
Usando o pseudônimo Heaven And Hell, o Black Sabbath finalmente lança um álbum inteiro de inéditas.
O anterior foi o fraco Forbidden, de 1995, ainda com Tony Martin nos vocais. Depois disso, um decepcionante retorno com a formação original, que após mais de 10 anos rendeu apenas duas composições novas, incluídas como bônus no ao vivo Reunion, e mais três ano retrasado, para a coletânea que abordou apenas a fase com Dio.
Quando eu chamo de decepcionante o retorno com Ozzy, é porque eu esperava que fosse uma volta com tudo mesmo. Algo como o Iron Maiden fez, ou seja, gravando novos álbuns e seguindo em frente com dignidade.
Não foi isso o que aconteceu: Ozzy e sua “dona”, a asquerosa Sharon Osbourne, condenaram o BS a passar o resto dos seus dias como uma verdadeira atração de circo, como se fosse uma atração qualquer do seu festival itinerante Ozzfest.
Nada de músicas novas, nada de mudanças no set, praticamente nada de tours fora dos EUA... frustrante. ![]()
O tédio e a morosidade ficaram tão insuportáveis, conforme os próprios Tony Iommi e Gezzer Butler confirmam nos extras do DVD Live From Radio City Music Hall, que a solução para não terem de tocar Iron Man e Paranoid pela milionésima noite seguida foi recrutar Dio e Vinny Appice e sair em turnê se concentrando apenas no material dos álbuns Heaven And Hell (1980), Mob Rules (1981) e Dehumanizer (1992), ou seja, um set list 100% diferente do que vinham tocando nos últimos 10 anos.
Conforme declarações recentes, o título é justamente o que os fãs mais atentos já haviam notado: este é sim o “velho diabo” que você conhece e gosta. Pode chamar de Black Sabbath à vontade, porque É! ![]()

Todo aquele peso e som arrastado, característico dos álbuns com Dio, estão de volta. Atom And Evil já abre o disco com uma paulada do “pancadeirista” Appice, que martela a bateria com gosto! Maravilhosa!
Fear tem um riff sensacional do mestre Iommi (novidade...). O solo é lindo, e o efeito no vocal do Dio durante o refrão também! ![]()
Em seguida vem a que está se destacando como a preferida dos fãs: Bible Black. Uma típica música que começa linda, como balada, e logo se transforma no chamado arrasa-quarteirão.
Double The Pain, que começa com uma intro do Gezzer, só não tem refrão marcante, mas no resto é perfeita. Rock And Roll Angel já se aproxima ainda mais da sonoridade anos 80, e conta com mais um solo lindo do “bigode”.
Só após The Turn Of The Screw, outra com um senhor riff, vem a primeira com andamento rápido: Eating The Cannibals. Essa me lembrou a TV Crimes do Dehumanizer.
Até aqui, a sonoridade é a mais BS possível. A primeira surpresa surge no riff que inicia Follow The Tears, com uma afinação mais moderna e que me lembrou Bruce Dickinson solo ou até o Judas Priest da fase Ripper Owens. Ao lado de Bible Black, outra candidata a virar clássico.
A velocidade volta com Neverwhere, que parece uma homenagem ao Mob Rules de tanto que se assemelha no estilo. Quem até aqui estava sentindo falta de alguma coisa na linha de Neon Knights ou Turn Up The Night vai adorar essa!
Breaking Into Heaven encerra tudo trazendo de volta o clima arrastado que caracteriza The Devil You Know. Será essa música a despedida definitiva dessa encarnação maravilhosa do Black Sabbath?
Não sei, mas o que tenho certeza é que prefiro ver os pais do Heavy Metal dizendo adeus assim, a ficar esperando o Sr. Reality Show tomar vergonha na cara e aceitar gravar algo novo. A cada ano que passa tenho mais respeito e admiração por Iommi, Dio e Gezzer, e menos por Ozzy e sua esposa monstruosa, que faz dele um fantoche patético e decadente.
Ah, e outra certeza é que em maio estarei lá no Credicard Hall batendo palmas pessoalmente para os mestres. ![]()

Escrito por
mequinho
às
00h28



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