Estava pensando hoje: será que certas coisas não precisam serem ideais para se tornarem boas?
Por exemplo: que graça teria o smurf Desastrado se parasse de quebrar tudo e causar confusão?
O Mr. Bean faria o que na vida?
Um Mussum sóbrio seria hoje esse personagem cult, um Seu Madruga brasileiro praticamente?
O Corinthians ganhando uma Libertadores? Para...
Rubinho dá muito mais alegria ao povo brasileiro não ganhando. Se ganhasse, acho que seria matar um personagem que nos rende boas risadas. Seria como o Íbis sendo campeão brasileiro, o Lombardi mostrando o rosto ou esses outros exemplos acima.
Ele é milionário. É o piloto mais veterano da atualidade e o que mais disputou GPS. Viaja o mundo todo fazendo o que gosta, ganhando milhões para isso e, mesmo assim, rimos dele.
As justificativas para seus fracassos, seja um erro grotesco da equipe ou dele próprio, seja o azar de um patético pneu furado, são tão rotineiras que lembram esquetes. As apostas não são sobre se ele vai ganhar, mas de que jeito ele vai perder.
No fundo, todo brasileiro adora o Rubinho. Sorridente, simpático, um sujeito que dá a impressão de ser muito gente boa. Aquele primo que todo mundo queria ter.
Ano que vem deve ser o seu último na F-1. Tenho certeza que o Brasil inteiro sentirá falta não do piloto, mas do personagem.
Quando anunciaram a volta do Alice In Chains, não botei fé. Morte de vocalista em geral é a que mais complica a vida de qualquer banda, principalmente se ele for um dos “cabeças” do grupo.
Para cada AC-DC, exceções que conseguem se reerguer, existem inúmeros casos como o do também australiano INXS, apenas para lembrar de um exemplo fácil, de bandas que tentaram inutilmente seguir em frente após o baque.
Pois o Alice, mesmo que não alcance o mesmo sucesso dos anos 90, pelo menos artisticamente não passarão vergonha. Muito pelo contrário, lançaram um dos melhores álbuns do ano.
A solução encontrada se chama Willian DuVall. Sua voz, quando somada à do guitarrista e líder Jerry Cantrell, resulta em harmonias absurdamente semelhantes às de antigamente.
Só que isso não adiantaria nada se as músicas fossem fracas. Pior: soaria como picaretagem das brabas. Para sorte deles, Cantrell teve anos de sobra para montar um disco forte, que parece a continuação do clássico Dirt, de 1992 (um dos primeiros que eu comentei aqui). Todas as 11 músicas são ótimas, trazendo de volta o peso, os famosos vocais “dobrados” e o clima sinistro e soturno que fizeram a fama dos caras em Facelift (1990) e no já citado Dirt. A Looking in View é pesadaça, enquanto Your Decision e When The Sun Rose Again estão no nível do que eles melhor fizeram no lado acústico. Check My Brain, a do primeiro clipe, já virou clássica. Só mesmo o Alice In Chains seria capaz de fazer um riff de doom metal soar tão envolvente e pop!
Ah sim, claro: na faixa-título, homenagem a Layne Staley, um tal de Elton John aparece dando uma palhinha no piano.
Até agora, lançamento que eu mais gostei em 2009, fácil. Ah se todos os retornos de bandas clássicas fossem assim...
EDIT 19/10: na verdade, Duvall isoladamente não lembra Staley, como eu havia dito. A incrível semelhança ocorre nas harmonias vocais ou vocais dobrados de Cantrell. Corrigido.
Sigur Ros - Saeglopur
Outro dia, em um tópico sobre dicas musicais num dos fóruns que freqüento, alguém postou um clipe desse grupo que eu nunca tinha ouvido falar.
Muito bonito e com um som esquisito, que a única descrição que eu consigo passar seria uma banda simples de rock mesclada com Bjork com Mike Oldfield, Enya, algo nessa linha progressiva ou new age.
Só sei que é muito bom! Veja o clipe e confira.
O Sigur Ros é islandês, seu estilo é classificado como “post rock” (ah esses rótulos cada vez mais criativos...) e compõe numa língua própria. Saeglopur significaria algo como “Navegante Perdido”. Pelo clipe, parece que é isso mesmo.
Ouvi o restante de Saeglopur (na verdade um EP) e gostei.
Pearl Jam - Backspacer
Parece até que estamos em 1992: álbuns novos do Alice In Chains, Pearl Jam...
Backspacer segue a mesma linha do anterior, o auto-intitulado Pearl Jam, de 2006, o famoso “disco do mamão”. Ou seja, mais rock, mais músicas diretas, menos experimentalismo e baladinhas. Acrescenta uma dose extra de otimismo: nunca o PJ soou tão “pra cima”, tão feliz. É como se quisesse comemorar com todo mundo a esperança de tempos melhores que o Obama trouxe ao americano mais politizado e engajado. E como se sabe, Eddie Vedder é um dos músicos mais ativistas da sua geração.
Um trabalho que me veio à memória ao ouvir Backspacer foi Vitalogy (1994). Isso nas músicas mais rápidas e simples. Se você gosta de Spin The Black Circle e Whipping, por exemplo, vai gostar de Gonna See My Friend, Supersonic, Got Some e Johnny Guitar.
Já o lado mais cadenciado e Hard aparece em Amongst The Waves, Force Of Nature e Unthought Know. As três muito boas e com certeza candidatas a hino, sendo que a última lembra muito U2.
Um detalhe interessante é que chamaram de volta o produtor Brendan O´Brien. Não sabe quem é? Ele que produziu o ótimo Yield (1998), e sua influência se faz notar novamente nas belas melodias de The End, Speed of Sound e Just Breath, do mesmo modo que rendeu Given to Fly e In Hiding anteriormente. Se você também é um fã de Yield, vai se sentir em casa nessas músicas.
Única coisa que senti falta foi de músicas mais guiadas por riffs, como Alive, Even Flow, etc. Mesmo assim, mais um ótimo álbum da banda que melhor sobreviveu ao famigerado grunge.
Megadeth - Endgame
Esse eu esperava um pouco mais.
De tanto, mas tanto que o Sr. Mustaine criou hype com declarações quase diárias em seu website, me sinto no direito de ter aguardado por algo simplesmente antológico, já que os dois anteriores já tinham sido muito bons, principalmente o excelente United Abominations.
Se o Metallica estava precisando de um álbum de redenção, após anos de vexame, o Megadeth já tinha passado dessa fase faz tempo. A grande expectativa é como Dave Mustaine reagiria a Death Magnetic. Se em meados dos anos 90 ele não se conteve ao ver seus rivais cometendo o ridículo Load, o que o deixou inquieto ao ponto de logo em seguida fazer ainda mais feio com seu patético Risk, não seria agora, com o Metallica voltando a fazer um som pesado e bom, que ele ficaria para trás, certo?
Endgame é bom? É sim, com certeza, mas não tanto quanto ele pensa.
A produção, a cargo do renomado Andy Sneap, evidentemente é muito boa. Só que falta algo a mais para que Endgame supere United Abominations por larga vantagem. Talvez seja mera questão de gosto, mas pelo menos não vi brilhantismo nenhum ao que eu ao comparar, por exemplo, Head Crusher, o carro chefe das novas, com Sleepwalker. A que me lembra mais perfeitamente o Megadeth clássico, com um trecho totalmente Rust in Peace, é a Sleep.
Gostei de Dialectic Chaos, a inusitada instrumental de abertura, a faixa-título, 44 Minutes e algumas outras. O restante, legal, bacana, mas não me empolga. Daqui a 5 anos, duvido que vou ter mais vontade de ouvir Endgame no lugar de United Abominations, que é a comparação mais próxima que posso fazer (Rust e outros seria covardia).
Comecei a assistir à excelente série O Universo, da History Channel.
O documentário dedica cada episódio a um planeta ou tema relacionado. Basta olhar os nomes dos capítulos para entender a abordagem:
O Big-Bang
Os Segredos do Sol
Marte: O Planeta Vermelho
Lua
O Fim da Terra
Júpiter: O Planeta Gigante
Espaçonave Terra
Mercúrio e Vênus: Os Planetas Inferiores
Saturno: Senhor dos Anéis
Galáxias
Vida e Morte de Uma Estrela
Planetas Fora do Sistema Solar
O Lugar Mais Perigoso no Universo
Procura por ETs
Sempre, como era de se esperar de um trabalho inteligente, mostrado numa linguagem o mais compreensível que se pode fazer para leigos.
A todo momento são usadas analogias interessantes e que ajudam no entendimento, como por exemplo uma mesa de bilhar para explicar como os elétrons e partículas interagem, criando o combustível do Sol.
E claro, os números são sempre monstruosos e até difíceis de um ser humano imaginar. Tudo na casa dos bilhões x bilhões. Novamente as analogias nos ajudam a fazer uma idea melhor da grandiosidade que nos rodeia. Algo como “essa montanha em Marte é tão gigantesca que faz o monte Everest parecer um rochedo se colocado ao lado”.
Altamente recomendável.
Estou acompanhando também Flash Forward, a série que está sendo vista como sucessora de Lost (mas não era de Fringe essa vaga???).
A trama é a seguinte: sem explicação aparente, durante exatos 2 minutos e 17 segundos todos os seres humanos “apagam” e têm uma visão de suas vidas dali a 6 meses. Muitos se viram em situações desagradáveis envolvendo divórcio, recaída no alcoolismo, ou em circunstâncias que naquele momento seriam absolutamente bizarras, como a esposa fiel e feliz traindo o marido com alguém que ela nunca viu, a mulher que nem sequer namora dando à luz, outra vendo uma criança que ela nem faz ideia de quem seja a chamando de “mamãe”, etc.
Alguns afirmam não terem visto nada, acreditando que isso significa que morrerão em breve.
Quando retornam do “transe”, muitas pessoas morreram, pois estavam dirigindo ou em situações de risco. E aí que entra o FBI na história, para investigar o que aconteceu.
Se você gosta de Lost e da primeira temporada de Heroes, provavelmente vai curtir Flash Foward. Vou acompanhar, mas se começarem a pisar na bola, querendo prender os fãs com episódios só de enrolação, caio fora rapidinho.