Quando anunciaram a volta do Alice In Chains, não botei fé. Morte de vocalista em geral é a que mais complica a vida de qualquer banda, principalmente se ele for um dos “cabeças” do grupo.
Para cada AC-DC, exceções que conseguem se reerguer, existem inúmeros casos como o do também australiano INXS, apenas para lembrar de um exemplo fácil, de bandas que tentaram inutilmente seguir em frente após o baque.
Pois o Alice, mesmo que não alcance o mesmo sucesso dos anos 90, pelo menos artisticamente não passarão vergonha. Muito pelo contrário, lançaram um dos melhores álbuns do ano.
A solução encontrada se chama Willian DuVall. Sua voz, quando somada à do guitarrista e líder Jerry Cantrell, resulta em harmonias absurdamente semelhantes às de antigamente.
Só que isso não adiantaria nada se as músicas fossem fracas. Pior: soaria como picaretagem das brabas. Para sorte deles, Cantrell teve anos de sobra para montar um disco forte, que parece a continuação do clássico Dirt, de 1992 (um dos primeiros que eu comentei aqui). Todas as 11 músicas são ótimas, trazendo de volta o peso, os famosos vocais “dobrados” e o clima sinistro e soturno que fizeram a fama dos caras em Facelift (1990) e no já citado Dirt. A Looking in View é pesadaça, enquanto Your Decision e When The Sun Rose Again estão no nível do que eles melhor fizeram no lado acústico. Check My Brain, a do primeiro clipe, já virou clássica. Só mesmo o Alice In Chains seria capaz de fazer um riff de doom metal soar tão envolvente e pop!
Ah sim, claro: na faixa-título, homenagem a Layne Staley, um tal de Elton John aparece dando uma palhinha no piano.
Até agora, lançamento que eu mais gostei em 2009, fácil. Ah se todos os retornos de bandas clássicas fossem assim...
EDIT 19/10: na verdade, Duvall isoladamente não lembra Staley, como eu havia dito. A incrível semelhança ocorre nas harmonias vocais ou vocais dobrados de Cantrell. Corrigido.
Sigur Ros - Saeglopur
Outro dia, em um tópico sobre dicas musicais num dos fóruns que freqüento, alguém postou um clipe desse grupo que eu nunca tinha ouvido falar.
Muito bonito e com um som esquisito, que a única descrição que eu consigo passar seria uma banda simples de rock mesclada com Bjork com Mike Oldfield, Enya, algo nessa linha progressiva ou new age.
Só sei que é muito bom! Veja o clipe e confira.
O Sigur Ros é islandês, seu estilo é classificado como “post rock” (ah esses rótulos cada vez mais criativos...) e compõe numa língua própria. Saeglopur significaria algo como “Navegante Perdido”. Pelo clipe, parece que é isso mesmo.
Ouvi o restante de Saeglopur (na verdade um EP) e gostei.
Pearl Jam - Backspacer
Parece até que estamos em 1992: álbuns novos do Alice In Chains, Pearl Jam...
Backspacer segue a mesma linha do anterior, o auto-intitulado Pearl Jam, de 2006, o famoso “disco do mamão”. Ou seja, mais rock, mais músicas diretas, menos experimentalismo e baladinhas. Acrescenta uma dose extra de otimismo: nunca o PJ soou tão “pra cima”, tão feliz. É como se quisesse comemorar com todo mundo a esperança de tempos melhores que o Obama trouxe ao americano mais politizado e engajado. E como se sabe, Eddie Vedder é um dos músicos mais ativistas da sua geração.
Um trabalho que me veio à memória ao ouvir Backspacer foi Vitalogy (1994). Isso nas músicas mais rápidas e simples. Se você gosta de Spin The Black Circle e Whipping, por exemplo, vai gostar de Gonna See My Friend, Supersonic, Got Some e Johnny Guitar.
Já o lado mais cadenciado e Hard aparece em Amongst The Waves, Force Of Nature e Unthought Know. As três muito boas e com certeza candidatas a hino, sendo que a última lembra muito U2.
Um detalhe interessante é que chamaram de volta o produtor Brendan O´Brien. Não sabe quem é? Ele que produziu o ótimo Yield (1998), e sua influência se faz notar novamente nas belas melodias de The End, Speed of Sound e Just Breath, do mesmo modo que rendeu Given to Fly e In Hiding anteriormente. Se você também é um fã de Yield, vai se sentir em casa nessas músicas.
Única coisa que senti falta foi de músicas mais guiadas por riffs, como Alive, Even Flow, etc. Mesmo assim, mais um ótimo álbum da banda que melhor sobreviveu ao famigerado grunge.
Megadeth - Endgame
Esse eu esperava um pouco mais.
De tanto, mas tanto que o Sr. Mustaine criou hype com declarações quase diárias em seu website, me sinto no direito de ter aguardado por algo simplesmente antológico, já que os dois anteriores já tinham sido muito bons, principalmente o excelente United Abominations.
Se o Metallica estava precisando de um álbum de redenção, após anos de vexame, o Megadeth já tinha passado dessa fase faz tempo. A grande expectativa é como Dave Mustaine reagiria a Death Magnetic. Se em meados dos anos 90 ele não se conteve ao ver seus rivais cometendo o ridículo Load, o que o deixou inquieto ao ponto de logo em seguida fazer ainda mais feio com seu patético Risk, não seria agora, com o Metallica voltando a fazer um som pesado e bom, que ele ficaria para trás, certo?
Endgame é bom? É sim, com certeza, mas não tanto quanto ele pensa.
A produção, a cargo do renomado Andy Sneap, evidentemente é muito boa. Só que falta algo a mais para que Endgame supere United Abominations por larga vantagem. Talvez seja mera questão de gosto, mas pelo menos não vi brilhantismo nenhum ao que eu ao comparar, por exemplo, Head Crusher, o carro chefe das novas, com Sleepwalker. A que me lembra mais perfeitamente o Megadeth clássico, com um trecho totalmente Rust in Peace, é a Sleep.
Gostei de Dialectic Chaos, a inusitada instrumental de abertura, a faixa-título, 44 Minutes e algumas outras. O restante, legal, bacana, mas não me empolga. Daqui a 5 anos, duvido que vou ter mais vontade de ouvir Endgame no lugar de United Abominations, que é a comparação mais próxima que posso fazer (Rust e outros seria covardia).
O novo DVD do Maiden vale a pena não só para fãs, mas para qualquer um que deseje conhecer os bastidores da turnê de uma grande banda de rock.
O foco do documentário presente no primeiro disco não são os shows em si, mas a logística por trás deles.
Com o diferencial da utilização de um avião próprio, o Ed Force One, conseguiram percorrer Ásia, Oceania e Américas num tempo que seria impossível em voos fretados.
Não apenas isso: você conhece alguma outra banda em que o vocalista seja o piloto? E quando digo piloto, é piloto mesmo: Bruce Dickinson é tão aficionado por aviação que, enquanto os outros integrantes aproveitam suas férias fazendo churrasco ou levando os filhos e netos à escola, ele aproveita para assumir seu posto de piloto profissional numa companhia aérea.
As entrevistas e edição ficaram a cargo de Sam Dunn, o antropólogo canadense revelado pelo excelente Metal: A Headbanger´s Journey.
São muitas cenas mostrando a rotina dos membros da banda e staff em hotéis, ou aproveitando o raro tempo livre jogando golfe, futebol, etc.
A devoção dos fãs, principalmente em países que só agora puderam assistir a um show desse porte, como Índia e Costa Rica, pode parecer até exagerada para um leigo, mas quem acompanha sabe que Iron Maiden é uma verdadeira paixão musical que, se você realmente gosta, leva para o resto da vida.
Um momento emocionante é o close num fã chorando feito criança por ter conseguido uma baqueta ao final da apresentação.
Por falar em baquetas, as participações sempre hilariantes do Nicko McBrain roubam a cena. O baterista mais carismático do Rock? Provavelmente! Sem contar que ele sabe aproveitar seus 15 minutos muito bem (não estou falando de fama não... assista e entenda haha).
A se lamentar, apenas a desnecessária aparição do pastor picareta. Não só como fã, mas como brasileiro mesmo, sabendo que milhões de pessoas no mundo inteiro verão isso, fiquei com vergonha. É tão constrangedor o caso desse cidadão, que nem vale a pena falar muito.
O segundo DVD traz um set list completo, com uma música gravada em cada país. As que representam o Brasil são Heaven Can Wait, gravada no Parque Antártica (o show que eu fui), e Clairvoyant, na Pedreira Paulo Leminski (Curitiba).
Não há o que reclamar dessa parte! Powerslave e Rime of the Ancient Mariner sozinhas já valem cada centavo do DVD!
Apesar de as guitarras não serem cristalinas como as de Live After Death e, claro, a presença do “pula-pula”... mas tudo bem!
Altamente recomendável.
Ah, e olha só que montagem genial pintou hoje, misturando The Trooper com I´m a Believer, do Monkees:
Melhor ainda que o anterior, Skyforger traz de novo uma equilibrada mistura entre death metal, gótico e progressivo, alternando linhas vocais bem melódicas e orquestradas com outras guturais. Em alguns momentos estão lembrando muito Paradise Lost, como em Silver Bride e My Sun, ou Opeth, em Majestic Beast.
Eu ainda não conheço a fundo toda a carreira do Amorphis, mas tenho certeza que este é um dos seus melhores trabalhos, simplesmente porque não dá para ser muito melhor que isso.
Se você gosta das bandas que eu citei acima, não deixe de ouvir!
Keldian - Journey of Souls
Hoje em dia dizer que uma banda nova é de power metal melódico equivale a dizer “não ouça, é alegre e repetitivo demais”, não é verdade?
Mas o Keldian me convenceu. São noruegueses e fazem um som na linha Stratovarius (o dos bons tempos!). Até aí, nada de mais. Só que o disco é bom, com músicas que pegam fácil, e acabei gostando.
Tem muito teclado no som, deixando alguns momentos com jeitão de AOR, além de um clima meio “espacial”. É mais ou menos algo que o Royal Hunt faz, só que aqui muito melhor.
Só achei uma merda a música Vinland, essa sim com um trecho circense que é um prato cheio para quem diz que o metal melódico é bobinho demais.
Engraçado também que algumas linhas vocais me lembraram, além do já citado Stratovarius, A-ha! Se você odiar e quiser falar mal deles, taí: só falar que são um A-ha Power metal!
No geral, curti! Não canso de ouvir Hyperion (a melhor) e Lord of Polaris.
Rush Retrospective 3
O Rush tem diversas coletâneas oficiais. A única que contou para mim até hoje foi a dupla Chronicles, que cobria em ordem cronológica e bem organizadinha o período até 1989, de Presto.
Me foi muito útil porque por um bom tempo tive apenas ela e o Moving Pictures, ambos em CD.
A compilação mais conhecida atualmente é a série Retrospective, que é muito fácil de encontrar em qualquer hipermercado. Este terceiro volume pega a fase mais recente. Vai desde 1989, com o já citado Presto, até o mais recente, Snakes & Arrows, de 2007.
Eu nem me interessaria pelo lançamento, não fosse por duas músicas: One Little Victory e Earthshine, ambas do Vapor Trails (2002). Um álbum com ótimas composições, mas prejudicado por um som no geral péssimo, com graves e volume ESTOURADOS (a maldita mania que já estragou vários álbuns).
Ouvir Rush com produção de Sonic Youth não tem graça nenhuma, acredite.
A própria banda se arrepende de ter lançado o disco daquela forma, e há tempos surgem boatos que ele seria relançado com um tratamento decente. Existe uma demanda muito grande dos fãs, e a inclusão de versões remixadas de Earthshine e One Little Victory numa coletânea mostra que provavelmente o serviço de remasterização já foi feito, apenas aguardando um momento propício para vir à tona. Quem sabe em 2012, no aniversário de 10 anos.
A diferença é perceptível. Está mais fácil perceber sutilezas dos instrumentos, antes encobertas por uma maçaroca infernal. É Rush com mais cara de Rush!
Quanto ao resto da coletânea, achei fraca. O tracklist:
1. One Little Victory (remix) 2. Dreamline 3. Workin' Them Angels 4. Presto 5. Bravado 6. Driven 7. The Pass 8. Animate 9. Roll the Bones 10. Ghost of a Chance (live) 11. Nobody's Hero 12. Leave That Thing Alone 13. Earthshine (remix) 14. Far Cry
COMO colocar Presto e deixar Show Dont Tell de fora???? Porra... O meu, sem pensar muito, poderia ser assim:
1. Show Don’t Tell
2. The Pass
3. Dreamline
4. Roll The Bones
5. Bravado
6. Animate
7. Stick It Out
8. Nobody´s Hero
9. Leave That Thing Alone
10. Driven
11. Time And Motion
12. Earthshine (remixada)
13. Sweet Miracle (remixada)
14. The Main Monkey Business
15. Far Cry
Se sobrasse espaço, incluiria algumas dessas pérolas: The Big Wheel, Between Sun And Moon, Dog Years ou mais uma do Snakes And Arrows. O bom é o DVD que acompanha, com os (poucos) videoclipes do período.
Apenas dois anos após o modorrento Systematic Chaos, o álbum que materializou tudo aquilo que os detratores sempre usaram de argumento contra a banda (chatice sistemática?), o Dream Theater volta a fazer um trabalho decente.
Metropolis Part 2: Scenes From a Memory, de 1999, foi o último lançamento 100% brilhante dos deuses do prog metal. De 2000 até agora, não conseguiram lançar outro disco que ficasse absolutamente certinho, na medida, como foram os quatro dos anos 90, que considero perfeitos.
Mas até que Black Clouds fecha a década de maneira muito digna. Não fossem algumas derrapadas, seria fácil dizer que é o melhor deles em 10 anos.
Gostei muito de The Best of Times, um belo presente aos fãs que adoram quando eles se parecem com Rush. Apesar do início extremamente triste, choroso, com um dedilhado lindíssimo do Petrucci, logo chega um arranjo que é puro Rush da fase Permanent Waves, lembrando Spirit of Radio. Daí para a frente a música se torna muito “pra cima”, com clima otimista ala Images And Words. Maravilhosa! Um ótimo exemplo para se esfregar na cara de quem acha que o Dream Theater é uma banda sem feeling, sem melodias, aquela baboseira toda.
O início triste e a letra se explicam por fazerem referência ao pai do Portnoy, que morreu de câncer durante as gravações.
The Count of Tuscany provavelmente é o melhor momento deles na década. Suíte de 20 minutos, mas daquelas que você nem percebe o tempo passar. O início é sensacional, progredindo para uma mistura de Rush, Maiden, Metallica, ou seja, a mescla perfeita entre metal e progressivo que os consagrou.
A parte final, assim como Octavarium descamba para uma viagem estilo o Yes de Soon. Apague as luzes e sinta-se noutro planeta haha! Ou melhor, navegando ali pelos lados do Mediterrâneo. Ouça e capte!
Só achei desnecessário o solinho mala de teclado lá pelos 9:40min, totalmente sem cabimento. Ah se eu fosse o produtor...
Além dessas, o outro grande destaque é A Rite of Passage, a mais direta e que na metade se transforma num speed metal típico de bater cabeça. A pesada faixa de abertura, A Nightmare to Remember, tem até blast beat e vocal gutural, mas o melhor dela é a parte lenta e melódica. Pena que os solos entre Petrucci e Rudess são chatos demais, se eu pudesse limaria.
Há ainda a bela balada Wither, melhor que sua concorrente mais próxima, The Answer Lies Within (Octavarium), e The Shattered Fortress, trazendo as últimas 3 das 12 partes da Twelve-Step Suíte, que trata do alcoolismo e que Portnoy vem desenvolvendo desde 2001. Aliás ele já confirmou que pretendem tocar todas as partes na íntrega em alguma ocasião (alguém duvida que isso sairá no próximo DVD?).
A versão que eu peguei é tripla. O segundo CD é no estilo de A Change of Seasons, com covers para:
Stargazer – Rainbow
Tenement Funster / Flick of the Wrist / Lily of the Valley – Queen
Odyssey – Dixie Dregs
Take Your Fingers From My Hair – Zebra
Larks Tongues In Aspic Pt. 2 – King Crimson
To Tame a Land – Iron Maiden
Todas ficaram muito boas. Só a do Maiden, que já tinha saído num tributo ano passado, eu esperava mais. A do obscuro Zebra eu nunca tinha ouvido sequer a banda (que agora todo mundo vai ficar curioso e ir atrás), e mesmo esse meddley do Queen eu sinceramente não lembrava de como era.
E o terceiro CD contém versões instrumentais do álbum normal. Um presentão para os fãs, porque é outra sensação poder ouvir tudo sem a interferência das letras. Nada contra o James Labrie, não faço parte do grupo de fãs que detestam o vocalista.
O DT se despede dos anos 2000 com um trabalho excelente, ainda que não perfeito, e deixando viva a sensação que a banda ainda tem lenha para queimar. Agora é só terem a humildade de contratar um bom produtor ou, pelo menos, aprenderem sozinhos a puxar o freio de mão de vez em quando.
Chickenfoot - Chickenfoot
Olha aí! Quem disse que superbanda é sinônimo de chatice, briga de egos e fracasso?
O Chickenfoot é:
Sammy Hagar nos vocais, ex-Van Halen, Montrose
Michael Anthony no baixo, ex-Van Halen
Chad Smith na bateria, Red Hot Chili Peppers
Joe Satriani na guitarra
Os quatro já se conheciam faz tempo, tocando em jams esporadicamente no bar de Sammy Hagar.
Ano passado tiveram a ótima ideia de gravarem juntos, conciliando suas agendas.
Acho que o nome inusitado (pé de galinha) foi até para mostrar que não era o caso clássico de superbanda pretensiosa e condenada ao fiasco. Basta apenas uma audição para entender que aqui a proposta é diferente, com quatro amigos que, por acaso, também são ótimos músicos. A diversão vem em primeiro lugar, por isso o resultado é tão bom.
Você gosta daquele Hard Rock festeiro, bem “pra cima”? Então vai gostar do Chickenfoot. Se tem saudade do Van Halen, então, vai adorar! Não que seja uma cópia, mas em vários momentos, até pelos inconfundíveis backing vocals da dupla Mike-Hagar, a semelhança aparece.
Pode ficar tranqüilo, também, com relação ao Satriani. Ele é só um dos melhores do mundo, consagrado, mas aqui a guitarra dele está 100% a serviço da banda.
Com exceção da chatinha balada Learning to Fall, todo o resto é ótimo. A minha favorita é Get it Up:
Chickenfoot é Hard simples, dos bons, feito por caras que manjam do negócio e não tem egos inflados.
Enquanto isso, Eddie Van Halen continua trancafiado com seu suposto “estoque de músicas novas” que, se ele demorar um pouco mais para lançar, periga se tornar outro Chinese Democracy. O tempo passou e, quando ele finalmente voltar, a responsabilidade agora será ainda maior, graças ao pé de galinha mais valioso da história.
Ano passado escrevi aqui sobre a infeliz decisão do Yes, que teimava em fazer uma tour comemorativa dos seus 40 anos de carreira mesmo sem o vocalista Jon Anderson.
Que, à época, se declarou publicamente “decepcionado e desrespeitado”, não só pelos colegas insistirem em fazer shows como “Yes” sem ele, mas também por não ter recebido sequer um telefonema perguntando sobre sua saúde e recuperação (à exceção do baterista Alan White).
Resumindo a história: sabe quando fica “chato”, aquele clima constrangedor? Pois é.
Os meses passaram, e eu me esqueci do assunto. Até que, dia desses, passei pela Galeria do Rock e, dentro de uma loja, lembrei: ué, e o Yes, que fim será que deu aquela turnê?
Obtive um bootleg com a gravação de um show em Hampton (EUA), gravado em novembro último.
A solução encontrada pelo grupo (a propósito: Alan White, Chris Squire, Steve Howe e o filho de Rick Wakeman nos teclados) foi parecida com a do Journey: convocar Benoit David, vocalista de uma banda chamada Mistery (bem apropriado!) e também de outra que faz tributo ao Yes, chamada Close to the Edge.
Como se esperava, a voz de Benoit é extremamente parecida com a de Jon Anderson. E muito mais limitada, óbvio. Para uma banda cover, está excelente.
Os primeiros shows da In The Present Tour, a fim de amenizar o mal estar com boa parte dos fãs, foram anunciados como “Howe, Squire and White of Yes”.
Mas a solução mais inteligente foi preparar um setlist que fosse interessante para o fã hardcore.
Resgataram músicas do injustiçado Drama, álbum de 1980, o único registro em estúdio sem a presença de Jon Anderson. Tempus Fugit é uma aula de baixo do Squire, e a quebradeira de Machine Messiah não é apenas a mais pesada, mas uma das melhores músicas nesses 40 anos de história do Yes. Dos momentos em que a banda flertou com o Heavy Metal / Hard Rock, esse sem dúvida foi o melhor.
Outras músicas que nunca foram muito executadas ao vivo estão presentes: Parallels, ótimo som do Going For The One (1977), e Astral Traveller, de Time And A Word (1970).
Parallels em NY
Houve espaço também para uma nova música, composta e cantada pelo Chris Squire: Aliens (Are Only Us From The Future). É boa, e parece tirada direto de algum álbum solo dele de 30 anos atrás (sem contar o título, um tanto hippie haha).
Sim, teve também Owner Of a Lonely Heart, daquela fase que o Steve Howe morria de ciúmes, que sempre falava mal mas fazia muito pior em seu Asia.
E Close to the Edge. Ahhhh…
Recentemente a turnê precisou ser interrompida por problemas de saúde com o Chris Squire. Os shows serão retomados em breve, com abertura do Asia (Steve Howe se apresentando com as duas bandas).
E assim o sub-Yes, ou “More Or Less”, tenta seguir em frente. Dos males, o menor: deixaram claro que essa não era uma nova formação, mas um “quebra-galho”. O set é interessante, trazendo momentos interessantes, e o “zé ninguém” que canta não faz feio.
As arestas com Jon Anderson, que está se recuperando e voltando aos poucos a fazer shows solo bem light (esquema banquinho e violão), parecem ter sido resolvidas, e o vocalista já deu a entender que em 2010 pode reassumir o posto.
O que eu queria mesmo é um novo trabalho em estúdio. Magnification foi muito, muito bom, mas já completou 8 anos...
O set list:
Firebird Suite
Siberian Khatru
Your Move / All Good People
Heart Of The Sunrise
Tempus Fugit
Onward
Astral Traveler
Close To The Edge
Parallels
And You And I
Mood For A Day (interrompida)
Clap
Long Distance Runaround/The Fish (Schindleria Praematurus)
Sexta, 15/05, fomos até o Credicard Hall conferir o Black Sabbath.
Estava praticamente lotado.
Ótimo show. Uma aula de Heavy Metal clássico com quem tem autoridade no assunto!
Mas poderia ter sido ainda melhor se alguns detalhes técnicos fossem sanados, e algumas opções dos músicos repensadas.
O som estava estridente, estourado e pode se dizer que até bizarro, com o volume da guitarra aumentando assustadora e repentinamente no meio das músicas. Semelhante ao que acontece no solo da Trashed, do Born Again.
Houve momentos em que o vocal simplesmente desapareceu, como na primeira parte de Bible Black. Os célebres “look out!” na Children of the Sea, pelo menos ali no setor onde estávamos, soaram RI-DÍ-CU-LOS, pois usaram um efeito de eco que fazia o Dio satirizar a si mesmo.
Não culpo mais a casa de espetáculos por esse tipo de problema. Ano passado assisti ao Queensryche na pista, e o som estava perfeito. Até o Dio mesmo, em 2000 ou 2001, também não teve problemas desse nível. Portanto, quem pisou na bola foi a banda, sua equipe, quem montou ou comandou a aparelhagem, sei lá.
Outro ponto negativo foi o chatíssimo solo do Tony Iommi em Heaven And Hell. Eu sei que é uma tradição, um costume que vem desde os anos 70, quando bandas como Rainbow e Led tocavam versões ao vivo de quinze, vinte minutos ou até mais de seus clássicos. Mas hoje, com toda certeza, a imensa maioria dos fãs trocaria os improvisos por duas ou três músicas completas, que fariam uma baita diferença no set.
Que, diga-se de passagem, é inferior ao registrado no DVD Live From the Radio City Music Hall.
Meu amigo e eu pensamos numa mesma alternativa que seria muito mais bacana: o “bigode” fazer um apanhado, um medley com alguns dos seus riffs históricos. Com certeza o público se empolgaria ao ouvir o de Into The Void, por exemplo.
Já o solo do “torturador medieval” Vinny Appice foi muito legal. Mais uma prova de que solos de bateria não são necessariamente chatos: é só saber fazer.
Outro destaque foi a performance do Gezzer Butler. A postura é idêntica à do Ian Hill do Judas Priest, mas o PESO, o punch que sai daquelas cordas, meu amigo... sensacional!
De todos os clássicos apresentados, o que mais empolgou foi Die Young. Time Machine também balançou o Credicard Hall, talvez porque muitos gente ali começou a curtir na época do Dehumanizer.
A maravilhosa Falling Off The Edge of the World compensou um pouquinho as lamentáveis ausências de Voodoo, Lady Evil e Sign of the Southern Cross. Uma pena também que apenas o comecinho de Country Girl tenha sido usado, já no encore.
Do álbum novo, tocaram Bibble Black, Fear e Follow The Tears. Rock´n Roll Angel poderia ser lembrada. Também gostaria que abrissem com Atom & Evil, já que deixaram Computer God de fora. Aliás, é um absurdo esta última ser preterida em favor de I, que de música obscura passou a roubar o lugar de outras melhores do Dehumanizer, como TV Crimes ou a própria Computer God.
Apesar de todos os problemas que eu citei, curti muito. Agora posso dizer, com muito orgulho, que assisti ao Black Sabbath com Dio, que vi Children of the Sea e Neon Knights ao vivo.
Um dos bootlegs que eu mais ouvi na vida é um com essa formação, tocando em 1992 em Boston, e no dia 15 de maio de 2009 ele meio que se materializou para mim.
pérolas!!!
Set List:
01. E5150 02. Mob Rules 03. Children of the Sea 04. I 05. Bible Black 06. Time Machine 07. Drum Solo 08. Fear 09. Falling off the Edge of the World 10. Follow the Tears 11. Die Young 12. Heaven & Hell Encore : 13. Country Girl (só o começo) 14. Neon Knights
Roadie Crew Especial Classic Rock
A Roadie Crew de maio está muito boa pra quem curte bandas antigas.
É edição especial Classic Rock, só com bandas como Blue Oyster Cult, Nazareth, Uriah Heep, Budgie, Rainbow, Thin Lizzy, Triumph, Grand Funk Railroad, Captain Beyond, etc.
O destaque são as três entrevistas com personagens da “família Deep Purple”, em que sobram farpas, e a continuação da biografia do Kiss (além da cobertura sobre o show de SP).
O poster é do Born Again, o álbum do Black Sabbath que os fãs brasileiros idolatram como nenhum outro.
Muito boa leitura para quem gosta do rock pesado dos anos 60, 70 e 80. Para os fãs do Purple, então, é indispensável.
Feriado de primeiro de maio aproveitei para brincar com os “bolachões” daqui de casa.
Dos discos de vinil que são realmente meus, não existe mais nada que já não tenha substituído por CD ou MP3.
Mas dos meus pais, algumas preciosidades permaneciam condenadas ao fundo do guarda-roupa e também da minha memória, do que eu ainda lembrava sobre eles de quando era criança e fazia meu pai arrancar os cabelos... “cuidado com essa agulha, isso aí é caríssimo!!!”.
Dentre muitos álbuns dos maestros Ray Conniff e Billy Vaughn, uma ou outra trilha de novela dos anos 70 e bizarrices, escolhi alguns a dedo para digitalizar.
Melhor fazer isso quando ainda tenho tempo, uma pickup e, principalmente, vontade de fazer.
Detalhe: alguns são realmente raros, tanto que não encontrei praticamente nenhuma imagem das respectivas capas. Quanto mais MP3.
Um deles foi Zizi Barnier – Avec Emotion.
Zizi é uma cantora e dançarina francesa que ama o Brasil, tanto fixou residência no Ceará.
Esse álbum é um show dela de 1987, interpretando clássicos da música francesa, de Charles Aznavour, Edith Piaf, etc.
Gravado no restaurante Inverno & Verão, de São Paulo, a capa é totalmente vermelha, com uma pequena foto da intérprete ao centro. A razão de ser assim é que é um lançamento patrocinado por uma famosa distribuidora de cartões alimentícios.
Ela canta muito, claro. E sim, sim, tem Ne me Quitte Pas.
Outro que meu pai adorava, por coincidência também de origem francesa, é o Concerto Pour Une Voix, de Saint-Preux.
Nunca ouviu falar de Saint-Preux? É um maestro francês que faz o chamado “neoclássico”, ou seja, sinfonias com um enfoque mais pop, que não se prende a conceitos estabelecidos pelos compositores clássicos.
Mas o tal Concerto Para Uma Voz eu duvido que você nunca tenha escutado, já que é famosíssimo, vira e mexe se escuta por aí em alguma reportagem, vinheta, etc.
Tanto que eu nem vou colocá-lo aqui, você pode saciar sua curiosidade no Youtube. Vou deixar outra, tão bonita quanto, só que instrumental. Se chama Prelude Pour Piano e é ao mesmo tempo triste e lindíssima.
Na contracapa ele está muito parecido com um pianista brasileiro, famoso amigo de um tal Charlie Brown.
Lembra que eu falei em “bizarrices”?
A primeira é o Casatschock, o “ritmo sensação do momento na Europa”.
Europa de 1969, claro.
É um ritmo russo que virou moda naquela época. Na contracapa vem até alguns desenhos ensinando a dança casatshock. Você pode ter uma ideia de como é também pesquisando no Youtube.
No caso do meu vinil são versões de músicas populares, como A Banda, Ob-la-di Ob-la-da dos Beatles, o tema de Doutor Jivago e até Those Were The Days, a célebre música de abertura do Show de Calouros do Silvio Santos.
É engraçado como em todas as faixas, lá pela metade a banda quebra o ritmo e entra um “lamento”, como se o coral masculino estivesse reclamando. É fácil imaginar aquele monte de russos barbudos, ala Zangief, encharcados de vodka, reclamando que a banda parou. Mas só ouvindo para entender.
Outro é Eh Toro, com músicas de touradas interpretadas pela banda da aviação espanhola.
Assim como rodeio, eu detesto tourada, considero uma tradição ridícula, arcaica, covarde. Sempre torço pelo touro. Mas independente disso, não vou misturar as coisas, a música não tem culpa e é interessante.
Juca Chaves Ao Vivo, gravado em 1972, é ousado para a época, a começar pela capa:
Ouvindo hoje, claro que perde muito da graça, até porque muitas das piadas do nosso menestrel citam personalidades e situações que soam estranhas a quem não viveu aqueles anos de ditadura.
Mesmo assim, Sou Sim, E Daí, com a célebre “essa é a vida que eu sempre quis, eu sou cornudo mas eu sou feliz”, ainda pode render boas risadas.
Mas o grande motivo que me fez tirar esses vinis do fundo do baú foi esse aqui:
Stereo Espetacular, da gravadora Audio Fidelity.
É uma demonstração do então impressionante recém-lançado efeito estéreo, a grande novidade daquele fim de anos 60, começo dos 70.
Não sei se você se lembra, mas os discos do Beatles, por exemplo, foram gravados originalmente em Mono. Até hoje, em tempos de Blu-Ray, HDMI e som 5.1, alguns fãs rejeitam a separação entre canais esquerdo e direito que o efeito propicia. O Milton Nascimento é um que eu já vi falando sobre isso.
Este álbum contém, no Lado A, amostras de outros discos de efeitos sonoros da mesma gravadora. Não em seqüência, burocraticamente, mas com a explicação bem humorada de um narrador.
No caso da versão brasileira, a voz é do locutor Franco Neto, na época da Rádio Bandeirantes e que depois foi para a Jovem Pan AM, onde permanece até hoje.
Quer ouvir um texto muito bonito narrado por ele? Então escute Paradoxo.
Lá por 1987, 1988, quando meu primo vinha aqui em casa nós chorávamos de rir com os tais efeitos.
Os mais engraçados eram o de um caminhão de bombeiros saindo em disparada e um de metralhadora da Segunda Guerra, com um grito louco de kamikaze e a esperada explosão no final.
Às vezes colocávamos as caixas de som perto da janela do banheiro, que dava saída para o quintal de uma outra casa, só para assustar o vizinho japonês com o som dos tiros. Espero que ele não se importe se ler isso um dia.
Estou disponibilizando o Lado A digitalizado. Clique aqui para fazer o download.
Se você tiver problemas para baixar o arquivo, por favor me avise.
Fiz o melhor que pude, levando em conta as condições do meu vinil e da agulha da minha pickup, que não é das melhores (a do som da minha sala, muito mais antigo, era infinitamente superior). Algumas “derrapagens” eu não tive como evitar.
Você também pode baixar uma versão narrada em inglês, mas com som melhor, aqui:
Existem outros que eu ainda estou pensando em digitalizar, ou tentar encontrar em CD, o que me pouparia um bom trabalho. Por exemplo, a trilha de A Pantera Cor de Rosa, do Henry Mancini.
Agora quero mexer no meu acervo de fitas cassete. Mas antes preciso arrumar o meu som, que não roda uma fitinha dessas a quase dez anos.
Heaven And Hell Black Sabbath - The Devil You Know
Usando o pseudônimo Heaven And Hell, o Black Sabbath finalmente lança um álbum inteiro de inéditas.
O anterior foi o fraco Forbidden, de 1995, ainda com Tony Martin nos vocais. Depois disso, um decepcionante retorno com a formação original, que após mais de 10 anos rendeu apenas duas composições novas, incluídas como bônus no ao vivo Reunion, e mais três ano retrasado, para a coletânea que abordou apenas a fase com Dio.
Quando eu chamo de decepcionante o retorno com Ozzy, é porque eu esperava que fosse uma volta com tudo mesmo. Algo como o Iron Maiden fez, ou seja, gravando novos álbuns e seguindo em frente com dignidade.
Não foi isso o que aconteceu: Ozzy e sua “dona”, a asquerosa Sharon Osbourne, condenaram o BS a passar o resto dos seus dias como uma verdadeira atração de circo, como se fosse uma atração qualquer do seu festival itinerante Ozzfest.
Nada de músicas novas, nada de mudanças no set, praticamente nada de tours fora dos EUA... frustrante.
O tédio e a morosidade ficaram tão insuportáveis, conforme os próprios Tony Iommi e Gezzer Butler confirmam nos extras do DVD Live From Radio City Music Hall, que a solução para não terem de tocar Iron Man e Paranoid pela milionésima noite seguida foi recrutar Dio e Vinny Appicee sair em turnê se concentrando apenas no material dos álbuns Heaven And Hell (1980), Mob Rules (1981) e Dehumanizer (1992), ou seja, um set list 100% diferente do que vinham tocando nos últimos 10 anos.
Após o grande sucesso do DVD ao vivo, lançado em 2007, eles decidiram continuar juntos por mais algum tempo, e o resultado é o ótimo The Devil You Know.
Conforme declarações recentes, o título é justamente o que os fãs mais atentos já haviam notado: este é sim o “velho diabo” que você conhece e gosta. Pode chamar de Black Sabbath à vontade, porque É!
Todo aquele peso e som arrastado, característico dos álbuns com Dio, estão de volta. Atom And Evil já abre o disco com uma paulada do “pancadeirista” Appice, que martela a bateria com gosto! Maravilhosa!
Fear tem um riff sensacional do mestre Iommi (novidade...). O solo é lindo, e o efeito no vocal do Dio durante o refrão também!
Em seguida vem a que está se destacando como a preferida dos fãs: Bible Black. Uma típica música que começa linda, como balada, e logo se transforma no chamado arrasa-quarteirão.
Double The Pain, que começa com uma intro do Gezzer, só não tem refrão marcante, mas no resto é perfeita. Rock And Roll Angel já se aproxima ainda mais da sonoridade anos 80, e conta com mais um solo lindo do “bigode”.
Só após The Turn Of The Screw, outra com um senhor riff, vem a primeira com andamento rápido: Eating The Cannibals. Essa me lembrou a TV Crimes do Dehumanizer.
Até aqui, a sonoridade é a mais BS possível. A primeira surpresa surge no riff que inicia Follow The Tears, com uma afinação mais moderna e que me lembrou Bruce Dickinson solo ou até o Judas Priest da fase Ripper Owens. Ao lado de Bible Black, outra candidata a virar clássico.
A velocidade volta com Neverwhere, que parece uma homenagem ao Mob Rules de tanto que se assemelha no estilo. Quem até aqui estava sentindo falta de alguma coisa na linha de Neon Knights ou Turn Up The Night vai adorar essa!
Breaking Into Heaven encerra tudo trazendo de volta o clima arrastado que caracteriza The Devil You Know. Será essa música a despedida definitiva dessa encarnação maravilhosa do Black Sabbath?
Não sei, mas o que tenho certeza é que prefiro ver os pais do Heavy Metal dizendo adeus assim, a ficar esperando o Sr. Reality Show tomar vergonha na cara e aceitar gravar algo novo. A cada ano que passa tenho mais respeito e admiração por Iommi, Dio e Gezzer, e menos por Ozzy e sua esposa monstruosa, que faz dele um fantoche patético e decadente.
Ah, e outra certeza é que em maio estarei lá no Credicard Hall batendo palmas pessoalmente para os mestres.
Sábado desses fui ao show do Beatles 4ever no teatro do SENAI, aqui em São Bernardo, que está oferecendo espetáculos com entrada franca.
Foi ótimo. Versões perfeitas e muitíssimo bem executadas, em ordem parcialmente cronológica, vestimentas fieis às três principais fases da banda, e o que contou pontos: muito bom humor, com piadinhas preparadas especialmente para fãs (a melhor foi o “John Lennon” reclamando “pois é, me ressuscitaram, beleza, aí olho pra trás e quem está atrás de mim??? Yoko!”, referindo-se ao tecladista Edson Yoko).
O teatro é mais confortável do que eu esperava, e superlotou, com público sentado no chão sem o menor sinal de reclamação, afinal todos ali sabiam do carinho com que os clássicos da maior banda de todos os tempos seriam tratados.
A propósito: NÃO tocaram Yesterday! É sério, vou repetir: não teve a música mais regravada do Planeta Terra. Eles desprezaram, cagaram para Yesterday. Caso você não tenha se dado conta da gravidade do negócio, imagine... bom, imagine algo um pouquinho mais grave do que o A-Ha fazer show aqui no Brasil e não tocar Touchy...
O que eu imagino é meu pai reclamando, já que era a música preferida dele.
Falando sério agora: teve sim, claro Hey Jude. Teve Help, teve a emocionante A Day in the Life, Strawberry Fields, Magical Mistery Tour, Something... foi ótimo o set. Senti falta de algumas, obviamente: Ticket To Ride, Revolution, Penny Lane… impossível fazer um show que agrade a todos.
Epa, impossível mesmo? Sabia que eles já fizeram uma maratona de 1 dia inteiro tocando o repertório COMPLETO dos Beatles? Todas as músicas de todos os discos, já imaginou?
Sensacional. Recomendo a qualquer pessoa que realmente goste de rock, que queira apreciar um pouco da história do rock, que não deixe de ir aos shows dessa turma.
Muito bom o álbum novo do maior patrimônio irlandês de todos os tempos!
A princípio até achei um pouco inferior ao How to Dismantle an Atomic Bomb. É nada: está tão bom ou melhor!
Com exceção da chatinha Cedars of Lebanon, que felizmente foi jogada para o final, e o primeiro single, Get On Your Boots, todo o restante é muito bom.
O anterior foi muito baseado em estruturas mais básicas, a famosa “volta às raízes” que eles estavam precisando. Mas para o próximo, já tinham avisado que dariam um passo adiante.
E se renovaram mesmo.
Apesar que não chega nem perto de ser uma guinada de 180º como a que eles deram em 1991, de jeito nenhum. No Line on the Horizon é uma mistura bem equilibrada entre o U2 do Achtung Baby e o dos anos 80.
Já está “bom demais além da conta”, não acha não???
A faixa-título já abre com tudo usando essa mistura: tem a guitarra e o clima do Achtung, somados a um pianinho e um “ow-ow-ow-owwww” na linha vocal que são bem old-school.
Magnificent tem aquele timbre que você escuta 5 segundos e já sabe que é o The Edge. Uma música simples e primorosa, que deve levantar o público nos estádios e que tem tudo para se tornar um clássico.
Além dessas duas, outras que merecem aplausos: as lindíssimas baladas Moment of Surrender e White as Snow, esta última com uma introdução de baixo que parece o Iron Maiden (!), e cuja letra é sobre os últimos instantes de vida de um soldado agonizando no campo de batalha; Unknow Caller, outra com um “ow-ow-ow” típico dos 80; a misteriosa Fez-Being Born, que soa como algo eletrônico antigo, meio Depeche Mode; e Breathe, com um riff mais pesadinho e quase Hard Rock, lembrando talvez Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me.
Ah, e o Bono Vox está cantando muito. Repare como ele solta a voz com gosto em Moment of Surrender, por exemplo.
Ótimo disco. E se você se interessar sobre detalhes da gravação, que incluiu sessões até no Marrocos, recomendo a edição de março da Rolling Stone brasileira.
U2 é uma banda que eu gosto muito mais hoje em dia. Pena que, quando rolar show aqui, vai ser muito difícil de eu ir.
Queensryche - American Soldier
Em 2003 eu achava que o Queensryche encerraria as atividades a qualquer momento, após tantos trabalhos medíocres e uma forte queda de popularidade.
Em 2006 veio a redenção, com a excelente segunda parte do Operation Mindcrime. Tudo bem, claro que não teve a mesma qualidade do original, mas, para uma banda em franca decadência, foi sim uma grande volta por cima.
Logo após Take Cover, a irregular coletânea de versões, Geoff Tate anunciou que seu próximo projeto seria conceitual e consistiria em transformar em música entrevistas de veteranos de guerra, que ele estava coletando pessoalmente.
Cada música seria uma história vivida por um americano que tivesse lutado na Segunda Guerra, Vietnã, Coréia, Golfo, etc.
Não deixa de ser um conceito interessante, mesmo que sujeito a clichês inevitáveis para o tema: frustrações, saudade da família, remorso, companheirismo, heroísmo. Mas teria como fugir disso? Acredito que não, até porque são histórias verídicas, então se os chavões acima incomodarem algum ouvinte ao ponto de se rejeitar o trabalho, que este reclame com a realidade, não com a banda.
Musicalmente, de certo modo foi um passo atrás. American Soldier é excessivamente cadenciado, não possuindo músicas realmente aceleradas e diretas, então soa como uma mistura entre o sombrio Tribe (2003) e o melancólico Promised Land (1994).
Lampejos de Operation Mindcrime 2 aparecem em At 30 Thousand Ft., Killer e A Dead Man´sWords, com um clima soturno bem cinematográfico. Essa tem até um sax, aquele instrumento maldito que devia ser proibido por lei de ser usado por bandas pesadas. Mas é só no finzinho, bem discreto, e admito: combinou.
Já o Queensryche dos anos 90, pós-Empire, aparece em Remember Me, If I Were King, e Middle of Hell. Se você gostou do lado bom de Hear in the New Frontier, ou mesmo Speed of Light do OM2, deve curtir essas.
Há muitas falas e narrativas extraídas das entrevistas. Unafraid chega ao ponto de ter apenas o refrão cantado pela banda.
A mais pesada e direta é Man Down, a única onde o ritmo acelera. E Home Again é o contrário, o momento mais calmo e bonito, contando com participação especial da filha de 10 anos de Tate e lembrando o dueto em All The Promisses, que encerra a saga de Nikki.
É um bom álbum, mas que exige muitas, muitas audições para que você perceba os bons momentos. Não é difícil no começo achá-lo monótono, repetitivo e chato. Depois você vai percebendo naturalmente os destaques individuais de cada música.
Saxon - Into The Labyrinth
Infelizmente, o novo do Saxon não conseguiu manter o nível do anterior, o excelente The Inner Sanctum.
Tem o mesmo problema do Lionheart, ou seja, um álbum certinho, mas muito burocrático.
Os riffs, o peso, a velocidade, está tudo ali ainda. Só faltou a inspiração. É o tipo de álbum que você não consegue dizer que é ruim, mas que também nunca chegará nem perto de ser um clássico.
O que não derrapa nunca é o vocalista Biff Byford, que carrega a banda nas costas com a habitual competência, independente da criatividade não ter comparecido às gravações.
As melhorzinhas são a faixa de abertura, Batallions of Steel (já reparou que as músicas que iniciam os álbuns do Saxon estão sempre entre as melhores, ou pelo menos dentre as que se salvam?), Live to Rock, a rápida Demon Sweeeny Todd, Valley of the Kings e Come Rock of Ages, que, apesar do riff pesadão no começo, no resto é totalmente fim de anos 80.
O show do Maiden em SP neste último domingo vai ficar marcado, não só para mim mas também para a maioria, acredito, pela total falta de respeito dos organizadores.
Meidi é Meidi!
A apresentação propriamente dita foi conforme o esperado, ou seja, ótima, no nível que os fãs sabem que podem esperar de uma banda que valoriza quem a reverencia e a colocou onde está hoje.
O set perdeu muito com a saída de Moonchild, Heaven Can Wait e Revelations, porém Phantom of the Opera e Children of the Damned sozinhas já valeriam o ingresso para os verdadeiros fãs. Essas duas, mais a provável despedida dos palcos de Aces High, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner, compensam a monotonia de Sanctuary, 2 Minutes To Midnight e outras tradicionais dos set lists.
A Phantom ao vivo era como um sonho para mim. A versão do Live After Death é a que eu considero a mais perfeita, uma vitrine sonora do que foi o auge do Iron Maiden. Pena que o “pula-pula” tenha estragado um dos solos do Adrian Smith...
Além delas, Run to the Hills foi outro grande momento. Incrível ver aquele mar de gente acompanhando o refrão. E Fear of the Dark justificou mais uma vez sua bizarra presença nessa tour específica com o habitual entusiasmo da platéia.
A produção de palco realmente esteve mais completa em relação ao ano anterior, apesar que a chuva prejudicou os fogos de artifício. O fogo vermelho atrás do Bruce durante a Powerslave foi sensacional.
Enfim, grande show, como sempre se espera da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos.
Já a organização...
Mondo é...
Cheguei a Interlagos por volta das 17h. Encontrei rapidamente o pessoal da Brazil Under Ice, troquei meu voucher pelo ingresso (essa parte surpreendentemente sem problemas, diga-se) e fui para a fila.
Aparentemente ela descia a rua em frente ao Portão 8, o único designado para a entrada, chegava até a esquina, numa “barriga”, fazia uma rápida curva e já retornava para a área de acesso.
Há-há: pegadinha, meu chapa! Ao chegar na tal esquina, a já grande e desorganizada fila não retornava, mas dobrava à esquerda, descendo a avenida ao lado a perder de vista. Pouco adiante, ela se desmanchava, pois não havia isolamento nenhum, era cada um por si e quem quisesse um lugar mais à frente, que corresse e se virasse.
Eu e milhares de outros fãs percorremos, perplexos, kilometros e kilometros até alcançarmos o final dessa bendita fila (e quando eu falo “fila”, imagine montinhos de 3 ou 4 lado a lado).
Ela descia toda a avenida ao lado do autódromo, contornava um quarteirão, retornava à avenida, passava ao lado de uma favelinha e finalmente terminava numa área mais erma, próxima a uma construção. Após tamanha peregrinação, os que ali chegavam vibravam e até tiravam foto, como se tivessem marcado um gol.
A vizinhança observava das garagens o triste espetáculo entre risos e irritação devido ao forte cheiro de urina.
Para você ter uma idéia, eu levei uma meia-hora apenas para chegar a esse final. Eram por volta de 19h, e todo mundo já percebia que seria impossível o show começar no horário marcado com toda aquela multidão de fora.
Consegui entrar eram mais de 21h, e Aces High já havia começado. Confesso que foi até emocionante aquele povo todo correndo pelo verdadeiro labirinto de tapumes até chegar a pista, e esse som ao fundo.
Chegando lá, era impressionante não só a quantidade de gente, mas também de lama. A (des)organizadora não se preocupou em cobrir nada, transformando o principal autódromo do país que vai sediar uma Copa do Mundo num verdadeiro pântano. Pelo menos a área possui um declive, e quem ficou mais atrás pôde ver o palco inteiro com tranquilidade.
Ou quase: uma das tendas de merchandising foi montada muito à frente da pista, encobrindo a visão da maioria.
E os ridículos telões, estragados pela chuva?
Mas não parou por aí.
Pior que a gigantesca fila, a saída trouxe transtornos para todos. Novamente havia apenas uma saída, e com mais de 60 mil fãs tentando passar pelo mesmo “buraco”, imagine a situação. Já prevendo isso, eu abri mão de The Evil That Men Do e Sanctuary, comprei um pôster (muito bonito, lembrando um tourbook) e já fui saindo. Pelos relatos que li, foi necessário derrubar uns tapumes para “afrouxar” um pouco a saída e se evitar um pisoteamento.
O ponto começou a superlotar, pois só passava ônibus de uma linha e a cada 10 minutos. Quem estava ali e precisava chegar a uma estação de metrô, como eu, estava largado à própria sorte.
Quando já se aproximava da meia-noite, um rapaz escutou eu falando o nome da estação para onde eu ia, a mesma que a dele, e sugeriu que rachássemos um Táxi. Foi a solução, e ainda tivemos muita sorte de pegar o último trólebus que vinha para S. Bernardo.
Com certeza muita gente ficou sem ônibus / metrô, precisou pedir carona ou esperar amanhecer e os transportes voltarem.
É uma pena que hoje o número de shows internacionais de grande porte tenha aumentado, mas o respeito ao público que sustenta essa engrenagem toda só tenha regredido. Já fui a muitos shows grandes, mas nunca tinha presenciado tamanho desleixo.
A organizadora, que tratou seus clientes feito GADO, hoje divulgou uma lamentável nota pedindo desculpas pelo ocorrido, mas sem admitir claramente seus erros.
Em resumo, reconhece os problemas, mas diz, nas entrelinhas, “não foi nossa culpa, não temos nada a ver com isso”. Chega ao ponto de culpar o próprio "trouxa" que perdeu algumas músicas porque, ora, “chegou atrasado”.
Mas, realmente, depois de tudo o que vi neste domingo, não podia esperar desfaçatez maior vinda desse pessoal. O que eu podia esperar de quem cobra ingressos a preços estratosféricos, com um sistema de vendas mais flanelinha ainda que a Ticketmaster, e ainda economiza em cordões de isolamento, sinalização e tapumes?
Agora é aguardar o próximo, que deve ser em 2011, segundo o Bruce Dickinson. Tomara que os promotores criem vergonha na cara até lá.
Bem legal essa banda, que teoricamente toca o chamado death metal melódico.
Os resquícios de death ficam mais pelos vocais guturais mesmo, porque no instrumental passa longe. Está mais para um prog metal com influência de metal extremo, mesclando vocais guturais com normais. É como uma mistura de Symphony X com Fear Factory e Arch Enemy.
Em várias momentos é possível perceber a mistura dessas três bandas que eu citei. Por exemplo, The Three-Dimensional Shadow, Morphogenesis e na faixa-título.
Achei interessante. Nesse estilo, muito melhor que In Flames, por exemplo.
Journey - Revelation
Ano retrasado, quando o ótimo Jeff Scott Soto passou voando pelo Journey, pensei: ué, o que será que aconteceu? Ele é muito bom, por que será que não quiseram mantê-lo?
A resposta é esse Revelation. Tá na cara: os outros integrantes encontraram um CLONE de Steve Perry!
O nome do sujeito é Arnel Pineda. Ele cantava covers numa banda filipina e chamou a atenção dos fãs no Youtube.
A semelhança dele com o vocalista clássico da banda é ainda maior que no caso Ripper Owens / Rob Halford. Tanto que a edição que eu ouvi vem com um segundo CD só com os maiores clássicos regravados. É incrível como ficou igualzinho! Em caso de dúvida, compare Dont Stop Believin e Separate Ways com as versões originais.
Quanto à banda em si, continua a mesma coisa. Pode até ser tachado de brega, datado, mas é melhor e mais caprichado que muita banda atual. Never Walk Away lembra Van Halen (fase Sammy Hagar) e Like A Sunshower é linda. E a última, The Journey (Revelation), é a instrumental onde o vocalista sai de cena para deixar os amigos soltarem suas lombrigas progressivas. Lembra o Yes da fase Trevor Rabin, e Steve Vai também.
Se você quer um CD de Hard Rock (AOR) que pega leve, com clima de anos 80 e ideal para ouvir na estrada ou num sábado enquanto lava o carro (?), recomendo!
Believe - Yesterday Is a Friend
Essa banda é polonesa. Mas como não sou o Massari, não é só por isso que vou falar que é boa.
Não sei se é possível classificá-la como metal progressivo. É um som sinistro, triste, mas nada é escancaradamente pesado. E as guitarras são utilizadas com sutileza, inclusive dividindo espaço com um violino.
É mais soturno e depressivo do que virtuose, e mesmo assim as músicas são fáceis de assimilar. What They Want Is My Life e Mistery is Closer são duas que você escuta uma vez e já memoriza.
Se você gosta da vertente do Tool, Riverside, Pain of Salvation, pode conferir o Believe também.
Black Tide - Light From Above
O Black Tide está sendo "hypado" como a nova esperança do metal americano.
Fizeram um bom cover da Prowler no tributo da Kerrang ao Iron Maiden, que eu já comentei aqui.
Sinceramente, não vi nada de mais. Me lembrou muito a NWOBHM, um som bem simples. Até aí, tudo ótimo, mas não tem brilho, não tem aquelas músicas especiais que te fazem querer apresentar a banda aos amigos.
Potencial tem, e se você imagina que é uma banda de garotos de 20 anos (o vocalista tem 15 ou 16) tentando fazer Heavy Metal tradicional nos EUA, merece respeito. Mas não é nada que outras bandas novatas já não façam melhor (Trivium, por exemplo). De chamativo mesmo, só o cover da Hit The Lights (Metallica).
Kaiser Chiefs - Off With Their Heads
Outro álbum muito legal desses caras! É simples, é POP, mas tem qualidade!
Ano passado o Angry Mob foi ótimo, adorei. Esse novo é um pouquinho inferior, mas ainda muito bom. Li uma resenha falando que perderam a manha de criar hits... besteira: isso aqui é CD "chiclete", e no máximo na segunda audição você já decora as músicas. Tem vários potenciais hits aqui sim.
Engraçado que me lembrou mais Ramones que o anterior, tanto em alguns vocais quanto na letra de Never Miss a Beat, que é Ramones puro. Vários momentos são bem anos 80 também (Duran Duran, Clash, Talking Heads, etc), talvez por isso eu tenha me identificado.
Se você quer alguma coisa atual, que seja ROCK mas sem ser essas porcarias "indie", ou imundices emo, e nem seja hard ou metal, recomendo!
Guns N´Roses - Chinese Democracy
Ah??? O quê??? Saiu mesmo essa joça???
Bah, então perdeu a graça. Certas coisas são muito melhores quando não acontecem. É como o Rubinho: se ganhasse um campeonato mundial, o preço seria caro demais, o fim de um personagem, a perda do carisma.
Chinese Democracy já foi tão avacalhado antes mesmo de nascer, já chega tão ridicularizado, que com certeza vai apanhar feito boneco do Judas em todo lugar, nem que seja por inércia.
E não é para tanto. Se você encará-lo como um álbum solo do Axl, automaticamente ele se transforma num produto muito mais decente. Medíocre, mas longe de ser um vexame.
Durante os mais de 10 anos de gravações e outros tantos milhões de dólares contribuindo para afundar ainda mais sua gravadora nessa época de MP3, Axl contratou um batalhão de zé ninguéns e mercenários para ajudá-lo. E lógico, nenhum deles com o talento de Izzy e Slash. Nesse sentido talvez seja o álbum mais bagunçado desde o Union, do Yes, em que hoje nem os próprios integrantes conseguem identificar quem gravou tal trecho. Só por isso já seria muito melhor o Axl lançar como projeto solo.
Problema maior é que as composições em si não tem nada a ver com Guns. Não é a mesma banda que gravou Rocket Queen, You Are Crazy, Mr. Brownstone, etc. Quase tudo é num andamento moderado e superproduzido, como se Axl quisesse mostrar o tempo todo que está amadurecido, adulto.
Quando ele tenta fazer algo mais heavy, mais como nos velhos tempos, comete "troços" como a ridícula Shackler's Revenge, com uns barulhinhos que deveriam ter sido esquecidos junto com o Nu Metal.
Outra coisa que testa a paciência são as irritantes batidas eletrônicas que aparecem enchendo o saco a todo momento. Será que ninguém teve peito para avisá-lo que isso não deixaria o álbum mais moderno? Quando o Guns estava no auge, lá por 1990, 1991, isso de fazer rock misturado a batidas dançantes virou moda, com bandas como Happy Mondays, Soup Dragons e outras. Do que adianta ficar com medo de emular sua sonoridade antiga, se você usa no lugar um truque mil vezes mais datado?
Mas, como eu disse, não é tão ruim assim. Tem momentos bons, como Better, Street Of Dreams e I.R.S. A If The World também é bacana, com cara de filme de 007 (um milhão de vezes melhor que aquela imundice Die Another Day, por exemplo). Para quem gostava do Guns de November Rain e Coma, Chinese Democracy não é "perda total".
Ah, e o Axl está cantando muito, muito mesmo! Esse detalhe foi o que mais me surpreendeu, porque ele faz a garganta funcionar como (aí sim!) nos bons tempos. Nesse ponto, ainda é como antes.
Quando surgiram os boatos de que a banda voltaria mesmo sem um dos vocalistas mais insubstituíveis de todos os tempos, eu também fiquei irritado. Falou-se que George (eca!) Michael (ECA!!!) assumiria o posto (acabou assumindo outras coisas...), e o ótimo Jeff Scott Soto também foi citado entre os possíveis substitutos.
Mas, peralá: será que valia a pena cogitar uma volta do Queen sem o Freddie Mercury? Isso não parece tão nonsense quanto Beatles sem John Lennon?
Menos mal é que tiveram o simancol de deixarem claro que se trata de Queen AND Paul Rodgers. Aquele Queen clássico, que nunca sequer passou por uma mudança de formação em todos os seus álbuns, obviamente está morto e enterrado. Eles também sabem disso, não querem ludibriar ninguém e já deixam claro na capa e em todo material de divulgação. Detalhe que, por exemplo, o “Thin Lizzy” de John Sykes não se preocupa.
Há cerca de 3 anos o grupo (sem o baixista John Deacon, que não condenou a idéia mas não estava a fim de voltar à rotina de uma banda de rock) fez uma bem sucedida tour, registrada no ao vivo Return of the Champions. E agora lançaram esse The Cosmos Rocks.
É bem o que se poderia esperar da união do Queen com Bad Company, a antiga banda do Rodgers. Não ficou com cheiro de caricatura, com o vocalista tentando imitar uma lenda como o Mercury. Existem sim momentos em que é possível imaginá-lo cantando, onde ele se encaixaria perfeitamente, como Time To Shine. Mesmo assim, aqueles backing vocals característicos, uma das marcas registradas do Queen, nem são usados com tanta freqüência.
Apesar do título, há muito mais baladas do que músicas agitadas ou pesadas. São muitos momentos cadenciados, e eles mandam bem especialmente em três: Small, We Believe e Some Things That Glitter, três baladas realmente muito bonitas.
Through The Night também é bela, e uma das que mais mostram como seria o Bad Company com a guitarra do Brian May.
No lado mais Hard / Classic Rock, duas que se destacam são Cosmos Rockin e Warboys, justamente a abertura e o encerramento. O single, C-Lebrity, também é pesado, mas não gostei.
Não é um álbum perfeito, maravilhoso: é apenas um bom disco do que hoje se classifica como “classic rock”, com uma sonoridade 100% final dos anos 70/começo dos 80. Mas é muito melhor ver esses caras lançando material novo, seja lá com qual nome usarem (Queen Turbo, Queen Reloaded, Princess, etc), do que um puta guitarrista como o Brian May ficar parado. E se for com um sujeito “do ramo”, como o Paul Rodgers, tudo bem.
AC/DC - Black Ice
"Tudo que você precisa saber sobre o AC/DC é isto: nós paramos de crescer musicalmente quando tínhamos 17 anos. Quando você tem 17, você escreve músicas as quais você espera que atraiam outros jovens de 17 anos. E nós ainda escrevemos músicas para jovens de 17 anos."
Quem fala isso é o Angus Young, guitarrista e alma dessa lendária banda. E, apesar de a música dele certamente não atrair apenas jovens de 17 anos (infelizmente a maioria dos jovens de 17 em 2008 acham que Fresno e NX Zero são o Rock...), ele define bem o que é o AC/DC: eles vão fazer o mesmo som eternamente, goste você ou não, queiram os críticos de plantão ou não.
E será que eles estão errados? Será que alguém, em sã-consciência, espera algum dia ouvir um AC/DC “maduro”, flertando com jazz ou escrevendo letras “adultas”? Quando o Angus baixa o calção escolar e mostra a bunda nos shows, a mensagem é clara: fazemos o que amamos, nossos fãs adoram isso, vamos continuar assim e foda-se quem não gostar.
Black Ice é um dos melhores álbuns de 2008 por ser extremamente simples, agradável e eficiente! São quinze músicas que passam voando, sendo que nenhuma chega aos cinco minutos. Ironicamente, é até uma pena isso, porque algumas poderiam ser um pouquinho mais longas, como Rock ´n Roll Dream.
Aliás, nada menos que quatro possuem Rock´n Roll no título, e a carro chefe é uma delas: Rock´n Roll Train já nasceu clássica!
Não há muito o que falar: o disco inteiro é bom, “pega” rápido, é lotado de bons riffs (claro) e é um caso raro de álbum de banda “dinossauro” que soa tão bom quanto os seus clássicos. Aula de Hard Rock.
AC-DC é tão legal que mereceu até uma versão do clipe de Rock´n Roll Train no Excel!!! Olha que coisa de doido (as macros precisam estar ativadas para que funcione).
Abaixo segue a tradução livre de um bilhete encontrado no bolso de um empresário musical sueco:
“Querido amigo, a coisa tá preta. Faz quase 10 anos que você não lança um disco decente, e a chapa tá esquentando pro seu lado. Você já foi considerado um TOP 3 mundial da guitarra, e hoje já tem fã achando que você dedilha as cordas usando luva de madeira.
Seguinte: você vai tomar as seguintes providências:
1-contrate um produtor de primeira e dê carta branca a ele;
2-ouça novamente Rising Force, Marching Out e Seventh Sign;
2-jure, por escrito, que nunca mais vai fuçar naqueles botõezinhos da mesa de som;
3-aqui está o endereço de um sujeito bacana: Andy Sneap;
4-quando quiser um som mais prog, anota aí: Arjen Lucassen. Esse nem mora tão longe;
5-cuidado: Ripper Owens é como o Lula: popular, mas não é Midas, que onde toca vira ouro;
6-escute mais um pouco Rising Force, Marching Out e Seventh Sign. Notou a diferença?
7-pare com essas capas ridículas! pelo amor de deus cara!
8-desista, você não é cantor; reserve essa voz de bêbado às sessões de karaokê com seus puxa-sacos;
9-já que não quer o Jeff, chame pelo menos o Michael Vescera;
10-só lance um álbum novamente quando possuir composições dignas da sua carreira.”
Infelizmente, ele morreu atropelado e não conseguiu entregá-lo ao seu destinatário.
E eis que, em outubro de 2008, Perpetual Flame chegou às lojas.
Programa Music Box
Estreou dia 15 último o programa Music Box, na emissora UPTV.
Transmitido exclusivamente online, vai ao ar às 18h, toda quarta-feira, e é apresentado por Melissa Stranieri e Marina Senedesse. A Marina é vocalista da banda Seven Notes, antigo Aura, que fazia covers do Nightwish e Evanescence É um programa de entrevistas voltado ao meio musical. Já participaram a banda folk Merrow, o DT Cover (Dream Theater) e o Seventh Seal, banda de metal famosa na região do ABC Paulista. O próximo é imperdível: Beatles Forever! Esse eu não perco.
O link da emissora: http://www.uptv.com.br. O vídeo do programa mais recente fica em arquivo.
Sou obrigado a reconhecer: por mais que goste do Ripper Owens, o Iced sempre soará melhor com Matt Barlow, não tem jeito.
Os fãs mais hardcore acharam que não está no mesmo nível dos clássicos, mas por mim está ótimo assim mesmo. Realmente ele não traz novidades, até por ser a terceira e última parte da trilogia Something Wicked, mas, justamente por ser tão fiel à fórmula consagrada, mantém a banda diferenciada frente a outras similares.
Momentos que eu adorei: as “cavalgadas” animais em The Revealing; a belíssima A Gift or a Curse; The Dimension Gauntlet, novamente com palhetadas sensacionais na guitarra, além de backing vocals que fazem toda a diferença; I Walk Alone, com aquele clima grandioso e épico; Crucify The King, uma AULA de Heavy tradicional, e a última, Come What May, com uma performance emocionante e sensacional do Matt. Se você quer saber o tanto que esse cidadão canta, escolha essa!
Tomara que o Matt possa se dedicar 100% ao Iced, esquecendo essa história de ser policial.
Maiden Heaven - A Tribute To Iron Maiden
Ainda estou pra ver um tributo ao Maiden que seja 100% bem sucedido. Incrível como Maiden é difícil de fazer cover bom.
Este foi organizado pela revista inglesa Kerrang. Não é nenhuma maravilha, mas pelo menos não é um VEXAME como aquele tenebroso Numbers of the Beast, e tem versões interessantes. O tracklist tem algumas que chamam a atenção só de ver quem toca:
1- Black Tide - Prowler. Bem fiel. Ficou legal.
2- Metallica - Remember Tomorrow. EXATAMENTE como soaria o Metallica, numa garagem, tocando Maiden num ensaio, sem muita pretensão.
3- Avenged Sevenfold - Flash Of The Blade. Mesmo caso da Prowler.
4- Glamour Of The Kill - 2 Minutes To Midnight
5- Coheed And Cambria - The Trooper. Duas bem ruinzinhas, principalmente pelos vocais. The Tropper tem que ser interpretada com RAIVA, não com pompa, BARALHO...
6- Devildriver - Wasted Years. Justo essa com vocais de Black Metal? Haha! Até que ficou divertida…
7- Sign - Run to the Hills. A primeira bizarra, totalmente diferente da original. Adorei!
8- Dream Theater - To Tame A Land. Essa decepciona, porque esperava mais capricho, principalmente do Labrie.
9- MadinaLake - Caught Somewhere In Time. Outra do time das bizarras. Nada a ver com a original. Ficou meio Evergrey, meio Paradise Lost, com um clima gothic. Curti muito!
10- Gallows – Wrathchild. Tosca ao ponto de parecer com Gangland no início.
11- Fightstar - Fear Of The Dark
12- Machine Head - Hallowed Be Thy Name
13- Trivium - Iron Maiden. Essas 3 são bastante fiéis e boas, e a do Machine Head realmente ficou matadora.
14- Year Long Disaster - Running Free. Fidelíssima à versão original, até na produção.
15- Ghostlines - Brave New World. Você já imaginou Iron Maiden estilo Bossa Nova? Merece destaque não só pela escolha da música, da muitas vezes menosprezada fase recente, mas também pela ousadia. Claro que não se trata literalmente de Bossa Nova, mas sem dúvida é o mais próximo disso que um cover deles já chegou. E sem fazer feio (eu não gosto nada de Bossa, diga-se).
Evergrey - Torn
Mais um álbum, mais uma vez a pergunta “será que volta ao nível de Recreation Day e In Search of Truth?”
E, novamente...
Porém, sem dúvidas, é melhor que os dois últimos, principalmente o tedioso The Inner Circle. Está bem mais Heavy. Ainda falta um pouco mais de teclados e de passagens prog. Quando não usa isso, o Evergrey faz um prog-power um tanto comum e repetitivo, por isso não empolga.
Nenhuma música é daquelas que ficam na memória, que você escuta e fica admirado. Só para citar algumas que curti: Broken Wings, Soak, Fail, Nothing Is Erased e These Scars, esta última com uma estrofe cantada (totalmente sem necessidade, aliás) por Carina Englund, esposa do vocalista Tom Englund. E o baixista novo é Jari Kainulainen, chutado do decadente e recém-finado Stratovarius.
Revolution Renaissance - New Era
Por falar em Stratovarius: o tal “disco perdido”, que o Timmo Tolki está lançando com esse nome de Revolution Renaissance, seria melhor se continuasse perdido em alguma lata de lixo finlandesa. Fraquíssimo.
Não adianta ter ótimos músicos por trás se o repertório é medíocre. O lendário Mike Kiske aparece em nada menos que CINCO músicas, e como o estilo é bem na linha Stratovarius antigo, no papel parece sonho para os fãs de de Helloween, né? Mas...
As radiofônicas I Did It My Way e Last Night On Earth são nível “dá pra ouvir”. Já as outras, a chatice e risco são por sua conta. Em Keep The Flame Alive ele chega a repetir um verso da A Tale That Wasnt Right.
A outra grande participação especial é do Tobias Sammet. Heroes é Stratovarius puro, e Glorious And Divine pode agradar quem curte os trabalhos dele junto ao Edguy e Avantasia.
Infelizmente, mais um álbum que será esquecido na vala comum do metal melódico. E a culpa com certeza é do próprio Tolki, que a partir do Destiny (1998) começou a se repetir de maneira impressionante, repetindo seus arranjos ala Malmsteen manjadíssimos em todos os álbuns. Por incrível que pareça, o disco de 2005, chamado apenas Stratovarius, foi a melhor coisa que ele lançou em 10 anos, justamente por variar um pouco.
A propósito: já imaginou uma banda permanente com ele e o Kiske? Dois “pancadas” se agüentando? O Tolki, num dos seus surtos esquizofrênicos, chegou a declarar que era Jesus Cristo, e o Kiske se faz de Cristo frente aos fãs de Metal... quem sabe daria certo.
Motorhead - Motorizer
Espaço acabando, então vou ser bem rápido: puta discão! Lemmy, o último fodão do Rock ataca novamente.
Lógico, não muda, é o mesmo Motorhead de sempre, e ainda bem que é assim.
Pancadaria que satisfaz em apenas 38 minutos, sem enrolação nenhuma. Uma das minhas preferidas deles é a clássica The Chase Is Better Than The Catch, e a nova The Thousand Names of God segue o mesmo estilo. Bom demais!
Em caso de dúvida, chame o velho Lemmão, que ele vai teach you how to sing the blues.
Deplorável a decisão do Yes em realizar a tal turnê dos 40 anos mesmo sem o Jon Anderson.
Há alguns meses o vocalista ficou doente e recebeu ordens médicas de só voltar ao batente em 2009. Ou seja, a tour comemorativa seria, conseqüente e naturalmente, adiada. Mas não: semana passada a banda anunciou que fará a tour com ou sem ele, contratando um “zé ninguém” para o posto.
Dá pra piorar? Sim, dá! O Jon declarou sua decepção também por nenhum integrante da banda ter entrado em contato perguntando como ele estava, sobre o tratamento e tal. Apenas uma ligação fria do baterista Alan White comunicando sobre os shows com um substituto.
Olha, essa me surpreendeu. Pensava que as brigas tinham sido enterradas junto com os anos 80, e que aquele patético álbum Union tinha servido pelo menos para isso. Mas parece que Chris Squire, um monstro, um gênio do baixo, também é um rei da patifaria quando o assunto é $$$. Lamentável e triste. Yes sem Jon Anderson aconteceu apenas uma vez, no álbum Drama, e foi uma exceção histórica. Tour comemorativa sem ele, nessas circunstâncias de doença, além de uma atitude mesquinha só pode ser encarado como piada.
Rush...
Será que o DVD novo demora pra sair aqui?
...na Rolling Stone
A matéria na Rolling Stone, revista que sempre os desprezou, não é nada de mais, valendo apenas pelo ineditismo. É totalmente com cara de “oh depois de 40 anos descobrimos o Rush!”, além de admirar como a banda é cultuada, mesmo sem ser moda, por milhões de fãs “nerds” espalhados pelo mundo. Não acrescenta nada.
A reportagem sobre aquele traste da Amy “Gore” Winehouse é outra picaretagem, não estando à altura da ótima chamada de capa (“Na Lama com Amy”). Mais interessante é o artigo sobre o tal disco conceitual perdido do Zé Ramalho, Paêbirû: Caminho da Montanha do Sol. Não é meu tipo de música, lógico, mas difícil não se interessar pela história de um disco composto num local “místico” e que quase todas as cópias foram destruídas numa enchente, tornando as sobreviventes mais valiosas que o célebre primeiro álbum do Roberto Carlos.
...na Roadie Crew
A entrevista com Alex é mais voltada ao novo DVD e à tour de Snakes And Arrows, enquanto Geddy faz comentários sobre a morte de John Rutsey, Brasil, Grace Under Pressure, T4E e outros trabalhos.
...no Make a Wish
Essa notícia saiu no blog Rush is a Band, e achei tão legal que traduzi pra colocar aqui. Mostra porque o Rush é uma banda incrivelmente bacana e tranqüila.
A fundação Make a Wish vai até crianças e jovens com doenças graves e, para motivá-las, tenta realizar um grande desejo. O sonho da Samantha era conhecer pessoalmente o Rush, e ela conseguiu.
Obs: tradução livre.
“Eu olhei para onde, em breve, 10 mil pessoas curtiriam a banda que eu estava prestes a encontrar pessoalmente. Era surreal. Desde que eu tinha 4 anos, sonhava em conhecê-los. Sonhei com isso a maior parte da minha vida. Conforme fui crescendo eles se tornaram meus heróis.
Fui diagnosticada com câncer em agosto de 2007, e meu mundo mudou. As únicas coisas que continuaram importantes para mim foram a minha família e a música deles. Depois de 3 meses de tratamento, a Make-a-Wish (faça um desejo), uma organização sem fins lucrativos, veio até mim e disse que eu tinha direito a um desejo. Eu poderia escolher praticamente qualquer coisa, menos um carro ou uma piscina. As opções eram numerosas. Eu fiquei pensando nas coisas que poderia escolher até o dia em que eles vieram realizar meu desejo, e finalmente decidi: disse que gostaria de conhecer pessoalmente o Rush.
Na manhã de 20 de julho, eu e minha família nos dirigimos para o Verizon Wireless Amphitheater, em Charlotte, Carolina do Norte. Primeiro nos encontramos com o chefe da segurança da banda, Kevin Ripa, que nos mostrou o palco, os bastidores e os camarins. Conheci os técnicos que trabalham para a banda: Bucky, que cuida da guitarra, Gump, da bateria, e Russ, técnico do baixo e teclado. Pude até me colocar no lugar do Neil Peart junto ao seu kit de bateria, e segurar a Gibson es355 1976 de Alex Lifeson.
Depois fomos para os fundos aguardar pela chegada dos músicos. Esperei numa salinha de segurança e após isso voltamos ao palco para encontrá-los. Primeiro eu vi o Geddy Lee. Foi incrível. Ele sorriu e me deu um abraço. Começamos a conversar um pouquinho e então vi um homem numa camiseta branca e boné de baseball chegando próximo. Eu não percebi quem era, pensei que era só mais um sujeito qualquer, até que olhei novamente. Era Neil Peart, um dos meus heróis. Minha emoção veio à tona e comecei a chorar. Neste instante o Neil me abraçou. O último a chegar foi Alex Lifeson, muito descontraído e divertido de se conversar. Contei a ele que escutava sua música Hope direto durante minha quimioterapia, e que ela significava muito para mim. Ele sorriu. Depois de batermos um papinho, cada um se posicionou em seus respectivos lugares no palco para a checagem de som. Desci e fiquei observando na primeira fileira da platéia. Tocaram algumas canções, incluindo Subdivisions, The Trees e Ghost of a Chance.
Parei para pensar sobre onde eu estava, o que estava acontecendo. As memórias vieram todas de repente, fazendo eu esquecer todo o resto. Era como se eu estivesse num mundo perfeito e repleto de música.
Subi de novo ao palco e Alex tocou a Hope para mim, me fazendo chorar por tudo o que ela significou no meu tratamento. Quando a passagem de som acabou, eles autografaram alguns itens, incluindo minha cópia do Roadshow. Neil escreveu uma dedicatória. Contei a ele que minha doença era como as letras de Farcry, quando fala “tem dia que eu me sinto à frente da roda, e no dia seguinte ela está passando por cima de mim”. Ele também me deu os sticks que usou na bateria durante sua passagem de som. Alex e Geddy me deram um punado de palhetas. Geddy também me deu uma camiseta do Henhouse. Muito legais todos esses presentinhos. Pude dizer o quanto a banda e sua música significavam para nós, e também agradecer por isso. E então, acabou. Foram 2 horas maravilhosas, mas a noite estava apenas começando.
Nós ficaríamos na quinta fileira da platéia. Durante as primeiras músicas, Kevin Ripa me chamou ao palco. Depois de Ghost of a Chance, Geddy foi ao microfone e conversou com o público pela primeira vez. Após dizer olá, disse que tinham “uma tonelada” de músicas para apresentar, e completou “mas primeiro, gostaríamos de dedicar esta próxima para minha amiga Sam: é do Hold Your Fire e se chama Mission”. Mission é uma das minhas músicas prediletas, e quando conversamos o Geddy disse que era a que ele mais gostava de tocar.
Pela terceira vez naquele dia, chorei. Ver a banda tocando aquela música era algo indescritível, ainda mais por estarem dedicando especialmente a mim.
O restante do show foi fenomenal, e o dia como um todo foi inesquecível. Meu pai e eu fomos ao show em Atlanta dois dias depois (OBRIGADO PHILLIP!). Encontramos fãs que tinham ido ao de Chalotte também e me perguntaram sobre a dedicatória que o Geddy fez. Foi legal encontrar aquele pessoal. Expliquei que foram a Make-a-Wish e o Rush que fizeram tudo possível. Dois dias inacreditáveis! Obrigado Rush e obrigado Make-a-Wish.
Make-a-Wish é uma organização que realiza os maiores desejos de crianças com doenças graves. É maravilhosa. Eles proporcionaram esse dia especial para mim e fizeram de tudo para que fosse uma experiência sensacional. Funcionam totalmente baseados em doações. Se você quiser doar, se inspire conhecendo os desejos já realizados, ou se ofereça como voluntário em www.wish.org.
Finalizando, gostaria de deixar uma lista com minhas músicas favoritas do Rush: Resist, Mission, Test for Echo, Summertime Blues, Working Them Angels, Totem, Hope, Far Cry, Malignant Narcissism, Second Nature, Marathon , Force Ten, Everyday Glory. Os álbums que eu gusto mais são Test for Echo e Snakes and Arrows.
Obrigado por deixar que eu contasse minha história.”
Só porque o furacão Death Magnetic (Magnetike?) já está passando não quer dizer que 2008 não tenha mais nada de interessante pra sair. Alguns lançamentos que eu espero até dezembro:
Motorhead - Motorizer
Já saiu. Ainda não escutei, mas já sei como é, afinal é o Motorhead. Bip-bip.
Evergrey - Torn (19/09)
Também já está disponível, devo ouvir esses dias. A banda disponibilizou a música Fail (epa!), que é bem no estilo In Search Of Truth / Recreation Day (eba!). Se você quiser conferir:
http://www.evergrey.net/mp3/Evergrey-Fail.mp3
Yngwie Malmsteen - Perpetual Flame (13/10)
Depois dos vexames nos últimos trabalhos, em que o egocêntrico sueco tentou produzir seus próprios discos e passou vergonha, dessa vez ele teve o bom senso de chamar Roy Z para ajudá-lo, o que deve melhorar o panorama pelo menos um pouco. Mas se depender do horripilante show recente que escutei, a união Malmsteen & Ripper Owens tem tudo para ser um dos fiascos do ano. Espero estar errado, mas...
AC-DC - Black Ice (17/10)
Oito anos sem lançar nada, mas parece que a espera será recompensada. O primeiro single, Rock ´n Roll Train, agradou todo mundo. AC-DC é uma das bandas que tem, merecidamente, licença para se repetir ad infinitum, então é muito raro darem bola fora.
Saxon - ??? (outubro)
Não divulgaram o nome ainda, mas está previsto para outubro. Será? Muito em cima, duvido que não seja adiado. Lionheart foi muito fraco, mas The Inner Sanctum foi um dos melhores de 2007. Se for no mesmo nível, ótimo. Ah, e as Inretes, aquelas chacretes cantoras que acompanham o INRI Cristo, gravaram sua versão para CRUSADER! Sensacional!
Rammstein - ??? (novembro)
Não foi confirmado o título nem a data. As últimas notícias que eu encontrei colocam como previsto para novembro, e segundo a banda será (ainda) mais pesado que Rosenrot e Reise Reise. Do Mutter em diante eles só lançaram discos bons, duvido que percam a linha agora.
E tem um que infelizmente foi adiado para 2009: o novo do U2. How To Dismantle An Atomic Bomb foi excelente, e para o novo, que segundo os boatos se chamará No Line on the Horizon, parece que querem criar algo experimental no nível do antológico Achtung Baby. Difícil hein.
Mais Metallica (afinal é o Metallicaaaa pô \m/)
Tá foda, não consigo parar de ouvir, ler e conversar sobre essa merda. Algumas notícias, notas, etc.
Death Magnetic - mais uma vítima da falta de senso 1
Lembra da praga da compressão absurda nas gravações atuais, que recentemente foi motivo de matéria na Rolling Stone e que eu comentei aqui usando o Vapor Trails do Rush como exemplo? Então, novamente segundo a revista tem razão de ser as críticas que o som do Death Magnetic tem recebido, supostamente soando estridente e barulhento como tantos outros lançamentos recentes.
Resumindo o assunto: essa tal “compressão” consiste em deixar os álbuns novos com som altíssimo para que eles soem mais poderosos, fortes, “modernos”. Você pode facilmente comprovar na prática essa mania irritante comparando um CD antigo de alguma banda clássica com seu lançamento mais recente. Só para usar o próprio Metallica como exemplo: coloque o And Justice For All e logo em seguida o Death: a diferença de volume é absurda, e se você estiver escutando o primeiro num volume muito alto, prepare-se para tomar um susto quando mudar para o outro. Fica insuportável.
Duas perguntas que todo mundo tá fazendo: quem será o IMBECIL que decretou que “som mais alto = som mais poderoso”, e como que tantos artistas têm deixado seus trabalhos serem prejudicados por essa tendência idiota. E pasmen: segundo a RS, a versão para o Guitar Hero soa melhor que a em CD. Link:
Death Magnetic - mais uma vítima da falta de senso 2
Ia pegar a versão nacional em CD, mas depois de ler uma bem-vinda matéria no Whiplash, alertando sobre a porquice que fizeram, desisti. Devo pegar um importado, por alguns poucos trocados a mais. No CD nacional usaram caixinha preta, que apesar de ultrapassada eu até aceito dependendo do caso, e acabaram com a graça do encarte, que em qualquer versão decente possui o formato do caixão recortado.
O seja, colocam a venda por mais de 30 Reais uma versão capada, parecendo um pirata oficial das versões americana e européia, e depois reclamam de MP3, dólar, pirataria... na verdade sempre foi assim: o meu vinil do Ride The Lightning veio sem encarte, então desde cedo aprendi que as gravadoras daqui nunca respeitaram o consumidor. Agora estão na pior e, ao invés de enfatizarem as vantagens da mídia física e oficial frente à MP3 e aos “genéricos”, com encartes decentes que justifiquem o preço e tal, ainda agem como se fossem as rainhas da cocada preta...
Some Kind of Monster
Aproveitando o embalo, assisti ao famoso documentário Some Kind of Monster, que flagra a banda no fundo do poço durante as gravações do St. Anger.
A conclusão óbvia que fica: um documentário constrangedor, registrando uma fase melancólica e ao mesmo tempo tensa, que só poderia resultar num álbum desastroso. Eu mesmo, que costumo malhar o Bob Rock pela produção vergonhosa desse disco, tenho que reconhecer que ele tentou tirar leite de uma pedra que não tinha nada a oferecer.
Jason Newsted demitido por querer se divertir em projetos paralelos, James Hetfield internado em clínica de reabilitação, Lars Ulrich mais preocupado com quadros e fãs baixando músicas e do que com a própria banda, Kirk Hammett perdido, sem saber se faz ou não solos de guitarra... tudo isso acompanhado pela presença constante de um psicólogo espertalhão. Quem diria: um Metallica resmungão e cheio de chororôs precisando de um “técnico de personalidade” para definir seu rumo.
Deprimente.
Mas o vídeo tem momentos imperdíveis, e justamente por isso vale a pena assistir. Tem o Dave Mustaine de certa forma se rebaixando numa lavagem de roupa suja do tipo “discutir a relação”; o Lars perdendo a paciência com o surpreendente egocentrismo do Hetfield (sinceramente: ele até que demorou para soltar aquela série dos FUCKS! literalmente na cara do vocalista); a seleção de baixistas e o melhor de todos, que eu até postarei um vídeo.
Mais abaixo você confere o pai do Lars, Torben Ulrich, com sua barba estilo ZZ-Top, dando sua opinião er, sincera até demais sobre uma passagem viajante que seria usada em St. Anger. Se você não entende inglês, ele diz mais ou menos isso: “Olha, eu vou dizer: apagem isso.” Lars ri e comenta que mostrou o mesmo trecho para Cliff Burnstein, manager do Metallica, e ele adorou, achou muito bom. O velhinho insiste: “Olha, eu realmente acho que não. Apagem.”.
Torben Ulrich, meu novo ídolo.
Aliás outro momento cômico é quando se reúnem para uma audição das novas músicas. Hilário vê-los no estúdio prestando atenção naquelas músicas horrorosas e mesmo assim mexendo a cabeça com cara de “YEAH, THIS ROCKS! THIS KICKS ASS MAN! VERY GOOD!”.
Abaixo o vídeo com Torben e também: Lars explicando como se tira aquele som de bateria de lata e a intro invertida de Blackned, invertida (não entendeu? Confere aí que vale a pena!).