apreciar um pouco da história do rock, que não deixe de ir aos shows dessa turma. Jóia

Site: http://www.beatles4ever.com.br

U2 - No Line On The Horizon

Muito bom o álbum novo do maior patrimônio irlandês de todos os tempos!

A princípio até achei um pouco inferior ao How to Dismantle an Atomic Bomb. É nada: está tão bom ou melhor!

Com exceção da chatinha Cedars of Lebanon, que felizmente foi jogada para o final, e o primeiro single, Get On Your Boots, todo o restante é muito bom.

O anterior foi muito baseado em estruturas mais básicas, a famosa “volta às raízes” que eles estavam precisando. Mas para o próximo, já tinham avisado que dariam um passo adiante.

E se renovaram mesmo.

Apesar que não chega nem perto de ser uma guinada de 180º como a que eles deram em 1991, de jeito nenhum. No Line on the Horizon é uma mistura bem equilibrada entre o U2 do Achtung Baby e o dos anos 80.

Já está “bom demais além da conta”, não acha não??? Sorriso

A faixa-título já abre com tudo usando essa mistura: tem a guitarra e o clima do Achtung, somados a um pianinho e um “ow-ow-ow-owwww” na linha vocal que são bem old-school.

Magnificent tem aquele timbre que você escuta 5 segundos e já sabe que é o The Edge. Uma música simples e primorosa, que deve levantar o público nos estádios e que tem tudo para se tornar um clássico.

Além dessas duas, outras que merecem aplausos: as lindíssimas baladas Moment of Surrender e White as Snow, esta última com uma introdução de baixo que parece o Iron Maiden (!), e cuja letra é sobre os últimos instantes de vida de um soldado agonizando no campo de batalha; Unknow Caller, outra com um “ow-ow-ow” típico dos 80; a misteriosa Fez-Being Born, que soa como algo eletrônico antigo, meio Depeche Mode; e Breathe, com um riff mais pesadinho e quase Hard Rock, lembrando talvez Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me.

Ah, e o Bono Vox está cantando muito. Repare como ele solta a voz com gosto em Moment of Surrender, por exemplo.

Ótimo disco. E se você se interessar sobre detalhes da gravação, que incluiu sessões até no Marrocos, recomendo a edição de março da Rolling Stone brasileira. Jóia

U2 é uma banda que eu gosto muito mais hoje em dia. Pena que, quando rolar show aqui, vai ser muito difícil de eu ir.

Queensryche - American Soldier

Em 2003 eu achava que o Queensryche encerraria as atividades a qualquer momento, após tantos trabalhos medíocres e uma forte queda de popularidade.

Em 2006 veio a redenção, com a excelente segunda parte do Operation Mindcrime. Tudo bem, claro que não teve a mesma qualidade do original, mas, para uma banda em franca decadência, foi sim uma grande volta por cima.

Logo após Take Cover, a irregular coletânea de versões, Geoff Tate anunciou que seu próximo projeto seria conceitual e consistiria em transformar em música entrevistas de veteranos de guerra, que ele estava coletando pessoalmente.

Cada música seria uma história vivida por um americano que tivesse lutado na Segunda Guerra, Vietnã, Coréia, Golfo, etc.

Não deixa de ser um conceito interessante, mesmo que sujeito a clichês inevitáveis para o tema: frustrações, saudade da família, remorso, companheirismo, heroísmo. Mas teria como fugir disso? Acredito que não, até porque são histórias verídicas, então se os chavões acima incomodarem algum ouvinte ao ponto de se rejeitar o trabalho, que este reclame com a realidade, não com a banda.

Musicalmente, de certo modo foi um passo atrás. American Soldier é excessivamente cadenciado, não possuindo músicas realmente aceleradas e diretas, então soa como uma mistura entre o sombrio Tribe (2003) e o melancólico Promised Land (1994).

Lampejos de Operation Mindcrime 2 aparecem em At 30 Thousand Ft., Killer e A Dead Man´s  Words, com um clima soturno bem cinematográfico. Essa tem até um sax, aquele instrumento maldito que devia ser proibido por lei de ser usado por bandas pesadas. Mas é só no finzinho, bem discreto, e admito: combinou.

Já o Queensryche dos anos 90, pós-Empire, aparece em Remember Me, If I Were King, e Middle of Hell. Se você gostou do lado bom de Hear in the New Frontier, ou mesmo Speed of Light do OM2, deve curtir essas.

Há muitas falas e narrativas extraídas das entrevistas. Unafraid chega ao ponto de ter apenas o refrão cantado pela banda.

A mais pesada e direta é Man Down, a única onde o ritmo acelera. E Home Again é o contrário, o momento mais calmo e bonito, contando com participação especial da filha de 10 anos de Tate e lembrando o dueto em All The Promisses, que encerra a saga de Nikki.

É um bom álbum, mas que exige muitas, muitas audições para que você perceba os bons momentos. Não é difícil no começo achá-lo monótono, repetitivo e chato. Depois você vai percebendo naturalmente os destaques individuais de cada música. Jóia

Saxon - Into The Labyrinth

Infelizmente, o novo do Saxon não conseguiu manter o nível do anterior, o excelente The Inner Sanctum.

Tem o mesmo problema do Lionheart, ou seja, um álbum certinho, mas muito burocrático.

Os riffs, o peso, a velocidade, está tudo ali ainda. Só faltou a inspiração. É o tipo de álbum que você não consegue dizer que é ruim, mas que também nunca chegará nem perto de ser um clássico.

O que não derrapa nunca é o vocalista Biff Byford, que carrega a banda nas costas com a habitual competência, independente da criatividade não ter comparecido às gravações. Indeciso

As melhorzinhas são a faixa de abertura, Batallions of Steel (já reparou que as músicas que iniciam os álbuns do Saxon estão sempre entre as melhores, ou pelo menos dentre as que se salvam?), Live to Rock, a rápida Demon Sweeeny Todd, Valley of the Kings e Come Rock of Ages, que, apesar do riff pesadão no começo, no resto é totalmente fim de anos 80.



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 00h59
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 Iron Maiden – São Paulo, 15 de março de 2009

O show do Maiden em SP neste último domingo vai ficar marcado, não só para mim mas também para a maioria, acredito, pela total falta de respeito dos organizadores.

Meidi é Meidi!

A apresentação propriamente dita foi conforme o esperado, ou seja, ótima, no nível que os fãs sabem que podem esperar de uma banda que valoriza quem a reverencia e a colocou onde está hoje.

O set perdeu muito com a saída de Moonchild, Heaven Can Wait e Revelations, porém Phantom of the Opera e Children of the Damned sozinhas já valeriam o ingresso para os verdadeiros fãs. Essas duas, mais a provável despedida dos palcos de Aces High, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner, compensam a monotonia de Sanctuary, 2 Minutes To Midnight e outras tradicionais dos set lists.

A Phantom ao vivo era como um sonho para mim. A versão do Live After Death é a que eu considero a mais perfeita, uma vitrine sonora do que foi o auge do Iron Maiden. Pena que o “pula-pula” tenha estragado um dos solos do Adrian Smith... De bico

Além delas, Run to the Hills foi outro grande momento. Incrível ver aquele mar de gente acompanhando o refrão. E Fear of the Dark justificou mais uma vez sua bizarra presença nessa tour específica com o habitual entusiasmo da platéia.

A produção de palco realmente esteve mais completa em relação ao ano anterior, apesar que a chuva prejudicou os fogos de artifício. O fogo vermelho atrás do Bruce durante a Powerslave foi sensacional.

Enfim, grande show, como sempre se espera da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Jóia

Já a organização...

Mondo é... Passando mal

Cheguei a Interlagos por volta das 17h. Encontrei rapidamente o pessoal da Brazil Under Ice, troquei meu voucher pelo ingresso (essa parte surpreendentemente sem problemas, diga-se) e fui para a fila.

Aparentemente ela descia a rua em frente ao Portão 8, o único designado para a entrada, chegava até a esquina, numa “barriga”, fazia uma rápida curva e já retornava para a área de acesso.

Há-há: pegadinha, meu chapa! Ao chegar na tal esquina, a já grande e desorganizada fila não retornava, mas dobrava à esquerda, descendo a avenida ao lado a perder de vista. Pouco adiante, ela se desmanchava, pois não havia isolamento nenhum, era cada um por si e quem quisesse um lugar mais à frente, que corresse e se virasse.

Eu e milhares de outros fãs percorremos, perplexos, kilometros e kilometros até alcançarmos o final dessa bendita fila (e quando eu falo “fila”, imagine montinhos de 3 ou 4 lado a lado).

Ela descia toda a avenida ao lado do autódromo, contornava um quarteirão, retornava à avenida, passava ao lado de uma favelinha e finalmente terminava numa área mais erma, próxima a uma construção. Após tamanha peregrinação, os que ali chegavam vibravam e até tiravam foto, como se tivessem marcado um gol.

A vizinhança observava das garagens o triste espetáculo entre risos e irritação devido ao forte cheiro de urina.

Para você ter uma idéia, eu levei uma meia-hora apenas para chegar a esse final. Eram por volta de 19h, e todo mundo já percebia que seria impossível o show começar no horário marcado com toda aquela multidão de fora.

Consegui entrar eram mais de 21h, e Aces High já havia começado. Confesso que foi até emocionante aquele povo todo correndo pelo verdadeiro labirinto de tapumes até chegar a pista, e esse som ao fundo.

Chegando lá, era impressionante não só a quantidade de gente, mas também de lama. A (des)organizadora não se preocupou em cobrir nada, transformando o principal autódromo do país que vai sediar uma Copa do Mundo num verdadeiro pântano. Pelo menos a área possui um declive, e quem ficou mais atrás pôde ver o palco inteiro com tranquilidade.

Ou quase: uma das tendas de merchandising foi montada muito à frente da pista, encobrindo a visão da maioria.

E os ridículos telões, estragados pela chuva?

 

Mas não parou por aí. Brincalhão

Pior que a gigantesca fila, a saída trouxe transtornos para todos. Novamente havia apenas uma saída, e com mais de 60 mil fãs tentando passar pelo mesmo “buraco”, imagine a situação. Já prevendo isso, eu abri mão de The Evil That Men Do e Sanctuary, comprei um pôster (muito bonito, lembrando um tourbook) e já fui saindo. Pelos relatos que li, foi necessário derrubar uns tapumes para “afrouxar” um pouco a saída e se evitar um pisoteamento.

O ponto começou a superlotar, pois só passava ônibus de uma linha e a cada 10 minutos. Quem estava ali e precisava chegar a uma estação de metrô, como eu, estava largado à própria sorte.

Quando já se aproximava da meia-noite, um rapaz escutou eu falando o nome da estação para onde eu ia, a mesma que a dele, e sugeriu que rachássemos um Táxi. Foi a solução, e ainda tivemos muita sorte de pegar o último trólebus que vinha para S. Bernardo.

Com certeza muita gente ficou sem ônibus / metrô, precisou pedir carona ou esperar amanhecer e os transportes voltarem.

É uma pena que hoje o número de shows internacionais de grande porte tenha aumentado, mas o respeito ao público que sustenta essa engrenagem toda só tenha regredido. Já fui a muitos shows grandes, mas nunca tinha presenciado tamanho desleixo.

A organizadora, que tratou seus clientes feito GADO, hoje divulgou uma lamentável nota pedindo desculpas pelo ocorrido, mas sem admitir claramente seus erros. Desanimado

Em resumo, reconhece os problemas, mas diz, nas entrelinhas, “não foi nossa culpa, não temos nada a ver com isso”. Chega ao ponto de culpar o próprio "trouxa" que perdeu algumas músicas porque, ora, “chegou atrasado”.

Mas, realmente, depois de tudo o que vi neste domingo, não podia esperar desfaçatez maior vinda desse pessoal. O que eu podia esperar de quem cobra ingressos a preços estratosféricos, com um sistema de vendas mais flanelinha ainda que a Ticketmaster, e ainda economiza em cordões de isolamento, sinalização e tapumes?

Agora é aguardar o próximo, que deve ser em 2011, segundo o Bruce Dickinson. Tomara que os promotores criem vergonha na cara até lá. Insatisfeito



Categoria: Música
Escrito por mequinho às 23h21
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