O novo DVD do Maiden vale a pena não só para fãs, mas para qualquer um que deseje conhecer os bastidores da turnê de uma grande banda de rock.
O foco do documentário presente no primeiro disco não são os shows em si, mas a logística por trás deles.
Com o diferencial da utilização de um avião próprio, o Ed Force One, conseguiram percorrer Ásia, Oceania e Américas num tempo que seria impossível em voos fretados.
Não apenas isso: você conhece alguma outra banda em que o vocalista seja o piloto? E quando digo piloto, é piloto mesmo: Bruce Dickinson é tão aficionado por aviação que, enquanto os outros integrantes aproveitam suas férias fazendo churrasco ou levando os filhos e netos à escola, ele aproveita para assumir seu posto de piloto profissional numa companhia aérea.
As entrevistas e edição ficaram a cargo de Sam Dunn, o antropólogo canadense revelado pelo excelente Metal: A Headbanger´s Journey.
São muitas cenas mostrando a rotina dos membros da banda e staff em hotéis, ou aproveitando o raro tempo livre jogando golfe, futebol, etc.
A devoção dos fãs, principalmente em países que só agora puderam assistir a um show desse porte, como Índia e Costa Rica, pode parecer até exagerada para um leigo, mas quem acompanha sabe que Iron Maiden é uma verdadeira paixão musical que, se você realmente gosta, leva para o resto da vida.
Um momento emocionante é o close num fã chorando feito criança por ter conseguido uma baqueta ao final da apresentação.
Por falar em baquetas, as participações sempre hilariantes do Nicko McBrain roubam a cena. O baterista mais carismático do Rock? Provavelmente! Sem contar que ele sabe aproveitar seus 15 minutos muito bem (não estou falando de fama não... assista e entenda haha).
A se lamentar, apenas a desnecessária aparição do pastor picareta. Não só como fã, mas como brasileiro mesmo, sabendo que milhões de pessoas no mundo inteiro verão isso, fiquei com vergonha. É tão constrangedor o caso desse cidadão, que nem vale a pena falar muito.
O segundo DVD traz um set list completo, com uma música gravada em cada país. As que representam o Brasil são Heaven Can Wait, gravada no Parque Antártica (o show que eu fui), e Clairvoyant, na Pedreira Paulo Leminski (Curitiba).
Não há o que reclamar dessa parte! Powerslave e Rime of the Ancient Mariner sozinhas já valem cada centavo do DVD!
Apesar de as guitarras não serem cristalinas como as de Live After Death e, claro, a presença do “pula-pula”... mas tudo bem!
Altamente recomendável.
Ah, e olha só que montagem genial pintou hoje, misturando The Trooper com I´m a Believer, do Monkees:
Melhor ainda que o anterior, Skyforger traz de novo uma equilibrada mistura entre death metal, gótico e progressivo, alternando linhas vocais bem melódicas e orquestradas com outras guturais. Em alguns momentos estão lembrando muito Paradise Lost, como em Silver Bride e My Sun, ou Opeth, em Majestic Beast.
Eu ainda não conheço a fundo toda a carreira do Amorphis, mas tenho certeza que este é um dos seus melhores trabalhos, simplesmente porque não dá para ser muito melhor que isso.
Se você gosta das bandas que eu citei acima, não deixe de ouvir!
Keldian - Journey of Souls
Hoje em dia dizer que uma banda nova é de power metal melódico equivale a dizer “não ouça, é alegre e repetitivo demais”, não é verdade?
Mas o Keldian me convenceu. São noruegueses e fazem um som na linha Stratovarius (o dos bons tempos!). Até aí, nada de mais. Só que o disco é bom, com músicas que pegam fácil, e acabei gostando.
Tem muito teclado no som, deixando alguns momentos com jeitão de AOR, além de um clima meio “espacial”. É mais ou menos algo que o Royal Hunt faz, só que aqui muito melhor.
Só achei uma merda a música Vinland, essa sim com um trecho circense que é um prato cheio para quem diz que o metal melódico é bobinho demais.
Engraçado também que algumas linhas vocais me lembraram, além do já citado Stratovarius, A-ha! Se você odiar e quiser falar mal deles, taí: só falar que são um A-ha Power metal!
No geral, curti! Não canso de ouvir Hyperion (a melhor) e Lord of Polaris.
Rush Retrospective 3
O Rush tem diversas coletâneas oficiais. A única que contou para mim até hoje foi a dupla Chronicles, que cobria em ordem cronológica e bem organizadinha o período até 1989, de Presto.
Me foi muito útil porque por um bom tempo tive apenas ela e o Moving Pictures, ambos em CD.
A compilação mais conhecida atualmente é a série Retrospective, que é muito fácil de encontrar em qualquer hipermercado. Este terceiro volume pega a fase mais recente. Vai desde 1989, com o já citado Presto, até o mais recente, Snakes & Arrows, de 2007.
Eu nem me interessaria pelo lançamento, não fosse por duas músicas: One Little Victory e Earthshine, ambas do Vapor Trails (2002). Um álbum com ótimas composições, mas prejudicado por um som no geral péssimo, com graves e volume ESTOURADOS (a maldita mania que já estragou vários álbuns).
Ouvir Rush com produção de Sonic Youth não tem graça nenhuma, acredite.
A própria banda se arrepende de ter lançado o disco daquela forma, e há tempos surgem boatos que ele seria relançado com um tratamento decente. Existe uma demanda muito grande dos fãs, e a inclusão de versões remixadas de Earthshine e One Little Victory numa coletânea mostra que provavelmente o serviço de remasterização já foi feito, apenas aguardando um momento propício para vir à tona. Quem sabe em 2012, no aniversário de 10 anos.
A diferença é perceptível. Está mais fácil perceber sutilezas dos instrumentos, antes encobertas por uma maçaroca infernal. É Rush com mais cara de Rush!
Quanto ao resto da coletânea, achei fraca. O tracklist:
1. One Little Victory (remix) 2. Dreamline 3. Workin' Them Angels 4. Presto 5. Bravado 6. Driven 7. The Pass 8. Animate 9. Roll the Bones 10. Ghost of a Chance (live) 11. Nobody's Hero 12. Leave That Thing Alone 13. Earthshine (remix) 14. Far Cry
COMO colocar Presto e deixar Show Dont Tell de fora???? Porra... O meu, sem pensar muito, poderia ser assim:
1. Show Don’t Tell
2. The Pass
3. Dreamline
4. Roll The Bones
5. Bravado
6. Animate
7. Stick It Out
8. Nobody´s Hero
9. Leave That Thing Alone
10. Driven
11. Time And Motion
12. Earthshine (remixada)
13. Sweet Miracle (remixada)
14. The Main Monkey Business
15. Far Cry
Se sobrasse espaço, incluiria algumas dessas pérolas: The Big Wheel, Between Sun And Moon, Dog Years ou mais uma do Snakes And Arrows. O bom é o DVD que acompanha, com os (poucos) videoclipes do período.
Apenas dois anos após o modorrento Systematic Chaos, o álbum que materializou tudo aquilo que os detratores sempre usaram de argumento contra a banda (chatice sistemática?), o Dream Theater volta a fazer um trabalho decente.
Metropolis Part 2: Scenes From a Memory, de 1999, foi o último lançamento 100% brilhante dos deuses do prog metal. De 2000 até agora, não conseguiram lançar outro disco que ficasse absolutamente certinho, na medida, como foram os quatro dos anos 90, que considero perfeitos.
Mas até que Black Clouds fecha a década de maneira muito digna. Não fossem algumas derrapadas, seria fácil dizer que é o melhor deles em 10 anos.
Gostei muito de The Best of Times, um belo presente aos fãs que adoram quando eles se parecem com Rush. Apesar do início extremamente triste, choroso, com um dedilhado lindíssimo do Petrucci, logo chega um arranjo que é puro Rush da fase Permanent Waves, lembrando Spirit of Radio. Daí para a frente a música se torna muito “pra cima”, com clima otimista ala Images And Words. Maravilhosa! Um ótimo exemplo para se esfregar na cara de quem acha que o Dream Theater é uma banda sem feeling, sem melodias, aquela baboseira toda.
O início triste e a letra se explicam por fazerem referência ao pai do Portnoy, que morreu de câncer durante as gravações.
The Count of Tuscany provavelmente é o melhor momento deles na década. Suíte de 20 minutos, mas daquelas que você nem percebe o tempo passar. O início é sensacional, progredindo para uma mistura de Rush, Maiden, Metallica, ou seja, a mescla perfeita entre metal e progressivo que os consagrou.
A parte final, assim como Octavarium descamba para uma viagem estilo o Yes de Soon. Apague as luzes e sinta-se noutro planeta haha! Ou melhor, navegando ali pelos lados do Mediterrâneo. Ouça e capte!
Só achei desnecessário o solinho mala de teclado lá pelos 9:40min, totalmente sem cabimento. Ah se eu fosse o produtor...
Além dessas, o outro grande destaque é A Rite of Passage, a mais direta e que na metade se transforma num speed metal típico de bater cabeça. A pesada faixa de abertura, A Nightmare to Remember, tem até blast beat e vocal gutural, mas o melhor dela é a parte lenta e melódica. Pena que os solos entre Petrucci e Rudess são chatos demais, se eu pudesse limaria.
Há ainda a bela balada Wither, melhor que sua concorrente mais próxima, The Answer Lies Within (Octavarium), e The Shattered Fortress, trazendo as últimas 3 das 12 partes da Twelve-Step Suíte, que trata do alcoolismo e que Portnoy vem desenvolvendo desde 2001. Aliás ele já confirmou que pretendem tocar todas as partes na íntrega em alguma ocasião (alguém duvida que isso sairá no próximo DVD?).
A versão que eu peguei é tripla. O segundo CD é no estilo de A Change of Seasons, com covers para:
Stargazer – Rainbow
Tenement Funster / Flick of the Wrist / Lily of the Valley – Queen
Odyssey – Dixie Dregs
Take Your Fingers From My Hair – Zebra
Larks Tongues In Aspic Pt. 2 – King Crimson
To Tame a Land – Iron Maiden
Todas ficaram muito boas. Só a do Maiden, que já tinha saído num tributo ano passado, eu esperava mais. A do obscuro Zebra eu nunca tinha ouvido sequer a banda (que agora todo mundo vai ficar curioso e ir atrás), e mesmo esse meddley do Queen eu sinceramente não lembrava de como era.
E o terceiro CD contém versões instrumentais do álbum normal. Um presentão para os fãs, porque é outra sensação poder ouvir tudo sem a interferência das letras. Nada contra o James Labrie, não faço parte do grupo de fãs que detestam o vocalista.
O DT se despede dos anos 2000 com um trabalho excelente, ainda que não perfeito, e deixando viva a sensação que a banda ainda tem lenha para queimar. Agora é só terem a humildade de contratar um bom produtor ou, pelo menos, aprenderem sozinhos a puxar o freio de mão de vez em quando.
Chickenfoot - Chickenfoot
Olha aí! Quem disse que superbanda é sinônimo de chatice, briga de egos e fracasso?
O Chickenfoot é:
Sammy Hagar nos vocais, ex-Van Halen, Montrose
Michael Anthony no baixo, ex-Van Halen
Chad Smith na bateria, Red Hot Chili Peppers
Joe Satriani na guitarra
Os quatro já se conheciam faz tempo, tocando em jams esporadicamente no bar de Sammy Hagar.
Ano passado tiveram a ótima ideia de gravarem juntos, conciliando suas agendas.
Acho que o nome inusitado (pé de galinha) foi até para mostrar que não era o caso clássico de superbanda pretensiosa e condenada ao fiasco. Basta apenas uma audição para entender que aqui a proposta é diferente, com quatro amigos que, por acaso, também são ótimos músicos. A diversão vem em primeiro lugar, por isso o resultado é tão bom.
Você gosta daquele Hard Rock festeiro, bem “pra cima”? Então vai gostar do Chickenfoot. Se tem saudade do Van Halen, então, vai adorar! Não que seja uma cópia, mas em vários momentos, até pelos inconfundíveis backing vocals da dupla Mike-Hagar, a semelhança aparece.
Pode ficar tranqüilo, também, com relação ao Satriani. Ele é só um dos melhores do mundo, consagrado, mas aqui a guitarra dele está 100% a serviço da banda.
Com exceção da chatinha balada Learning to Fall, todo o resto é ótimo. A minha favorita é Get it Up:
Chickenfoot é Hard simples, dos bons, feito por caras que manjam do negócio e não tem egos inflados.
Enquanto isso, Eddie Van Halen continua trancafiado com seu suposto “estoque de músicas novas” que, se ele demorar um pouco mais para lançar, periga se tornar outro Chinese Democracy. O tempo passou e, quando ele finalmente voltar, a responsabilidade agora será ainda maior, graças ao pé de galinha mais valioso da história.